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Trump rompe negociações comerciais com o Canadá
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quinta-feira (23) que decidiu cancelar as negociações comerciais com o Canadá depois de acusar as autoridades do país vizinho de manipular um discurso do ex-presidente Ronald Reagan em uma campanha publicitária contra as tarifas.
A medida representa uma mudança repentina de postura após uma reunião cordial em 7 de outubro na Casa Branca com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney.
Em sua plataforma Truth Social, Trump expressou irritação com que chamou de anúncio "falso" que, segundo ele, cita de maneira equivocada o ex-presidente americano Reagan falando sobre política tarifária.
Trump afirmou que o anúncio, produzido pela província canadense de Ontário e que deve ser exibido em canais de televisão americanos, pretende "interferir na decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos". O tribunal deve se pronunciar sobre as tarifas globais decretadas pelo presidente republicano.
"Com base no comportamento atroz deles, TODAS AS NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS COM O CANADÁ ESTÃO ENCERRADAS", escreveu na Truth Social.
O governo do Canadá não reagiu de maneira imediata, mas Carney destacou em um discurso sobre o orçamento na quarta-feira que a nova política comercial de Washington exigia uma reforma da estratégia econômica do país.
As tarifas setoriais de Trump, em particular sobre o aço, alumínio e automóveis, afetaram consideravelmente o Canadá.
Contudo, até o momento, os dois países seguem integrando o T-MEC, o tratado comercial entre México, Estados Unidos e Canadá, que garante que quase 85% do comércio transfronteiriço nas duas direções permaneça livre de tarifas.
- "Ruptura" -
"A Fundação Ronald Reagan acaba de anunciar que o Canadá usou fraudulentamente um anúncio, que é FALSO, com Ronald Reagan falando negativamente sobre tarifas", destacou Trump.
A fundação escreveu na rede social X que o governo de Ontário utilizou um "áudio e vídeo seletivo" de um discurso de rádio sobre comércio que Reagan fez em 1987.
O anúncio "deturpa" o que o ex-presidente republicano disse, destaca a fundação, que estava "revisando suas opções legais".
A campanha utilizou trechos do discurso de Reagan, no qual ele alertava sobre algumas consequências que tarifas elevadas sobre importações estrangeiras poderiam ter para a economia dos Estados Unidos.
No trecho é possível ouvir Reagan dizendo que "tarifas elevadas inevitavelmente levam à retaliação por parte de países estrangeiros e ao desencadeamento de intensas guerras comerciais", uma citação que corresponde à transcrição de seu discurso publicada no site da Biblioteca Presidencial Ronald Reagan.
A mudança nas relações entre os vizinhos da América do Norte acontece apenas duas semanas após uma reunião entre Carney e Trump na Casa Branca para buscar uma redução das tarifas de Washington. O encontro terminou sem acordos.
A decisão repentina de romper as negociações também representa um golpe para Carney, a quem Trump descreveu como um "líder de categoria mundial" após o encontro.
Em seu discurso de quarta-feira, antes da apresentação do orçamento federal para 2025 no próximo mês, Carney afirmou que os Estados Unidos elevaram "suas tarifas a níveis que não eram vistos desde a Grande Depressão".
"A escala e a velocidade dos acontecimentos não representam uma transição suave, e sim uma ruptura. Significam que nossa estratégia econômica deve mudar drasticamente", acrescentou Carney.
O processo "exigirá alguns sacrifícios e levará tempo", alertou.
Trump e o primeiro-ministro canadense devem participar de reuniões nos próximos dias, como o encontro de cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), na Malásia, e o Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) na Coreia do Sul.
O Canadá é um importante fornecedor de aço e alumínio para as empresas americanas.
C.Meier--BTB