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Apesar da discrição, antitrumpismo marca presença nos Jogos Olímpicos de Inverno
As críticas existem, mas as regras do Olimpismo exigem que sejam discretas. Vários atletas americanos manifestaram, em algum grau, sua oposição a Donald Trump nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina, a ponto de provocar a ira do presidente.
O artigo 5 dos "princípios fundamentais do Olimpismo" estipula que "as organizações esportivas no âmbito do movimento olímpico devem aplicar o princípio da neutralidade política".
Diretamente para os atletas, o artigo 50 da Carta Olímpica distingue, desde 2021, a neutralidade na competição, na Vila Olímpica e durante as cerimônias, da liberdade de expressão em coletivas de imprensa, zona mista e nas redes sociais.
Abstendo-se de citar diretamente Donald Trump e sua política anti-imigração, que divide profundamente a sociedade americana e que deixou dois mortos no estado de Minnesota em janeiro, vários atletas que defendem a bandeira de barras e estrelas, na Itália, demonstraram seu distanciamento em relação à atual administração da Casa Branca.
É o caso de uma das grandes estrelas do esqui, Mikaela Shiffrin, que, ao ser questionada sobre a ideia de representar os Estados Unidos internacionalmente neste momento, admitiu ter "algumas reflexões a este respeito".
Depois leu um texto de Nelson Mandela, utilizado na véspera pela atriz Charlize Theron durante a cerimônia de abertura dos Jogos.
"A paz (...) é a criação de um ambiente no qual cada pessoa pode se desenvolver, seja qual for sua raça, sua cor, suas crenças, sua religião, seu gênero, sua classe, sua casta ou qualquer outro marcador social de diferença".
E acrescentou: "Espero de verdade (...) representar meus próprios valores. Valores de inclusão, de diversidade e de bondade".
- Sonho americano -
Chloe Kim, estrela do snowboard, insistiu, por sua vez, em sua dupla nacionalidade: "Meus pais saíram da Coreia do Sul (...) para que minhas irmãs e eu tivéssemos a oportunidade de viver um dia o sonho americano", escreveu em sua conta do Instagram, defendendo "a diversidade, a dignidade e a esperança".
Quem foi mais longe nas suas avaliações foi provavelmente o esquiador de freestyle Gus Kenworthy, que no passado representou os Estados Unidos e que na Itália defende as cores do Reino Unido.
Escreveu na neve "Fuck ICE", em referência ao Serviço de Imigração e Controle de Alfândega, cujos métodos violentos têm gerado muita indignação.
"Há inocentes que morreram, já chega. Não podemos continuar com os braços cruzados enquanto o ICE segue operando com um poder descontrolado", escreveu nas redes sociais.
Mas quem provocou a reação de Donald Trump foi o esquiador Hunter Hess, que na quarta-feira (4) disse que "representar os Estados Unidos neste momento provoca sentimentos contraditórios".
Trump utilizou sua plataforma Truth Social para responder, no domingo (8): "Hunter Hess, um autêntico perdedor, diz que não representa seu país nos atuais Jogos Olímpicos de Inverno".
"Se esse é o caso, não deveria ter feito os testes para a equipe, e é uma pena que esteja nela. É muito difícil torcer por alguém assim", acrescentou o republicano.
Nesta segunda-feira, Chloe Kim pediu mais "amor" e "compaixão" em uma reação em defesa de seu companheiro da Equipe dos EUA.
- "Vai brincar na neve" -
Citado pela imprensa americana, o deputado republicano do Tennesse, Tim Burchett, convidou o atleta a "calar a boca e ir brincar na neve".
A patinadora Amber Glenn, referência LGTBQIA+, denunciou, na semana passada, "um período difícil para a comunidade como um todo com esta administração".
"Sei que muita gente diz: é apenas um atleta, se limita a fazer seu trabalho, fica calado sobre política. Mas a política diz respeito a todos nós", defendeu.
Nas redes sociais, lamentou, no sábado (7), ter recebido "uma quantidade assustadora de ódio e ameaças".
O porta-voz do Comitê Olímpico Internacional (COI), Mark Adams, fiel à prudência da organização em questões políticas, se recusou a comentar sobre as palavras de Trump.
"Assim como também não comento as de outros chefes de Estado", apontou.
"Não vou acrescentar mais debate porque não acho que seja muito útil insistir neste tipo de discussões", sentenciou.
G.Schulte--BTB