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EUA otimista sobre acordo para Ucrânia enquanto enviado de Trump viaja à Rússia
A Casa Branca se declarou nesta segunda-feira (1º) "muito otimista" sobre as possibilidades de alcançar um acordo para pôr fim à guerra na Ucrânia, enquanto o enviado do presidente americano, Donald Trump, se dirigia a Moscou.
Steve Witkoff, sócio comercial de Trump e agora emissário itinerante, se reunirá na terça-feira com o presidente russo, Vladimir Putin.
"Eu penso que o governo está muito otimista", declarou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, acrescentando que Trump e sua equipe "têm trabalhado arduamente nisso e todos desejam sinceramente que esta guerra termine".
Mais de três anos após a invasão russa à Ucrânia que deu início à guerra, Moscou reivindicou nesta segunda-feira a tomada de uma cidade crucial do leste ucraniano. Isso aumenta a pressão sobre Kiev em meio às negociações de um plano impulsionado pelos Estados Unidos para terminar o conflito.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, busca o apoio de seus aliados europeus, que temem que o plano de Trump, elaborado sem a participação de Kiev nem da Europa, pareça apenas uma lista de desejos para Moscou.
O negociador ucraniano Rustem Umerov afirmou, no entanto, que foram alcançados "avanços significativos" nas conversas com Witkoff e outros funcionários americanos no fim de semana na Flórida, embora alguns temas ainda exijam "ajustes".
- Apoio de Macron -
Após receber nesta segunda-feira um firme apoio do presidente francês, Emmanuel Macron, Zelensky prevê receber informações de Umerov pessoalmente na Irlanda.
Zelensky viajou a Paris depois que as forças russas realizaram em novembro seu maior avanço na frente da Ucrânia em um ano, segundo análise da AFP baseada em dados fornecidos pelo Instituto para o Estudo da Guerra (ISW).
A situação em Kiev se complicou ainda mais devido a um escândalo de corrupção que abala o círculo íntimo de Zelensky e forçou a destituição na semana passada de seu principal negociador e chefe de gabinete, Andriy Yermak. Trump disse no domingo que isso enfraquecia a posição de Kiev.
"Esperamos uma conversa com o presidente dos Estados Unidos sobre temas-chave que são bastante complexos", declarou Zelensky em Paris.
Macron afirmou que o momento atual "poderia ser decisivo para o futuro da paz na Ucrânia e para a segurança na Europa".
Zelensky insistiu que a Rússia não deve receber nenhuma concessão que "possa ser considerada uma recompensa". "O agressor deve pagar pela agressão", afirmou.
Zelensky e Macron conversaram por telefone com Witkoff e Umerov na Flórida, segundo informou o Palácio do Eliseu.
Os europeus se oporão a uma "paz ditada" à Ucrânia, assegurou o chanceler alemão, Friedrich Merz, que também conversou à distância com Zelensky e Macron, assim como seus pares do Reino Unido, Polônia e Itália, e os líderes da UE e da Otan, entre outros.
A intensa troca de informações continuou com uma ligação entre Macron e Trump mais tarde na segunda-feira, na qual discutiram os "próximos passos nos esforços de mediação" e o presidente francês "enfatizou particularmente a importância crucial das garantias de segurança necessárias para a Ucrânia", segundo o Eliseu.
- Maior avanço em um ano -
A proposta inicial de Washington de 28 pontos para deter a guerra implicava a retirada de Kiev do território que ainda controla na região administrativa oriental de Donetsk e o reconhecimento de fato por parte dos Estados Unidos das regiões de Donetsk, Crimeia e Lugansk como território russo.
Após conversas em Genebra, os Estados Unidos emendaram o plano original, mas seu conteúdo continua incerto.
A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, expressou seu temor de que "toda a pressão recaia sobre o lado mais fraco, porque a rendição da Ucrânia é a forma mais fácil de pôr fim a esta guerra".
Macron enfatizou que "não existe um plano definitivo sobre as questões territoriais" e disse que apenas Zelensky pode concretizá-lo. Também elogiou as novas sanções dos Estados Unidos à indústria energética russa como um "ponto de inflexão".
O impulso diplomático ocorre em um momento em que a guerra, que já matou dezenas de milhares de civis e militares e deslocou milhões de ucranianos, não mostra sinais de ceder.
A Rússia afirmou nesta segunda-feira ter capturado o centro logístico de Pokrovsk. Além disso, pelo menos quatro pessoas morreram e outras 22 ficaram feridas em um ataque com mísseis russos contra Dnipro, segundo autoridades ucranianas.
Em um mês, a Rússia se apoderou de 701 km² da Ucrânia, o segundo maior avanço depois de novembro de 2024 (725 km²), excluindo os primeiros meses da guerra em 2022, quando a frente era muito móvel, segundo análise de dados do ISW.
M.Ouellet--BTB