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Israel concorda com 'pausas diárias' no norte de Gaza, assolado por combates terrestres
Tropas israelenses e milicianos do Hamas se enfrentaram, nesta quinta-feira (9), em intensos combates na Cidade de Gaza, enquanto Israel aceitou fazer "pausas diárias de quatro horas" nas operações militares no norte do território palestino, segundo os Estados Unidos.
Israel "começará a fazer pausas diárias de quatro horas em determinadas áreas do norte da Faixa de Gaza, que serão anunciadas com três horas de antecedência" a partir desta quinta-feira (9), declarou um porta-voz da Casa Branca.
Milhares de civis palestinos iniciaram sua fuga a pé para o sul da Faixa de Gaza, deixando para trás o bombardeado norte, onde os combatentes do Hamas - usando fuzis de assalto e granadas lançadas por foguetes - enfrentaram os israelenses, apoiados por veículos blindados.
Em uma incursão ao epicentro dos combates, organizada pelo exército israelense, cujas imagens foram submetidas à censura militar, uma equipe da AFP viu palmeiras queimadas, postes torcidos e painéis de sinalização deformados ao longo da rodovia que margeia a costa.
Nesta quinta, o exército anunciou que tomou o controle na véspera de um "importante centro" do Hamas em Jabaliya, um campo de refugiados do norte de Gaza, de onde "os terroristas treinam e realizam ataques".
Israel prometeu "aniquilar o Hamas" em represália ao ataque de 7 de outubro, no qual combatentes islamistas mataram 1.400 pessoas, a maioria civis, e sequestraram cerca de 240.
Aos bombardeios lançados desde o ataque do Hamas, Israel somou, em 27 de outubro, uma ofensiva terrestre que, segundo seu exército, permitiu-lhe entrar "profundamente" na Cidade de Gaza. Na operação, já morreram 34 soldados israelenses.
Segundo Israel, a cidade abriga o "centro" do Hamas, escondido em uma rede de túneis de várias centenas de quilômetros.
- "Assustador" -
Na Faixa de Gaza, os bombardeios israelenses já mataram 10.812 pessoas, sobretudo civis, dos quais 4.412 eram crianças, segundo o Ministério da Saúde do governo do Hamas.
A ONU estima em um milhão e meio o número de pessoas deslocadas desde o início da guerra dentro do território palestino, de 2,4 milhões de habitantes.
Segundo o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), centenas de milhares de pessoas ainda estão no norte de Gaza em "uma situação humanitária desastrosa".
Israel negou, no entanto, que haja uma "crise humanitária" em Gaza, embora tenha reconhecido "a situação difícil" de seus habitantes.
O exército anunciou, nesta quinta, que abriu um novo "corredor" de evacuação depois que, na véspera, 50.000 civis fugiram para o sul do território.
Mahmud al Masri enterrou apressadamente três de seus irmãos e cinco sobrinhos em sua horta, antes de fugir de Beit Hanun, no nordeste da Faixa de Gaza.
"O cemitério fica na região fronteiriça, onde os tanques realizam incursões (...) Depois da guerra, moverei os corpos", disse à AFP este agricultor de 60 anos, refugiado em um hospital de Khan Yunis.
- "Crise de humanidade" -
Há quase um mês, o território palestino está sitiado, sem acesso à água, comida, remédios ou energia elétrica, e dependente dos poucos comboios de ajuda que entram a partir do Egito pela passagem fronteiriça de Rafah.
Por ali também foram evacuados dezenas de feridos palestinos.
No hospital Al-Awda de Jabaliya, "os médicos utilizam lanternas de cabeça", e os cirurgiões operam "com anestesia local", disse o doutor Ahmad Mhanna.
Nesta quinta foi realizada a conferência humanitária organizada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, em Paris, para a qual o governo israelense não enviou representantes e os países árabes, nenhum emissário de alto nível.
Durante o evento, a agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) voltou a alertar para "o pesadelo que Gaza atravessa hoje", que "mais que uma crise humanitária, é uma crise da humanidade".
- Sem trégua -
Apesar dos reiterados apelos por um cessar-fogo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, insistiu em que não o concederá sem a libertação dos reféns.
O presidente americano, Joe Biden, reiterou, nesta quinta, que "não há possibilidade" de um cessar-fogo.
Uma fonte próxima ao Hamas informou à AFP que o Catar media a libertação de 12 reféns, seis deles americanos, em troca de uma "trégua humanitária de três dias".
O chefe do Hamas, Ismail Haniyeh, que reside no Catar, se reuniu nesta quinta no Egito com o chefe dos serviços de inteligência daquele país para falar da situação em Gaza, informou o movimento islamista palestino.
Ao menos 83 pessoas morreram do lado libanês nestes confrontos, onze delas civis.
Na Cisjordânia, um território palestino ocupado por Israel desde 1967, quinze palestinos morreram nesta quinta-feira em várias localidades, segundo o Ministério palestino da Saúde. Ao menos 170 palestinos morreram atingidos por disparos de soldados ou colonos israelenses neste território desde 7 de outubro.
M.Odermatt--BTB