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EUA afirma que plano para acabar com invasão russa da Ucrânia é bom para ambos
Os Estados Unidos insistiram, nesta quinta-feira (20), em que o plano para acabar com a guerra entre Rússia e Ucrânia, apoiado pelo presidente Donald Trump, é benéfico para ambas as partes, ao desconsiderar as preocupações de que o projeto acolhe muitas exigências de Moscou.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, revelou que o enviado especial americano Steve Witkoff e o secretário de Estado Marco Rubio tinham trabalhado "discretamente" no projeto durante um mês.
"Está em processo de negociação e ainda está em revisão, mas o presidente apoia este plano. É um bom plano tanto para a Rússia quanto para a Ucrânia, e acreditamos que deveria ser aceitável para ambas as partes", declarou.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, se reuniu em Kiev com uma delegação do Pentágono liderada pelo secretário do Exército dos Estados Unidos, Daniel Driscoll.
Após o encontro, destacou que qualquer acordo para pôr fim à invasão russa de fevereiro de 2022 deveria trazer "uma paz digna" que respeite "nossa independência, nossa soberania e a dignidade do povo ucraniano".
O gabinete de Zelensky afirmou que esperava discutir o conteúdo do plano com Trump nos próximos dias.
No terreno, a Rússia reivindicou a tomada de Kupyansk na frente oriental da Ucrânia. O Exército de Kiev, por sua vez, negou ter perdido essa localidade-chave, que já tinha perdido para Moscou em 2022, e que depois recuperou.
A seguir, o que se sabe sobre a proposta apoiada por Trump.
- Território -
Uma fonte familiarizada com assunto compartilhou com a AFP alguns aspectos do plano que supostamente, tem 28 pontos. Ao que parece, contém demandas importantes da Rússia que a Ucrânia já rejeitou no passado e equiparou a uma capitulação. Ao mesmo tempo, não deixa claro quais compromissos a Rússia assumiria em troca.
O plano, de acordo com a fonte, estabelece o "reconhecimento da Crimeia e de outras regiões que os russos tomaram".
Em 2022, o Kremlin reivindicou a anexação de quatro regiões administrativas da Ucrânia -- Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson --, embora não as controle na totalidade.
A Rússia também anexou a península da Crimeia em 2014, um território que está sob domínio absoluto de Moscou.
A Rússia havia exigido anteriormente que a Ucrânia se retirasse completamente de Donetsk e Luhansk, no leste, em troca de congelar a linha de frente nas regiões de Zaporizhzhia e Kherson, situadas mais ao sul.
Apesar de as autoridades ucranianas terem afirmado diversas vezes que nunca reconheceriam o controle russo sobre seu território, admitiram que poderiam ser forçadas a isso.
- Tropas e armamento -
O plano também inclui uma redução do Exército ucraniano para 400.000 efetivos, inferior à metade de seu tamanho atual, disse a fonte.
Além disso, Kiev deveria renunciar a seu armamento de longo alcance.
Outros meios informaram que estaria completamente proibido o destacamento de tropas ocidentais na Ucrânia.
Essas condições encaixam com as demandas russas, que incluem reduzir as forças armadas ucranianas, proibir novos recrutamentos e paralisar o envio de armas ocidentais.
A Ucrânia quer garantias de segurança dos países ocidentais, entre elas uma força de paz europeia, para prevenir novos ataques russos. A proposta supostamente inclui disposições desse tipo.
- De quem é o plano? -
"Parece que os russos propuseram isto aos americanos e eles aceitaram", afirmou o alto funcionário à AFP.
"Um matiz importante é que não entendemos se isso é uma coisa de Trump" ou de "seu entorno", acrescentou.
O responsável pela diplomacia americana, Marco Rubio, afirmou que "uma paz duradoura vai requerer que ambas as partes aceitem concessões difíceis, mas necessárias".
Desde que voltou à Casa Branca, a postura do presidente americano sobre a guerra na Ucrânia tem oscilado drasticamente.
- Impulso à diplomacia? -
A Ucrânia confirmou na quinta-feira que recebeu o plano e disse que, segundo a análise de Estados Unidos, "poderia dar novo impulso à diplomacia".
A Presidência ucraniana também disse que o país estava pronto para trabalhar sobre o seu conteúdo.
O Kremlin não quis fazer comentários ao ser questionado a respeito.
C.Kovalenko--BTB