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Trump recebe Netanyahu na Flórida para discutir Gaza e Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta segunda-feira (29), na Flórida, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, no momento em que Washington pressiona pelo avanço para a próxima etapa do frágil plano de trégua na Faixa de Gaza.
Os dois também trataram da questão do Irã, e Trump afirmou que, se Teerã reconstruir suas instalações nucleares, os Estados Unidos "as derrubarão".
O presidente americano minimizou os relatos sobre tensões com o premiê israelense. Netanyahu "pode ser muito complicado", mas, sem sua liderança após os ataques do Hamas em outubro de 2023, Israel "poderia não existir", disse.
"Temos uns cinco temas principais que estamos discutindo, e Gaza será um deles", afirmou Trump a jornalistas em seu complexo de Mar-a-Lago, antes do encontro.
O republicano voltou a pedir que o Hamas entregue as armas para avançar para a segunda fase de seu plano de paz para Gaza. "Tem que haver o desarmamento do Hamas", declarou, depois de o braço armado do grupo islamista assegurar que não abrirá mão de suas armas.
Netanyahu elogiou Trump: "Nunca tivemos um amigo como o presidente Trump na Casa Branca."
A reunião, a quinta entre os dois líderes realizada nos Estados Unidos este ano, ocorre enquanto autoridades da Casa Branca temem que Israel e o Hamas estejam atrasando a segunda fase do cessar-fogo.
Segundo a imprensa americana, Trump anseia anunciar em janeiro a formação de um governo tecnocrático que substitua o Hamas em Gaza, bem como o envio de uma força internacional de estabilização na faixa.
- Violações do cessar-fogo -
A visita de Netanyahu dá sequência a dias frenéticos de diplomacia internacional em Palm Beach, onde Trump recebeu no domingo seu homólogo ucraniano Volodimir Zelensky para discutir o fim da guerra desencadeada pela invasão russa.
O cessar-fogo em Gaza anunciado em outubro é uma das principais conquistas do primeiro ano de Trump em seu retorno ao poder, mas seu governo e os mediadores regionais pretendem manter o ímpeto.
A primeira fase do acordo de trégua envolveu a libertação por parte do Hamas dos reféns restantes, tanto mortos quanto vivos, capturados durante seu ataque de 2023 contra Israel. O grupo devolveu até agora todos os cativos vivos e os restos mortais de todos, exceto um.
Na segunda etapa, está previsto que Israel se retire de suas posições em Gaza, enquanto o Hamas deve depor as armas.
Além disso, prevê-se que uma autoridade interina governe o território palestino e que seja mobilizada uma força internacional de estabilização (ISF, na sigla em inglês).
No entanto, ambas as partes denunciam frequentes violações do cessar-fogo.
O braço armado do Hamas reiterou nesta segunda-feira que não entregaria suas armas.
"Nosso povo se defende e não abrirá mão de suas armas enquanto a ocupação perdurar. Não se renderá, ainda que tenha que lutar com as mãos vazias", disse o porta-voz das Brigadas Ezzedine al Qassam em mensagem de vídeo.
- Frustração -
O site americano Axios informou na sexta-feira que Trump queria convocar a primeira reunião de um novo "Conselho de Paz" para Gaza, que ele presidiria, no Fórum de Davos, na Suíça, em janeiro.
Mas a publicação apontou que funcionários da Casa Branca estavam cada vez mais exasperados por considerarem que Netanyahu se esforça para travar o processo de paz.
Os governos israelense e americano divergem cada vez mais em questões-chave, entre elas os contínuos ataques de Israel contra o Hamas em Gaza, além dos lançados contra o Hezbollah no Líbano e na Síria.
Quanto ao Irã, autoridades e meios de comunicação israelenses expressaram, nos últimos meses, preocupação com o fato de Teerã estar reconstruindo seu arsenal de mísseis balísticos após a guerra de 12 dias com Israel, em junho.
Trump disse nesta segunda a jornalistas que acreditava que Teerã quer chegar a um acordo, mas também advertiu o regime islamista de que enfrentará outra operação de ataques relâmpago contra suas instalações nucleares se tentar retomar seu programa.
O Irã denunciou que todas essas ameaças não passavam de uma "operação psicológica". Enfatizou que está preparado para se defender e que uma nova agressão como a de junho "teria consequências mais graves" para Israel.
Trump afirmou nesta segunda esperar que Netanyahu "se dê bem" com o presidente da Síria, o ex-comandante islamista Ahmed al Sharaa, que é próximo à Casa Branca e liderou a derrubada de Bashar al Assad no ano passado.
F.Pavlenko--BTB