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EUA capturou Maduro e governará Venezuela até que haja transição 'pacífica'
Forças dos Estados Unidos capturaram neste sábado (3) o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o retiraram do país em meio a intensos bombardeios, anunciou o presidente Donald Trump, que afirmou que os Estados Unidos "governarão" a nação petrolífera até que haja uma transição "pacífica".
Após ataques em Caracas e em outras regiões da Venezuela que duraram uma hora e que Trump acompanhou de perto como um "show televisivo", o presidente americano revelou seus planos para o país que abriga as maiores reservas de petróleo do planeta.
"Vamos governar o país até que possamos realizar uma transição pacífica, adequada e criteriosa", disse Trump em uma coletiva de imprensa.
Ele indicou que permitirá que as petroleiras americanas entrem na Venezuela para explorar seus campos de petróleo.
"Vamos fazer com que nossas companhias petrolíferas dos Estados Unidos, as maiores em qualquer lugar do mundo, entrem, invistam bilhões de dólares, reparem a infraestrutura gravemente deteriorada, a infraestrutura petrolífera, e comecem a gerar dinheiro para o país", afirmou.
Também advertiu que, se fosse necessário, as forças americanas estavam prontas para executar uma segunda onda de ataques, "muito maior", para impedir que o círculo de Maduro continue no poder.
Trump publicou uma foto de Maduro algemado e com os olhos cobertos por óculos escuros, em um navio militar dos Estados Unidos.
Ele assegurou que o governante deposto responderá perante um tribunal de Nova York por acusações de narcotráfico e terrorismo.
Trump contou à rede Fox que acompanhou a operação "literalmente como se tivesse assistido a um show televisivo", poucas horas depois de anunciar a violenta detenção de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
A operação foi "muito bem organizada" e nenhum americano perdeu a vida, acrescentou Trump, ao revelar que Maduro se protegia em uma fortaleza.
"Chegou a hora da liberdade", proclamou, por sua vez, a líder da oposição venezuelana e Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado.
Machado considerou que o ex-candidato presidencial opositor Edmundo González, que afirma que Maduro lhe roubou a vitória nas eleições presidenciais de 2024, "deve assumir imediatamente" o poder e ser reconhecido pelos militares.
"Estamos prontos" para a "reconstrução do país", afirmou no X González, que está refugiado na Espanha.
— Cheiro de pólvora —
Explosões e sobrevoos de aeronaves sacudiram Caracas por volta das 02h00 locais (03h00 de Brasília), no clímax de quatro meses de pressão militar contra Maduro, de 63 anos.
Os ataques foram dirigidos contra Fuerte Tiuna, o maior complexo militar da Venezuela, e uma base aérea, entre outros locais, segundo jornalistas da AFP.
Trump considerava ilegítimo o mandatário, que chegou ao poder em 2013 após a morte do presidente Hugo Chávez e foi acusado de fraude nas últimas eleições.
Em 2020, Maduro foi formalmente acusado de narcotráfico pelos Estados Unidos, que ofereciam por ele uma recompensa de 50 milhões de dólares (R$ 272 milhões).
Washington também atacou os estados vizinhos de La Guaira, onde fica o aeroporto de Caracas, Miranda e Aragua.
Caracas amanheceu deserta, mas horas depois observavam-se filas em frente a supermercados. Para evitar saques, os comerciantes vendiam através das grades.
Vários bairros cheiravam a pólvora, enquanto agentes policiais encapuzados e fortemente armados percorriam a cidade e vigiavam prédios públicos.
Cerca de 500 simpatizantes de Maduro se reuniram em frente ao palácio presidencial de Miraflores com retratos dele e bandeiras venezuelanas.
O governo venezuelano denunciou que os bombardeios afetaram populações civis, sem apresentar provas.
— "Viva a Venezuela!" —
O canal estatal VTV exibiu imagens de grades caídas e ônibus incendiados em La Carlota, uma base aérea de Caracas.
"Viva a Venezuela, caralho!", comemoravam alguns de suas casas em um bairro de classe alta.
Antes da incursão deste sábado, os Estados Unidos bombardearam várias lanchas que supostamente transportavam drogas no Caribe, com saldo de mais de uma centena de mortos desde setembro.
Washington também fechou informalmente o espaço aéreo da Venezuela, impôs mais sanções e ordenou a apreensão de navios carregados com petróleo venezuelano.
Maduro, que se proclama socialista, sempre afirmou que essas operações buscavam sua derrubada e a apropriação das reservas de petróleo do país.
Durante seu governo, a Venezuela mergulhou em uma das piores crises econômicas de sua história, e líderes opositores foram alvo de dura repressão.
A autoridade aérea dos Estados Unidos notificou as companhias aéreas comerciais para que evitassem o espaço aéreo do Caribe.
Enquanto isso, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, anunciou um "desdobramento maciço" de todas as capacidades militares do país.
O chanceler, Yván Gil, pediu, por sua vez, uma reunião urgente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
— "Chegou o dia e chorei" —
Durante os bombardeios, alguns moradores se aproximaram de suas varandas e terraços para ver e gravar o que acontecia. Outros se esconderam em locais seguros.
As explosões "me levantaram da cama à força", contou à AFP María Eugenia Escobar, moradora de 58 anos de La Guaira. "Na hora pensei: 'Deus, chegou o dia', e chorei".
O governo decretou o "estado de comoção externa", que concede poderes especiais diante de um conflito militar externo.
"Ao final desses ataques, nós venceremos (...) Leais sempre! Traidores nunca!", bradou o ministro do Interior, Diosdado Cabello.
Países aliados da Venezuela, como Rússia, China, Irã e Cuba, rejeitaram os ataques, assim como os governos de esquerda do Brasil, Chile e México.
Moscou exigiu dos Estados Unidos a libertação de Maduro, enquanto Pequim afirmou que sua captura ameaça "a paz e a segurança" regionais.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou, por sua vez, que a operação contra Maduro estabelece um precedente perigoso ao desrespeitar o direito internacional.
A chefe da diplomacia da União Europeia pediu "contenção", enquanto o presidente colombiano, Gustavo Petro, duro crítico de Trump, mobilizou tropas na fronteira e reivindicou reuniões da OEA e da ONU "imediatamente".
B.Shevchenko--BTB