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Ucrânia nega ataque à residência de Putin e Rússia promete endurecer sua posição
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia declarou, nesta terça-feira (30), que não há "evidências plausíveis" do suposto ataque de Kiev a uma residência de Vladimir Putin, pelo qual o Kremlin prometeu endurecer sua posição nas negociações para pôr fim à guerra.
O aumento repentino na tensão diplomática ocorre pouco depois de Washington e Kiev anunciarem avanços nas negociações para chegar a um acordo que termine com o conflito, desencadeado pela invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
"Quase um dia se passou e a Rússia ainda não apresentou nenhuma evidência plausível para suas acusações sobre o suposto 'ataque da Ucrânia à residência de Putin'", afirmou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiga, na rede social X.
Também lamentou as condenações do suposto ataque por parte dos Emirados Árabes Unidos, Índia e Paquistão que, em sua opinião, "minam o processo de paz construtivo que avança atualmente".
"Reações como essas diante das afirmações manipuladoras e infundadas da Rússia servem apenas à propaganda russa e encorajam Moscou a cometer mais atrocidades e mentiras", acrescentou.
Na segunda-feira, a Rússia acusou a Ucrânia de ter atacado durante a madrugada, com 91 drones, uma residência oficial de Putin na região de Nóvgorod, entre Moscou e São Petersburgo.
O Kremlin afirmou que sua postura nas negociações sobre o conflito na Ucrânia sofrerá um "endurecimento" em consequência do suposto ataque, ao mesmo tempo em que se recusou a apresentar evidências, como pede a Ucrânia, porque todos os drones "foram derrubados".
"Não acredito que deva haver qualquer evidência de que um ataque em larga escala com drones tenha sido executado e que, graças ao trabalho bem coordenado do sistema de defesa aérea, foram derrubados", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
Em todo caso, acrescentou, o Ministério da Defesa teria que ser consultado sobre a possível existência de destroços.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, e seu homólogo americano, Donald Trump, reuniram-se no domingo na Flórida para buscar uma solução para o conflito, quase quatro anos após o início da invasão russa da Ucrânia.
- "Mentira" do Kremlin -
Zelensky chamou as acusações do ataque com drones de "mentira", com o objetivo, segundo ele, de preparar novas ações contra Kiev e "minar" os esforços diplomáticos entre Ucrânia e Estados Unidos.
"Não gosto disso. Não é bom", reagiu Donald Trump na noite de segunda-feira em sua residência em Mar-a-Lago, em Palm Beach.
"Sabe quem me falou sobre isso? O presidente Putin", disse ele. "É um momento delicado. Não é a hora adequada", acrescentou.
Diversos líderes ocidentais tiveram conversas nesta terça-feira sobre a situação na Ucrânia, informaram suas equipes.
Entre os participantes estavam o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk; a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o chanceler alemão, Friedrich Merz.
O presidente Zelensky afirmou na segunda-feira que os Estados Unidos ofereceram à Ucrânia garantias de segurança "sólidas" contra a Rússia por um período renovável de 15 anos.
No terreno, os bombardeios entre os dois lados continuam. Segundo a Força Aérea Ucraniana, o país foi atacado por dois mísseis russos e 60 drones na madrugada desta terça-feira.
As autoridades da região de Chernihiv, no norte da Ucrânia, ordenaram nesta terça a evacuação de 14 localidades próximas da fronteira com Belarus devido aos bombardeios russos.
"O Conselho de Defesa decidiu evacuar 14 vilarejos fronteiriços, onde ainda vivem 300 pessoas", declarou o comandante da administração militar regional, Viacheslav Chaus, ao destacar que "a zona fronteiriça é bombardeada todos os dias".
Pela manhã, a cidade de Zaporizhzhia, no sul do país, foi atingida por três bombas russas, segundo autoridades locais. Uma mulher ficou ferida e várias casas e prédios residenciais foram danificados.
Em seu relatório diário, o Exército russo, que continua seus ataques na frente de batalha, reivindicou a captura de duas pequenas localidades nas regiões de Kharkiv (nordeste) e Zaporizhzhia.
A.Gasser--BTB