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EUA bombardeia Venezuela e diz ter capturado Maduro
O presidente Donald Trump afirmou neste sábado (3) que forças dos Estados Unidos capturaram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, após um "ataque em grande escala" contra Caracas e outras partes do país.
"Os Estados Unidos realizaram com sucesso um ataque em grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi, junto com sua esposa, capturado e retirado do país", afirmou Trump em sua rede Truth Social.
As primeiras explosões em Caracas foram ouvidas por volta das 02h00 locais (03h00 de Brasília), constataram jornalistas da AFP na capital.
O governo de Maduro informou que essa "gravíssima agressão militar" incluiu alvos nos estados Miranda e La Guaira, vizinhos da capital, assim como Aragua, a cerca de uma hora de carro.
Um dos alvos em Caracas foi o forte militar Tiuna, o mais importante do país. O ministro da Defesa também denunciou que os bombardeios atingiram populações civis, sem até agora apresentar um balanço de vítimas.
Um blindado era consumido pelas chamas na base aérea La Carlota, em Caracas.
Trump anunciou uma coletiva de imprensa sobre a Venezuela às 11h00 locais (13h00 de Brasília) em sua residência de Mar-a-Lago, na Flórida.
A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, disse desconhecer o paradeiro de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
"Exigimos do governo do presidente Donald Trump prova de vida imediata do presidente Maduro e da primeira-dama", afirmou Rodríguez ao canal VTV, como a primeira na linha de sucessão do poder.
— "Em cima da nossa casa" —
"Viva a Venezuela, carajo!", gritavam pessoas de prédios em um bairro de classe alta de Caracas.
Trump não reconhece o poder de Maduro — após sua questionada eleição em 2024 — e o acusa de chefiar uma ampla rede de narcotráfico.
Washington de fato deslocou uma frota de navios de combate para o Caribe para combater o tráfico de drogas e matou cerca de 115 pessoas em bombardeios contra supostas lanchas que transportavam drogas no Caribe e no Pacífico.
Mas Maduro sempre afirmou que o objetivo era sua derrubada e a tomada das maiores reservas de petróleo do mundo. Trump chegou a dizer que os dias do esquerdista no poder estavam "contados".
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, anunciou um "desdobramento massivo de todos os meios terrestres, aéreos, navais, fluviais e de mísseis. Sistemas de armas para a defesa integral", segundo um vídeo publicado nas redes sociais.
As explosões continuaram na capital por cerca de uma hora, enquanto se ouvia o que parecia ser o sobrevoo de aviões.
Vídeos aos quais a AFP teve acesso mostram colunas de fumaça cinza e laranja ao longo da linha costeira de La Guaira.
"Senti que [as explosões] me levantaram da cama pela gravidade e, na hora, pensei: 'Meu Deus, chegou o dia', e chorei", contou à AFP María Eugenia Escobar, moradora de 58 anos de La Guaira.
Algumas pessoas foram até suas varandas e terraços para ver o que acontecia ou gravar vídeos. Outras se esconderam em espaços seguros, sem janelas, temendo algum estilhaçamento de vidros.
Também foram relatados apagões em alguns setores da capital.
"Foi horrível, sentimos os aviões passarem em cima da nossa casa", contou sob anonimato um morador que vive perto de Fuerte Tiuna.
A cidade amanheceu em silêncio. Em alguns bairros, percebia-se um forte cheiro de pólvora, enquanto agentes policiais encapuzados percorriam a cidade e vigiavam prédios públicos.
— Estado de exceção —
O governo informou em comunicado que Maduro decretou o "estado de Comoção Externa", que lhe concede poderes especiais diante de um conflito militar externo.
"O povo e seu governo legítimo permanecem firmes na defesa da soberania e do direito inalienável de decidir seu destino", indicou o comunicado.
"Bombardeiam a Venezuela com mísseis", reagiu o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que mobilizou tropas para a fronteira.
"É preciso que a OEA e a ONU se reúnam imediatamente", escreveu no X.
Irã e Cuba também condenaram o ataque.
Trump afirmou na segunda-feira que os Estados Unidos haviam destruído uma área de atracação utilizada por embarcações acusadas de participar do narcotráfico na Venezuela, o que teria sido o primeiro ataque terrestre americano em solo venezuelano.
F.Pavlenko--BTB