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Argentino candidato a secretário-geral da ONU diz que reforma da organização é necessária
O postulante da Argentina ao cargo de secretário-geral da ONU, Rafael Grossi, pediu que as Nações Unidas sejam "menos declarativas e mais ativas" e disse que é necessária uma "reforma consensuada" da organização, na apresentação de sua candidatura em Buenos Aires nesta segunda-feira (22).
Grossi, um diplomata argentino de 64 anos, dirige a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) desde 2019.
Em seu discurso na sede do Ministério das Relações Exteriores argentino, disse que o balanço da situação atual da organização multilateral "não é muito positivo".
Grossi indicou que "há um denominador comum" em muitos dos conflitos entre países "que é a ausência das Nações Unidas", e considerou que isso "não tem motivo para ser assim".
"Precisamos que as Nações Unidas sejam menos declarativas e mais ativas. Precisamos que as Nações Unidas estejam conectadas com os problemas das pessoas, e não com a aprovação de documentos enormes", disse.
Grossi acrescentou que é necessário levar adiante uma reforma da organização: "Tem que ser uma reforma na qual todos saibamos reconhecer que há coisas que estão sobrando e que há coisas que é preciso reforçar."
Na apresentação do diplomata, o chanceler argentino Pablo Quirno disse que "o presidente Javier Milei manifestou seu pleno apoio a esta candidatura".
Durante a gestão de Grossi, a AIEA atuou como intermediário entre Ucrânia e Rússia em questões nucleares.
Além disso, o órgão mantém há tempos relações tensas com o Irã, pela supervisão de seu programa nuclear.
Em junho, França, Alemanha e Reino Unido condenaram as "ameaças" do Irã contra Grossi, depois que o país asiático restringiu o acesso a suas instalações nucleares bombardeadas por Israel e Estados Unidos.
Segundo uma tradição de rotatividade geográfica que nem sempre é cumprida, o cargo de secretário-geral da ONU caberia a um representante latino-americano.
Também vão buscar a chefia da ONU a ex-presidente chilena Michelle Bachelet e a costarriquenha Rebeca Grynspan, atualmente à frente da agência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD).
O atual secretário, o português António Guterres, termina seu mandato de cinco anos em dezembro de 2026. O Conselho de Segurança iniciará em julho as rodadas decisivas do processo de seleção de seu sucessor.
L.Janezki--BTB