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Honduras sob pressão de Trump para declarar vencedor das presidenciais
A autoridade eleitoral de Honduras, pressionada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assegurou nesta terça-feira (2) que os resultados das eleições presidenciais em Honduras serão respeitados "escrupulosamente", onde os candidatos de direita Nasry Asfura e Salvador Nasralla estão em um empate técnico.
Trump desempenha um papel ativo nas eleições realizadas no domingo e advertiu que cortará a cooperação com o empobrecido país latino-americano caso Asfura, empresário e ex-prefeito de 67 anos do Partido Nacional (PN), não vença.
"Parece que Honduras está tentando mudar os resultados de sua eleição presidencial. Se o fizerem, haverá consequências graves!", alertou na segunda-feira em sua plataforma Truth Social, diante da lentidão na divulgação dos resultados.
Trump instou o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) a concluir a apuração, que mostra Asfura com uma vantagem de apenas 515 votos sobre Nasralla, candidato do Partido Liberal, após a contagem digital de 57% das atas.
Em um comunicado publicado no X, o CNE assegurou nesta terça-feira que houve "problemas técnicos" na divulgação dos resultados, mas afirmou que estão sendo resolvidos para continuar o processo o mais rápido possível e proclamar o vencedor no prazo legal de no máximo um mês após a votação.
"A declaração dos resultados respeitará de maneira escrupulosa a vontade popular expressa" nas urnas, afirmou o órgão eleitoral.
Asfura, conhecido como "Tito" ou "Papi", obtém 39,91% dos votos contra 39,89% de Nasralla, e é admirador dos presidentes da Argentina, Javier Milei, e de El Salvador, Nayib Bukele.
As eleições representaram um castigo à esquerda liderada pela presidente Xiomara Castro, que governa um dos países mais violentos da América Latina, assolado pelo narcotráfico e pela corrupção. Sua candidata, Rixi Moncada, ficou mais de 20 pontos percentuais atrás.
À espera de mais dados da apuração, Asfura afirmou que os "números falarão por si mesmos" e Nasralla que só poderia perder se houvesse "trapaça".
Trump chama Nasralla, apresentador de televisão de 72 anos, de "quase comunista" por ter ocupado um alto cargo no governo de Castro, com quem depois rompeu.
- "JOH" sai da prisão -
A intervenção da Casa Branca foi mais longe. O ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, condenado nos Estados Unidos a 45 anos de prisão pelo envio de centenas de toneladas de drogas, saiu da prisão na segunda-feira indultado por Trump, revelou nesta terça-feira a família.
Segundo a Justiça americana, "JOH", como é popularmente conhecido pelas iniciais de seu nome, governou de 2014 a 2022 com o partido de Asfura, e foi acusado de transformar Honduras em um "narco-Estado".
Trump, no entanto, considera que ele foi vítima de uma "armação" de seu antecessor, Joe Biden.
Seu indulto vai na contramão de sua ofensiva antidrogas mortal no Caribe, como parte de sua pressão sobre o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, aliado de Xiomara Castro.
"Isso indigna porque se supõe que as leis dos Estados Unidos devem ser corretas e fortes. A decisão deveria ser de um juiz, não de Trump", declarou à AFP Nicolle Zepeda, farmacêutica de 31 anos, no parque central de Tegucigalpa.
- Venezuela nas eleições -
Castro chegou ao poder em 2021, mais de uma década após o golpe de Estado contra seu marido, Manuel Zelaya, após se aproximar da Venezuela e de Cuba, o que originou uma polarização inédita entre esquerda e direita.
Asfura e Nasralla basearam sua campanha na ideia de que a permanência da esquerda transformaria Honduras na nova Venezuela, mergulhada em uma profunda crise, e mostraram-se dispostos a se aproximar de Taiwan, em detrimento da relação com a China.
Asfura busca a presidência pela segunda vez após perder em 2021 para Castro, e Nasralla pela terceira vez.
Em um país com 60% dos seus 11 milhões de habitantes vivendo na pobreza e com um longo histórico de fraudes e dívidas sociais, os políticos carregam o desprestígio.
Quase 6,5 milhões de hondurenhos estão aptos a votar para definir o sucessor de Castro, assim como deputados e prefeitos para um mandato de quatro anos.
Após uma campanha com denúncias antecipadas de fraude, a jornada transcorreu em calma, segundo a missão de observadores da OEA.
B.Shevchenko--BTB