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Fim do fact-checking causaria 'dano real' no mundo, alerta rede de checadores de fatos
O fim da regulação de conteúdos no Facebook e Instagram causaria um "dano real" no mundo, sobretudo em países vulneráveis à desinformação, alertou uma rede global de checadores de fatos, denunciando as declarações do CEO da Meta, Mark Zuckerberg, de que o fact-checking aumenta a censura.
Na terça-feira, a Meta anunciou a decisão de encerrar o seu programa de verificação de fatos nos Estados Unidos, uma decisão que também preocupa as Nações Unidas.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, afirmou nesta sexta-feira (10) que "autorizar os discursos de ódio e os conteúdos nocivos na internet tem consequências no mundo real. Regular estes conteúdos não é censura".
Türk fez um apelo à "responsabilidade e à governança do espaço digital, em linha com os direitos humanos".
- Vulneráveis à desinformação -
Embora a decisão da Meta se aplique atualmente apenas aos Estados Unidos, a rede internacional de checadores de fatos IFCN (International Fact-Checking Network) alertou sobre o impacto potencialmente devastador de um fim do programa de Zuckerberg, que está presente em mais de 100 países.
"Alguns destes países são muito vulneráveis à desinformação, que estimula a instabilidade política, a interferência eleitoral, a violência popular e até mesmo o genocídio", declarou a rede composta por 137 organizações, incluindo a AFP.
"Se a Meta decidir encerrar o programa em todo o mundo, é quase certo que causará danos reais em muitos lugares", acrescentou.
Ao anunciar sua decisão, Zuckerberg disse que os verificadores de fatos "foram excessivamente politizados e contribuíram para reduzir a confiança em vez de melhorá-la, especialmente nos Estados Unidos".
"Isto é falso e queremos restaurar a verdade, tanto para o contexto atual como para a História", rebateu o IFCN.
De acordo com o seu CEO, a Meta está tentando "restaurar a liberdade de expressão em suas plataformas" e substituirá a tarefa dos checadores por um sistema de notas da comunidade semelhante ao usado pela rede X.
A medida ocorre apenas duas semanas antes de o magnata republicano Donald Trump assumir novamente a presidência dos Estados Unidos.
Nos últimos anos, os republicanos, assim como Elon Musk, proprietário do X (antigo Twitter) e muito próximo de Trump, criticaram os programas de verificação de fatos por considerá-los uma forma de "censura".
Após ter excluído a conta de Trump no Facebook em 2021, devido à invasão ao Capitólio, sede do Congresso, por parte de uma multidão de seus apoiadores, Zuckerberg fez repetidos gestos de aproximação com o presidente eleito: jantou com ele em novembro, doou um milhão de dólares (cerca de R$ 6 milhões na cotação atual) para sua cerimônia de posse em 20 de janeiro e nomeou vários de seus aliados para posições-chave no grupo.
A Agence France-Presse (AFP) trabalha com o programa de verificação de conteúdo do Facebook em 26 idiomas. A plataforma paga para usar as verificações de cerca de 80 organizações de todo o mundo em sua rede, assim como no Whatsapp e no Instagram.
J.Bergmann--BTB