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Leão XIV visita Turquia e Líbano em sua primeira viagem ao exterior
O papa Leão XIV inicia na quinta-feira (27) sua primeira viagem ao exterior, que o levará ao berço do cristianismo com uma visita à Turquia, onde celebrará um aniversário religioso imporatente, e outra ao Líbano, país que enfrenta uma grave crise.
A viagem de seis dias (27 de novembro a 2 de dezembro) representa o primeiro teste internacional para o bispo de Roma, seis meses após ter sido eleito para liderar a Igreja Católica.
O estilo discreto do pontífice americano-peruano contrasta com o de seu carismático antecessor, o argentino Francisco.
Durante sua primeira viagem fora da Itália, o pontífice deve enfatizar o diálogo inter-religioso e os apelos à paz, perto de um Oriente Médio marcado por conflitos e cada vez mais ignorado pelos cristãos.
Robert Francis Prevost estará na Turquia para celebrar os 1.700 anos do Concílio de Niceia, onde foi redigido o Credo, fundamento da fé cristã. Uma comemoração rica em símbolos, que pretende recordar que a unidade dos cristãos ainda é possível.
A visita de Leão XIV à Turquia, país de maioria sunita onde os cristãos representam apenas 0,1% da população, de 86 milhões de habitantes, não causou grande alvoroço.
Por sua vez, no multiconfessional Líbano a visita é aguardada com fervor.
O país, que durante muito tempo foi considerado um modelo de convivência, enfrenta desde 2019 uma crise devastadora que afeta todos os estratos da população: uma moeda extremamente desvalorizada, empobrecimento generalizado, deficiências nos serviços públicos, a explosão do porto de Beirute em 2020 e a guerra com Israel.
"Os libaneses estão cansados", disse à AFP Vincent Gelot, diretor do escritório para Líbano e Síria da Obra do Oriente, uma associação católica que ajuda os cristãos do Oriente. "Eles esperam uma palavra de verdade dirigida às elites libanesas e ações fortes e concretas", acrescentou.
- 'Esperanças frustradas' -
O país se prepara para a visita do papa com a reforma de estradas que exibem cartazes com a imagem do pontífice. "O Líbano quer a paz", afirmam alguns deles.
Uma paz que está muito distante: apesar do cessar-fogo assinado com o movimento islamista libanês Hezbollah, Israel continua bombardeando o país.
Em meio a um "ciclo infernal de guerras e sofrimento, esperanças frustradas e incertezas sobre o futuro", os libaneses "sabem muito bem que (a visita) não resolverá todos os seus problemas", admite Vincent Gelot.
A viagem, no entanto, poderia servir para destacar o trabalho de organizações privadas, com frequência religiosas, que facilitam o acesso dos cidadãos à educação ou à saúde, apontou.
Em um relatório publicado na semana passada, a Obra do Oriente avaliou em 150 milhões de dólares (810 milhões de reais) o valor dos pagamentos em atraso do Estado libanês a mais de 250 associações e organizações de caridade.
O papa se reunirá com grupos de jovens, celebrará uma missa ao ar livre para 100.000 pessoas e fará uma oração silenciosa no local da explosão no porto, que deixou mais de 220 mortos e destruiu grande parte da capital libanesa.
- Diálogo com os ortodoxos -
Na Turquia, área estratégica entre o Oriente e o Ocidente, Leão XIV também poderá afirmar sua visão de diálogo com o islã.
Na quinta-feira, ele se reunirá com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, em Ancara, e no sábado visitará a Mesquita Azul de Istambul.
Mas o tema predominante da visita será a unidade dos cristãos. O papa foi convidado pelo patriarca Bartolomeu I, primaz da Igreja Ortodoxa de Constantinopla, por ocasião do aniversário do Concílio de Niceia.
No ano 325, o primeiro concílio ecumênico, considerado um momento fundacional do cristianismo, reuniu quase 300 bispos do Império Romano e estabeleceu várias bases doutrinárias, incluindo o Credo de Niceia, uma declaração que ainda é utilizada.
Às margens do lago de Iznik, nome atual de Niceia, na província de Bursa, Leão XIV se reunirá na sexta-feira com líderes de várias Igrejas Ortodoxas e participará de uma oração ecumênica.
Internamente, "Leão XIV tenta ajustar as divisões que atravessam o espaço católico. E externamente, manifesta sua preocupação com a unidade dos cristãos", explicou à AFP François Mabille, diretor do Observatório Geopolítico da Religião.
Enquanto os católicos reconhecem a autoridade universal do papa como chefe da Igreja, os ortodoxos se organizam em Igrejas autocéfalas.
Atualmente, o mundo ortodoxo parece mais fragmentado do que nunca: a guerra na Ucrânia acelerou a ruptura entre os patriarcados de Moscou e de Constantinopla. O patriarca russo Cirilo, um firme apoiador do presidente Vladimir Putin, não foi convidado a Iznik.
O último papa que visitou o Líbano foi Bento XVI, em 2012. A última visita papal à Turquia ocorreu em 2014, com uma viagem de Francisco.
O.Lorenz--BTB