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EUA liberta imigrante salvadorenho após meses de batalha judicial
As autoridades migratórias americanas deixaram em liberdade vigiada nesta quinta-feira (11) um salvadorenho em situação irregular, Kilmar Ábrego García. Ele havia sido deportado por engano em março e posteriormente devolvido aos Estados Unidos, em uma batalha judicial que ainda continua nos tribunais.
Ábrego García, que o governo de Donald Trump prometeu "expulsar de qualquer maneira", tornou-se um símbolo para quem considera excessiva a política de deportações em massa do presidente americano.
Uma juíza federal de Maryland determinou nesta quinta-feira a libertação "imediata" de Ábrego García, que é casado com uma americana, mas não tem residência legal no país desde que chegou com 16 anos, em 2012.
Ábrego García "foi liberado", informou seu advogado, Simon Sandoval-Moshenberg, em e-mail à AFP.
- 'Sem justificativa legal' -
Segundo a juíza, o imigrante estava detido "sem justificativa legal". Ela classificou o caso como "extraordinário".
O salvadorenho deixou a detenção com tornozeleira eletrônica, e a decisão ainda pode ser novamente contestada pelo governo.
A subsecretária do Departamento de Segurança Interna, Tricia McLaughlin, reagiu no X afirmando que "essa decisão não tem qualquer base jurídica" e acusou a magistrada de "ativismo judicial".
Ábrego García representa, em parte, o percurso de muitos imigrantes em situação irregular que acabam enredados na complexa política migratória americana.
Ele chegou ao país ainda menor de idade, supostamente fugindo da violência em El Salvador.
Em 2019, uma abordagem policial de rotina em Maryland revelou sua situação irregular.
Entregue ao serviço de imigração (ICE, na sigla em inglês), iniciou-se o processo de deportação.
Diante do juiz, pediu clemência e obteve um status de proteção temporária enquanto o mérito do caso era analisado.
No ano seguinte, sua esposa o denunciou por agressão doméstica, algo que voltaria a ocorrer em maio de 2021. O casal tem um filho.
Mais tarde, a própria esposa, Jennifer Vásquez, passou a defendê-lo.
Durante a campanha de 2024, Trump prometeu deportar "milhões" de imigrantes irregulares, repetindo que eram "bandidos" vindos de "prisões e instituições psiquiátricas".
Já no poder, o governo iniciou a maior operação de detenções e deportações da história do país.
Em março deste ano, Ábrego, que estava no carro com o filho, foi detido por agentes do ICE e deportado três dias depois, junto com mais de 250 homens, para El Salvador.
No país de origem, ele foi levado para a megaprisão conhecida como Cecot. A Justiça americana, porém, havia garantido que, mesmo se viesse a ser deportado, ele teria o direito de solicitar que não fosse enviado a seu país de origem.
Após a visita de um legislador democrata e a mobilização de organizações de defesa dos migrantes, Ábrego García acabou retornando aos Estados Unidos.
As autoridades migratórias abriram imediatamente um novo processo contra ele, por suposto tráfico de pessoas no Tennessee. O caso segue em andamento.
Em uma das raras aparições diante das câmeras, o salvadorenho murmurou que se tratava de "um governo corrupto".
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, respondeu nesta quinta-feira afirmando que "está comprovado que ele é um traficante de seres humanos. Está comprovado que é membro de uma gangue".
O governo Trump cogitou enviá-lo a um terceiro país, como Libéria, Gana ou Uganda, mas Ábrego García rejeitou todas essas alternativas.
A Costa Rica manifestou disponibilidade para conceder status de refugiado ao salvadorenho.
M.Ouellet--BTB