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Parlamento reelege Miguel Díaz-Canel presidente de Cuba até 2028
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, foi reeleito pelo Parlamento nesta quarta-feira (19), sem surpresa, para seu segundo e último mandato de cinco anos, em meio à maior crise econômica em três décadas na ilha comunista.
Díaz-Canel, um engenheiro eletrônico de 62 anos colocado no poder pelo castrismo, irá liderar seu segundo governo em um contexto de escassez e descontentamento popular na ilha. Ao tomar posse, ele convocou seu gabinete a "enfrentar obstáculos e resolver deficiências", a fim de "aumentar a oferta de bens e serviços e controlar a inflação".
A reeleição do presidente ocorre após dois anos de uma escalada inflacionária de 39% em 2022 e 70% em 2021, números inéditos no país desde o triunfo da revolução, em 1959.
Díaz-Canel governa Cuba desde 2018 e foi o primeiro civil a assumir o comando do país após os mandatos de Fidel e Raúl Castro. Ele recebeu 459 (97,66%) votos a favor dos 462 deputados presentes na sessão legislativa.
"Levando em conta os resultados anunciados, declaro eleito o deputado Miguel Mario Díaz-Canel Bermúdez presidente da República", disse no plenário Esteban Lazo, presidente da Assembleia Nacional, na presença do líder da revolução, Raúl Castro. Vestindo seu tradicional uniforme verde-oliva, Castro parabenizou o presidente após o anúncio do resultado da votação.
- 'Corrupção inaceitável' -
Na sessão parlamentar, também foi reeleito o vice-presidente da república, Salvador Valdés Mesa, 77 anos, que ocupa o cargo desde 2019.
Durante a votação, à qual apenas a imprensa estatal teve acesso e cujos trechos foram transmitidos pela TV nacional, Díaz-Canel confirmou quase todo o seu gabinete, com algumas exceções. Mais cedo, a Assembleia também reelegeu sua diretoria.
Os deputados votaram direta e secretamente em um único candidato a cada cargo, em um país onde a oposição é ilegal.
Em seu discurso, Díaz-Canel criticou "o burocracismo, a indiferença ou a corrupção inaceitável" que freia o progresso do país "em meio a dificuldades profundas". A partir de 2018, quando começava a crise atual, Díaz-Canel acelerou uma reforma econômica atrasada iniciada por seu mentor político Raúl Castro.
No começo de 2021, o presidente implementou uma reforma monetária que acabou com a taxa artificial de um dólar por peso cubano, que prevaleceu por décadas e provocava grandes distorções na economia nacional. Também promoveu o trabalho independente e autorizou as pequenas e médias empresas, mas estas medidas foram insuficientes para melhorar a economia.
O analista político Arturo López-Levy destacou que o governo de Díaz-Canel "não realizou uma transição completa e abrangente para uma economia mista. Algumas mudanças econômicas não aconteceram, e outras, que aconteceram, deixaram muito ceticismo envolvendo a sua implementação."
- Reeleição 'garantida' -
A reforma monetária provocou, adicionalmente, uma forte desvalorização da moeda cubana, que fez o custo de vida disparar. Cuba enfrenta hoje sua pior crise econômica em 30 anos, com escassez de alimentos, remédios e combustíveis, consequência, entre outros motivos, do endurecimento do embargo dos Estados Unidos, em vigor desde 1962, e dos efeitos da pandemia.
"O desafio que traçamos é o de vencer o bloqueio sem esperar que ele seja levantado", disse Díaz-Canel, após acusar o governo Joe Biden de manter a política de asfixia de seu antecessor Donald Trump.
Uma das "poucas conquistas" que podem ser atribuídas a Díaz-Canel foi a de comandar "a transição para um regime liderado por uma nova geração nascida depois de 1959 que não tem o sobrenome Castro", considera Jorge Duany, professor da Universidade Internacional da Flórida.
Ao mesmo tempo, Duany considera que o "maior fracasso foi a gestão ruim dos protestos" de julho de 2021, os maiores na ilha desde 1959, que deixaram um morto, dezenas de feridos e mais de 1.300 presos, segundo a organização de defesa dos direitos humanos Cubalex, com sede em em Miami.
Após os protestos, o país registrou um êxodo migratório sem precedentes: mais de 300 mil cubanos deixaram a ilha apenas em 2022.
I.Meyer--BTB