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EUA lançam ajuda aérea na Faixa de Gaza para afastar ameaça da fome
Os Estados Unidos começaram a lançar neste sábado (2) suprimentos alimentícios por meio de aviões para a população da Faixa de Gaza, que corre risco de fome, segundo a ONU, após quase cinco meses de conflito entre Israel e o movimento islamista palestino Hamas.
A entrega, realizada pela Força Aérea dos EUA, ocorre dois dias depois de soldados israelenses dispararem contra uma multidão faminta que cercava um comboio de ajuda humanitária no norte de Gaza. O Hamas indicou que 116 pessoas morreram.
Após o incidente, vários países enviaram por ar pacotes de ajuda humanitária, devido à dificuldade de acesso ao território palestino, cercado por Israel desde 9 de outubro.
Entre os países que prestaram socorro estão a Jordânia, com o apoio da França, Holanda e do Reino Unido, e o Egito, que contou com a cooperação dos Emirados Árabes.
A ONG International Rescue Committee alertou que a entrega aérea de ajuda "não pode nem deve substituir o acesso humanitário".
Hisham Abu Eid, um morador de 28 anos do bairro de Zeitun, em Gaza, disse que recebeu sacos de farinha na quinta-feira (29). "Mas isso não é suficiente. Todo mundo tem fome. A ajuda é escassa e insuficiente", afirmou.
- EUA entregam 38.000 rações alimentares -
Neste sábado (2), o Exército israelense continuou bombardeando a Faixa de Gaza, o que deixou ao menos 92 mortos nas últimas 24 horas, segundo o Ministério da Saúde do território palestino.
Posteriormente, o Ministério informou que 11 pessoas morreram e outras 50 ficaram feridas em um bombardeio israelense contra um acampamento de deslocados perto de um hospital em Rafah, no sul da Faixa.
O conflito eclodiu em 7 de outubro, quando comandos islamistas mataram cerca de 1.160 pessoas, a maioria civis, e sequestraram cerca de 250 no sul de Israel, segundo uma contagem da AFP baseada em dados israelenses.
Uma trégua de uma semana em novembro permitiu que cerca de 100 reféns fossem trocados por 240 prisioneiros palestinos, e Israel estima que cerca de 130 pessoas permanecem em cativeiro, das quais 30 teriam morrido.
Em resposta, Israel lançou uma operação aérea e terrestre para "aniquilar" o Hamas, um movimento que classifica, assim como os Estados Unidos e a UE, como uma organização "terrorista".
Segundo correspondentes da AFP, nas últimas horas Israel continuou com seus bombardeios na Faixa, principalmente em Khan Yunis e Rafah, no sul do território, em uma campanha que já matou 30.320 pessoas, segundo o Hamas.
Desde o começo do conflito, a ajuda humanitária chega por via terrestre de forma limitada, através de Rafah, pois está sujeita a autorizações de Israel, que impõe um bloqueio a Gaza desde 2007.
De acordo com a ONU, 2,2 milhões dos 2,4 milhões de habitantes do território estão ameaçados pela fome, após quase cinco meses de conflito. Nos últimos dias, 13 crianças morreram de "desnutrição e desidratação", segundo autoridades de saúde do Hamas.
O Comando Central dos EUA (CentCom) na região informou que três aviões militares de carga C-130 "lançaram mais de 38.000 rações ao longo da costa de Gaza".
- Baleados -
O chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, considerou inaceitável que soldados israelenses tenham atirado em civis que tentavam conseguir comida, e pediu uma "investigação internacional imparcial" sobre a tragédia.
Uma equipe da ONU visitou na quinta-feira o hospital Al-Shifa, em Gaza, onde foram internadas dezenas de pessoas feridas no ocorrido. O local recebeu "um grande número de baleados", declarou Stéphane Dujarric, porta-voz do chefe das Nações Unidas, António Guterres.
A comunidade internacional pediu uma investigação dos fatos e um cessar-fogo imediato.
- Negociações -
No campo diplomático, Catar, Estados Unidos e Egito tentam chegar a um acordo de trégua de seis semanas, que inclui a libertação de reféns em troca de prisioneiros palestinos e a entrada de grandes quantidades de ajuda em Gaza.
Biden reconheceu ontem que a tragédia ocorrida durante a distribuição da ajuda complicou as negociações de trégua, mas disse esperar que um acordo a esse respeito seja alcançado até 10 de março.
Uma delegação do Hamas viajará hoje ao Cairo para dar continuidade às negociações, informou à AFP uma fonte próxima ao movimento palestino.
Uma autoridade americana garantiu que um acordo de cessar-fogo está "sobre a mesa" e que "a bola está no campo do Hamas".
N.Fournier--BTB