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Venezuela registra prisões antes de protestos e a 48 horas da posse de Maduro
A Venezuela está em alerta nesta quarta-feira (8) devido aos protestos convocados pela oposição e às denúncias sobre a prisão de líderes e ativistas, dois dias antes da posse do presidente Nicolás Maduro para um terceiro mandato consecutivo.
A oposição, liderada por María Corina Machado, acusa Maduro de "roubar" as eleições de 28 de julho e convocou manifestações para quinta-feira em todo o país a favor de Edmundo González Urrutia, que afirma ter vencido as eleições.
Maduro, por sua vez, anunciou a captura de "um alto funcionário do FBI" e de "um alto funcionário militar" americano entre um grupo de sete "mercenários" supostamente vinculados a um complô planejado por Washington, um inimigo recorrente.
Desde a noite de ontem as denúncias de detenções se sucedem, com pelo menos dez prisões.
Entre os capturados estão Carlos Correa, ativista renomado que se dedica à defesa da liberdade de expressão, e Enrique Márquez, um candidato opositor minoritário nas eleições presidenciais que contestou sem sucesso perante o Supremo Tribunal a confirmação que a própria corte fez da reeleição de Maduro. As autoridades não se pronunciaram sobre esses dois casos.
Além disso, González Urrutia denunciou anteriormente o "sequestro" de seu genro, Rafael Tudares, quando levava seus filhos para a escola.
No poder desde 2013, Maduro anunciou ontem a ativação de um "plano de defesa" com mobilização maciça de militares e policiais.
O centro de Caracas, onde fica o palácio presidencial e a maior parte das sedes do poder público, está tomado desde a semana passada por centenas de agentes de segurança fortemente armados.
- "Meu verdadeiro lado" -
A reeleição de Maduro – proclamado vencedor pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), acusado de servir ao governo chavista – é questionada pela oposição, que sustenta que González Urrutia venceu com mais de 70% dos votos.
Como prova, apresenta as atas emitidas pelas máquinas de votação, que González Urrutia levou em uma mala para o Panamá durante seu giro internacional, para que o país as custodie no cofre de seu Banco Nacional. Funcionários do chavismo alegam que esses documentos são "forjados".
"Essas atas são minha verdadeira faixa [presidencial]", disse o opositor em seu discurso durante uma cerimônia na Cidade do Panamá, onde assinou um documento de entrega junto ao chanceler Javier Martínez-Acha. Antes, foi recebido pelo presidente José Raúl Mulino.
Asilado na Espanha desde setembro, González Urrutia iniciou na semana passada uma viagem que o levou a Argentina, Uruguai e Estados Unidos, onde se reuniu com o presidente Joe Biden.
Após sua escala no Panamá, ele segue para a República Dominicana, onde considera pegar um avião para Caracas junto a um grupo de ex-presidentes latino-americanos que o apoiam, com a intenção de assumir o poder no lugar de Maduro. O governo venezuelano afirmou que os trataria como uma "força invasora".
O presidente colombiano Gustavo Petro descartou comparecer à cerimônia de posse e pediu a libertação dos detidos, enquanto o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, mostrou-se "profundamente preocupado" pelas "novas detenções arbitrárias".
- "Dia histórico" -
O Parlamento, controlado pelo chavismo, convocou Maduro a prestar juramento no dia 10 de janeiro ao meio-dia, e o governante de esquerda pediu a seus apoiadores que "saiam às ruas aos milhões".
Na clandestinidade após receber ameaças de prisão, Corina Machado prometeu liderar o protesto opositor em Caracas. Sua última aparição pública foi em 28 de agosto.
"Eu não perderia por nada nesse mundo esse dia histórico", disse ela na segunda-feira em entrevista à AFP.
A convocação da oposição aos protestos está condicionada pela dura repressão às manifestações que eclodiram após a proclamação da reeleição de Maduro pelas autoridades eleitorais, que deixou um saldo de 28 mortos, quase 200 feridos e mais de 2.400 detidos em apenas 48 horas. Três dos detidos morreram na prisão.
G.Schulte--BTB