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Combates no Sudão seguem no 6º dia sem trégua à vista
Explosões e disparos continuaram a abalar Cartum, a capital sudanesa, nesta quinta-feira (20), apesar dos incessantes apelos da comunidade internacional por um cessar-fogo entre os dois generais que disputam o poder.
Milhares de pessoas fugiam da capital do país africano, de cinco milhões de habitantes, para escapar dos bombardeios, disparos e confrontos nas ruas que deixaram mais de 270 mortos desde sábado e que se concentram em Cartum e Darfur (oeste).
Muitos moradores não tiveram escolha a não ser fugir a pé, já que o preço da gasolina disparou: um litro de combustível agora custa US$ 10 (R$ 50,80), em um dos países mais pobres do mundo.
Para sair de Cartum, tiveram que se submeter a revistas e perguntas dos homens estacionados nos postos de controle das Forças de Apoio Rápido (FAR), dos paramilitares do general Mohamed Hamdan Dalgo, também conhecido como Hemedti, e do exército do general Abdel Fatah al Burhan, líder de fato do Sudão após o golpe perpetrado por ambos os generais em 2021.
Além disso, tiveram de abrir caminho entre os cadáveres caídos na beira das ruas, os tanques e caminhões carbonizados e evitar as áreas mais perigosas da cidade, de onde subiam espessas colunas de fumaça preta.
- Tréguas violadas -
Desde que a luta pelo poder, há semanas latente entre os dois generais, degenerou em uma batalha campal no sábado (15), a confusão é total para os 45 milhões de sudaneses. Ambos os lados continuam prometendo tréguas que nunca são respeitadas.
ONU, União Africana, Liga Árabe e outras organizações regionais devem se reunir novamente, nesta quinta-feira (20), para pedir um cessar-fogo.
Nas ruas cobertas de entulho, é impossível saber quem controla as principais instituições do país.
A Força Aérea, que tem como alvo as bases e as posições das FAR espalhadas por zonas povoadas de Cartum, não hesita em lançar bombas, às vezes sobre hospitais, segundo médicos.
Em cinco dias, "70% dos 74 hospitais de Cartum e das áreas afetadas pelos combates ficaram fora de serviço", segundo um sindicato de médicos.
Várias organizações humanitárias tiveram de suspender sua ajuda, crucial em um país onde mais de uma em cada três pessoas passa fome em tempos normais. Os civis que permanecem em suas casas estão cada vez mais desesperados diante da escassez de alimentos, apagões e falta de água potável.
- Violência sexual e saques -
Três funcionários do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU morreram em Darfur. As Nações Unidas também denunciaram "saques" de seus estoques e "ataques" contra seu pessoal, inclusive sexuais.
Essa espiral de violência ocorre depois que mais de 120 civis morreram na repressão às manifestações pró-democracia dos últimos 18 meses.
A explosão de violência do sábado resulta das profundas divisões entre o Exército e as FAR, criadas em 2013 pelo líder autocrático deposto Omar al Bashir.
Burhan e Daglo derrubaram Al Bashir em abril de 2019, após protestos multitudinários contra suas três décadas de governo. Em outubro de 2021, os dois lideraram um golpe contra o governo civil instalado após a saída de Al Bashir e puseram fim a uma transição apoiada pela comunidade internacional.
Militar de carreira do norte do Sudão, Burhan disse que o golpe foi "necessário" para incluir outras facções na política. Já para Daglo, tratou-se de um "erro", que não conseguiu promover mudanças e ainda reforçou os que sobraram do regime de Al Bashir.
M.Furrer--BTB