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Zelensky pede 'honestidade' e 'coragem' à Otan durante ofensiva diplomática
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, reivindicou, nesta quinta-feira (6), na República Tcheca, "honestidade" e "coragem" à Otan, dias antes de uma reunião crucial da aliança militar, e reconheceu que a contraofensiva lançada contra as posições russas "não é rápida".
Sua viagem para Praga faz parte de uma ofensiva diplomática de Kiev para aderir à Otan e receber mais munições de seus aliados, que o levou antes à Bulgária e continuará na Turquia nesta sexta-feira.
"A ofensiva não é rápida, isto é um fato. Mas, mesmo assim, avançamos, não retrocedemos como os russos", disse Zelensky à imprensa ao lado do presidente tcheco, Petr Pavel.
O dirigente ucraniano assegurou que a lentidão no fornecimento de armas a seu país havia atrasado sua contraofensiva e permitiu que a Rússia fortalecesse suas defesas nos territórios ocupados.
"Exigimos honestidade em nossas relações" com a Otan, disse Zelensky em Praga. É hora de demonstrar "a coragem e a força dessa aliança", acrescentou.
Os países-membros da Otan se reúnem nos dias 11 e 12 de julho em Vilnius, a capital da Lituânia, ainda sem uma posição comum sobre as garantias de segurança que querem oferecer a Kiev nem sobre um eventual convite à Ucrânia para se juntar à aliança militar.
"A motivação de nossos parceiros deve continuar intacta", disse o presidente ucraniano anteriormente na Bulgária. Kiev reivindica aviões de combate F16 e munições de artilharia. Caso contrário, "perderemos a iniciativa no campo de batalha", frisou.
Durante a próxima etapa de sua viagem, na Turquia, Zelensky se reunirá com o presidente Recep Tayyip Erdogan, no momento em que a Rússia ameaça sair do acordo sobre as exportações de grãos ucranianos apoiado por Ancara.
- 'Onde está Prigozhin?' -
A campanha diplomática do líder ucraniano coincidiu com um bombardeio russo em Lviv (oeste) e com novas revelações sobre o paradeiro do chefe do grupo paramilitar Wagner, Yevgeny Prigozhin, depois de seu motim contra o alto comando militar do presidente Vladimir Putin.
O presidente de Belarus, país para o qual teoricamente foi Prigozhin após um acordo com o Kremlin, disse que o polêmico empresário não estava ali, mas na Rússia.
"Quanto a Prigozhin, ele está em São Petersburgo. Onde está esta manhã? Ele pode ter partido para Moscou ou para outro lugar, mas não está em território bielorrusso", disse Alexander Lukashenko.
"Tenho certeza de que ele está livre", disse Lukashenko, afirmando que tinha conversado ontem com Prigozhin por telefone, que lhe garantiu que continuaria "trabalhando para a Rússia".
O presidente bielorrusso mediou o acordo que pôs fim à rebelião de Prigozhin nos dias de 23 e 24 de junho. No dia 27, Lukashenko informou que o líder do Grupo Wagner havia chegado a Belarus.
já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, ao ser questionado sobre o paradeiro de Prigozhin, respondeu: "Não estamos acompanhando os seus movimentos."
Putin, que tachou Prigozhin de "traidor", deu aos combatentes do Grupo Wagner a opção de ingressar no exército regular, ir para Belarus ou voltar para a vida civil.
Mas, segundo Lukashenko, os combatentes do Grupo Wagner também estão "em seus destacamentos permanentes" na Ucrânia e não em Belarus, "por ora".
Após o motim de 24 horas que abalou o Kremlin, Prigozhin disse que não queria tomar o poder, mas proteger o Grupo Wagner do risco de ser desmantelado pelo Estado-Maior russo, a cujos responsáveis ele acusa de incompetência no conflito da Ucrânia.
- Mísseis em Lviv -
Na Ucrânia, a centenas de quilômetros da frente de batalha, a cidade de Lviv foi alvo de uma série de mísseis russos durante a noite, que mataram sete pessoas e causaram danos em mais de 30 edifícios, segundo as autoridades locais.
"Este é o ataque mais destrutivo contra a população civil do oblast [província] de Lviv desde o início da guerra", assinalou o chefe da administração militar da província, Maksym Kozytsky, no Telegram.
"Acordei com a primeira explosão, mas não tivemos tempo de sair do apartamento. Houve uma segunda explosão e o teto começou a cair", disse à AFP Olya, uma moradora da cidade.
"Minha mãe morreu, meus vizinhos morreram. Neste momento, parece que sou a única sobrevivente do quarto andar", acrescentou.
Por outro lado, o Exército russo garantiu que seus ataques foram contra lugares de "destacamento temporário" de soldados ucranianos. "Todas as instalações designadas foram atingidas", disse o Ministério da Defesa russo.
A Unesco condenou hoje o bombardeio russo contra um edifício histórico em Lviv, e ofereceu suas "sinceras condolências" às famílias das vítimas.
"Este ataque, o primeiro que afeta uma área protegida pela Convenção sobre o Patrimônio Mundial desde o início da guerra, em 24 de fevereiro de 2022, constitui uma violação" deste acordo, afirmou esta agência especializada da ONU com sede em Paris.
J.Bergmann--BTB