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Israel proíbe atividades da agência da ONU para refugiados palestinos
Israel cortou relações com a agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA) nesta quinta-feira (30), após acusá-la de acobertar combatentes do Hamas no ataque de 7 de outubro de 2023 que deu início à guerra em Gaza.
Após mais de 75 anos prestando apoio aos refugiados palestinos no Oriente Médio, a UNRWA não poderá mais operar em Israel nem manter contato com as autoridades israelenses.
A decisão, apoiada pelos Estados Unidos, mas que, segundo a ONU, coloca em risco o "futuro dos palestinos", ameaça colocar em perigo serviços essenciais fornecidos pela agência após 15 meses de guerra em Gaza.
A decisão entrou em vigor um dia após a Suprema Corte de Israel rejeitar um pedido de suspensão das leis aprovadas em outubro para encerrar as atividades da agência.
Segundo o tribunal, as leis se aplicam apenas "no território soberano de Israel" e "não proíbem (a atividade da UNRWA) nas regiões da Judeia-Samaria (Cisjordânia ocupada) e na Faixa de Gaza".
A lei estipula que o trabalho da agência deve ser realizado sem a participação do Estado de Israel.
Após a entrada em vigor da lei, o governo norueguês anunciou, nesta quinta-feira, que pagaria 24 milhões de dólares (141 milhões de reais) em ajuda à UNRWA.
"Gaza está em ruínas e a ajuda da UNRWA é mais necessária do que nunca", disse o chefe da diplomacia da Noruega, Espen Barth Eide.
A Turquia, por sua vez, denunciou "uma flagrante violação do direito internacional" por parte de Israel e disse que isso marca "uma nova etapa nas políticas de ocupação e anexação de Israel, que visam expulsar à força os palestinos de suas terras".
A agência entrou em conflito repetidamente com autoridades israelenses, que a acusam de minar a segurança do país.
A hostilidade se intensificou após o ataque do movimento islamista palestino Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, com acusações de que funcionários da UNRWA estavam envolvidos na ação.
- Direito internacional -
A agência foi criada em dezembro de 1949 para apoiar refugiados palestinos forçados ao exílio após a criação de Israel em 1948.
Ela fornece serviços públicos, como saúde e educação, a quase seis milhões de palestinos na Faixa de Gaza, na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, além de Líbano, Síria e Jordânia.
A situação é especial em Jerusalém Oriental. Por um lado, o embaixador israelense na ONU, Danny Danon, exigiu que a UNRWA desocupasse "todos os edifícios que utiliza até 30 de janeiro".
Mas no campo de refugiados de Shuafat, também em Jerusalém Oriental, a UNRWA não cessará suas atividades.
Jerusalém Oriental está ocupada e anexada por Israel desde 1967, embora não seja reconhecida como território israelense.
"É isso que o Estado de Israel tem feito desde sua existência (...), colonizado na esperança de tornar essas injustiças irreversíveis e tornar os direitos palestinos negociáveis", disse Ines Abdel Razek, do Instituto Palestino para a Diplomacia Pública.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que lamenta a decisão e pediu que Israel recue, afirmado que a agência é "insubstituível".
Para o governo israelense, a proibição da agência é uma vitória política.
"A UNRWA está cheia de membros do Hamas, não apenas os 19 que a UNRWA está investigando (...) mas também centenas de funcionários", disse o porta-voz do governo David Mencer na quarta-feira.
No final de janeiro de 2024, Israel acusou 12 funcionários da UNRWA de envolvimento no ataque de 7 de outubro, provocando uma tempestade dentro da agência. Mais tarde, outros sete nomes foram acrescentados à acusação.
A denúncia levou vários doadores a suspender o financiamento da agência. Uma investigação da ONU em agosto descobriu que apenas nove membros da equipe "podem estar envolvidos".
E.Schubert--BTB