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Fechamento do governo privará milhões de americanos de ajuda alimentar
Os Estados Unidos alcançarão, à meia-noite desta sexta-feira (31), o marco simbólico de um mês de paralisação do governo federal, o que, na prática, interromperá um programa público de assistência alimentar do qual dependem milhões de habitantes do país.
Após mais de quatro semanas de paralisação, que deixou milhares de funcionários federais sem trabalho, interrompeu o tráfego aéreo e fechou vários parques nacionais, os efeitos do bloqueio começarão a se estender no sábado para setores mais amplos.
"A maioria das pessoas não percebeu nada até esta semana", declarou o congressista republicano Tom Emmer à Fox News na quinta-feira.
"Graças ao [presidente] Donald Trump, que encontrou uma maneira de pagar nossas tropas este mês, o sofrimento foi adiado", disse ele, sem mencionar, no entanto, mais de um milhão de funcionários federais que não estão recebendo seus salários.
"A partir desta semana, as coisas começam a se tornar muito reais", admitiu Emmer.
A partir de sábado, o governo federal suspenderá os pagamentos ao programa de assistência alimentar Snap, que apoia mais de 42 milhões de americanos, segundo dados oficiais.
A secretária de Agricultura, Brooke Rollins, declarou que o programa está ficando sem fundos após um mês de paralisação do governo.
Mais de vinte estados liderados por democratas processaram a administração Trump para obrigar o governo a usar fundos de emergência e continuar financiando o Snap.
Espera-se que um juiz federal se pronuncie sobre o assunto nesta sexta-feira.
- Subsídios -
No sábado, também serão publicados os novos custos do seguro de saúde para mais de 24 milhões de pessoas cobertas pelo programa federal "Obamacare".
Devido ao fato de que os subsídios públicos para este programa expirarão no final do ano, é provável que seus custos disparem, destacou o KFF, um centro de estudos especializado em saúde.
Uma pessoa que pagava um custo médio de 888 dólares (4.780 reais) em 2025 teria que pagar 1.906 (10.260 reais) no próximo ano, segundo o KFF.
De acordo com o Escritório de Orçamento do Congresso, quatro milhões de americanos poderiam perder toda a sua cobertura.
A questão desses subsídios é o núcleo do confronto no Congresso entre republicanos e democratas, que não conseguem chegar a um acordo para a aprovação de um novo orçamento.
O partido de Trump propõe estender o orçamento atual, mantendo os mesmos níveis de gastos, enquanto a oposição democrata exige uma extensão dos subsídios para o Obamacare.
No Senado, embora os republicanos tenham a maioria, são necessários vários votos democratas para aprovar um orçamento.
Mas desde 1º de outubro, ambas as partes têm se mantido inflexíveis e as negociações são praticamente inexistentes.
A maioria das pesquisas até o momento indica que os americanos culpam principalmente o partido do presidente por esta paralisação do governo.
Uma pesquisa de opinião realizada pela ABC e pelo The Washington Post e publicada na quinta-feira indica que 45% dos entrevistados culpam principalmente Donald Trump e os legisladores republicanos pelo impasse, em comparação com 33% que responsabilizam os congressistas democratas.
— "Ridículo" -
No entanto, entre os republicanos, há esperança de que os próximos prazos para o Snap e o Obamacare obriguem senadores democratas suficientes a ceder e, assim, pôr fim à crise.
Enquanto isso, embora os salários militares tenham sido pagos em outubro, apesar da paralisação do governo, devido a uma decisão de Donald Trump, não está claro se será possível fazer o mesmo em novembro.
Os mais de 1,3 milhão de americanos que servem nas forças armadas poderiam então se juntar aos 1,4 milhão de funcionários federais cujos salários já estão congelados há um mês.
Sem uma mudança de postura por parte dos democratas, a solução poderia vir da intervenção de Trump, que até agora tem se mantido à margem dos debates.
Na quinta-feira, o presidente instou os senadores republicanos a eliminar a regra que exige um limite de 60 votos para aprovar um projeto de lei orçamentária, o que eliminaria a necessidade dos votos democratas.
"Estamos no poder, e se fizéssemos o que devemos fazer, esta 'paralisação' ridícula que está destruindo o país terminaria imediatamente", declarou o mandatário em sua plataforma Truth Social.
Prevê-se, no entanto, que essa iniciativa encontre resistência entre os próprios líderes da bancada republicana no Senado, muito apegados à regra vigente.
H.Seidel--BTB