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FBI investiga ataque a tiros em Washington como ato terrorista
O FBI anunciou nesta quinta-feira (27) o início de uma investigação por terrorismo após o que as autoridades descreveram como "emboscada" de um homem armado contra dois soldados da Guarda Nacional perto da Casa Branca.
Os jovens militares baleados permanecem em estado grave, enquanto os Estados Unidos estão chocados em um dia que normalmente é tranquilo e familiar devido ao feriado de Ação de Graças.
As autoridades identificaram o atirador como Rahmanullah Lakanwal, um afegão de 29 anos que trabalhou com as forças americanas em seu país durante a guerra contra os talibãs e se estabeleceu nos Estados Unidos em 2021, quando Washington retirou suas tropas do Afeganistão.
O presidente americano, Donald Trump, publicou um vídeo nesta quinta-feira no qual classificou o ataque como um "ato de maldade" e criticou os imigrantes, aos quais retratou como uma ameaça existencial à segurança nacional dos Estados Unidos.
O presidente ordenou a suspensão do processamento de solicitações de imigração de afegãos.
"Devemos tomar todas as medidas necessárias para assegurar a expulsão de qualquer estrangeiro de qualquer país que não pertença aqui ou que não traga benefícios ao nosso país. Se não podem amar o nosso país, não os queremos", disse Trump.
A procuradora federal para o Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, informou que Lakanwal, de 29 anos, morava no estado de Washington, na costa oeste do país, e que chegou de carro ao local do ataque.
Ele enfrenta acusações de tentativa de homicídio, e, se algum dos militares feridos não resistir, será acusado de homicídio em primeiro grau (quando há intenção e premeditação), afirmou.
"Ele escolheu o alvo errado, a cidade errada e o país errado", disse Pirro.
- Investigação por terrorismo -
A procuradora explicou que Lakanwal abriu fogo com um revólver Smith & Wesson calibre .357 contra um grupo de guardas nacionais que patrulhavam quarteirões nas proximidades da Casa Branca.
As autoridades ainda não possuem indícios da motivação do ataque.
O diretor da CIA, John Ratcliffe, afirmou que o suspeito fazia parte de um comando apoiado por Washington que lutou contra os talibãs no Afeganistão.
Ratcliffe acrescentou que o suspeito chegou aos Estados Unidos por meio de um programa de realocação de afegãos que colaboraram com a CIA.
O diretor do FBI, Kash Patel, disse nesta quinta-feira que as autoridades estão investigando qualquer possível cúmplice que o suspeito possa ter, seja em seu país de origem ou nos EUA.
"É assim que se parece uma ampla investigação sobre terrorismo internacional", disse Patel, sem dar detalhes sobre qual poderia ser o motivo exato do ato terrorista.
Os soldados estavam destacados em Washington como parte do controverso dispositivo militar ordenado por Trump em cidades governadas por democratas para combater o que ele considera uma criminalidade violenta e desenfreada.
O secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou a mobilização de 500 soldados adicionais em Washington, o que elevará para mais de 2.500 o número de agentes da Guarda Nacional destacados na cidade.
Na semana passada, um juiz federal ordenou a suspensão temporária desta mobilização.
- Afeganistão -
Os chefes de FBI, CIA e do Departamento de Segurança Interna, além de outros funcionários de alto escalão nomeados por Trump, insistiram que Lakanwal chegou aos Estados Unidos sem supervisão devido às políticas de asilo frouxas após a retirada militar do Afeganistão ordenada pelo ex-presidente Joe Biden.
AfghanEvac, uma ONG que ajudou a reassentar afegãos nos Estados Unidos, afirmou que estes passam por "alguns dos processos de verificação de segurança mais rigorosos" do mundo.
Lakanwal solicitou asilo nos Estados Unidos durante o mandato de Biden, mas seu pedido foi aprovado com Trump na Casa Branca, segundo o grupo.
"O ato isolado e violento deste indivíduo não deve ser utilizado como desculpa para definir ou menosprezar toda uma comunidade", disse o presidente do grupo, Shawn VanDiver.
P.Anderson--BTB