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Grupo russo Wagner perde protagonismo nos combates na Ucrânia
Os mercenários do grupo russo Wagner já não participam nos combates na Ucrânia de forma "significativa", afirmou o Pentágono, e o líder do grupo rejeitou que seus combatentes lutassem sob a autoridade de outro comando, revelou o presidente Vladimir Putin.
"No momento, não vemos as forças do grupo Wagner participando de uma forma significativa no apoio aos combates na Ucrânia", afirmou na quinta-feira (13) o porta-voz do Pentágono, general Pat Ryder.
O general disse ainda que o governo dos Estados Unidos acredita que a "maioria" dos combatentes do grupo paramilitar permanecem em zonas da Ucrânia ocupadas pela Rússia.
Na frente de batalha, o exército da Ucrânia anunciou que derrubou 16 de 17 drones de combate de fabricação iraniana Shahed 136/131 lançados pela Rússia durante a noite a partir do sudeste.
O anúncio do Pentágono acontece três semanas depois da tentativa de motim do grupo Wagner, que teve um papel crucial na invasão da Ucrânia. Os mercenários ocuparam durante várias horas um quartel no sul da Rússia em 24 de junho, mas recuaram ao final do dia.
O fundador e líder do grupo paramilitar, Yevgueni Prigozhin, afirmou que o motim não pretendia derrubar o governo, e sim salvar o Wagner do desmantelamento por parte do Estado-Maior russo, que o empresário acusou de incompetência na ofensiva de Moscou na Ucrânia, que começou em fevereiro de 2022.
O presidente russo, Vladimir Putin, revelou na quinta-feira em uma entrevista ao jornal Kommersant os primeiros detalhes de uma reunião que teve com Prigozhin e seus comandantes em 29 de junho no Kremlin.
- Um novo comandante -
Putin disse que propôs a Prigozhin que seus combatentes servissem sob a autoridade oficial de outro comando, mas que ele rejeitou a oferta.
Os combatentes do grupo Wagner "poderiam ter sido reunidos em um apenas lugar e prosseguir com seu serviço. Nada mudaria para eles, seriam liderados pela pessoa que realmente era seu comandante todo este tempo", afirmou o presidente russo.
O Kommersant explica que a pessoa citada é um comandante do grupo Wagner conhecido como "Sedoy" (cabelo grisalho), que segundo Putin foi quem realmente liderou os paramilitares na frente de batalha ucraniana durante os últimos 16 meses.
O presidente russo afirmou que muitos participantes na reunião "concordaram" com a proposta, mas que Prigozhin não aceitou a oferta e disse: "Não, os rapazes não concordam com esta solução".
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou nesta sexta-feira que a Rússia está examinando a possibilidade de legalizar as empresas militares privadas, cuja existência não é autorizada por lei.
"Legalmente, a empresa militar privada Wagner não existe e nunca existiu. Esta é uma questão que deve ser estudada, examinada de modo mais profundo", disse Peskov à imprensa, antes de destacar que esta é uma questão "bastante complexa".
Putin ressaltou na entrevista a falta de um marco legal para o Wagner. "O grupo (Wagner) está lá, mas não existe juridicamente", afirmou.
"Há uma questão separada relacionada a sua legalização efetiva. Um tema que deve ser examinado pela Duma (Câmara Baixa do Parlamento) e pelo governo", acrescentou Putin.
O motim do grupo Wagner abalou o governo da Rússia, que está envolvido com a guerra na Ucrânia.
Durante a rebelião, os combatentes do grupo Wagner ocuparam durante várias horas o quartel-general do exército na cidade de Rostov, sul da Rússia, e avançaram centenas de quilômetros na direção de Moscou.
O motim terminou em 24 de junho, com um acordo para que Prigozhin viajasse para Belarus e uma proposta para que os combatentes do grupo Wagner integrassem o exército oficial, aceitassem o exílio em Belarus ou retornassem à vida civil.
O exército da Rússia anunciou na quarta-feira que recebeu mais de 2.000 equipamentos militares, incluindo tanques, e 2.500 toneladas de munições do grupo Wagner. Prigozhin concordou em entregar às tropas oficiais russas suas armas após o fim da rebelião.
Desde o motim frustrado, as especulações não param sobre uma reestruturação da cúpula militar russa, com boatos sobre o destino do general Serguei Surovikin, um aliado de longa data do grupo Wagner.
P.Anderson--BTB