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Ninguém 'vai sair correndo' para casa: diáspora venezuelana espera mudança real
"Um novo amanhecer para a Venezuela", assim descreveu um funcionário de alto escalão deste país após a captura de Nicolás Maduro pelas forças especiais dos Estados Unidos.
Mas, para vários dos oito milhões de venezuelanos exilados na última década, a alegria de ver o presidente deposto comparecer a um tribunal de Nova York foi ofuscada ao saberem que seus funcionários de alto escalão continuam no comando.
A saída forçada de Maduro da Venezuela provocou inicialmente cenas de júbilo entre a diáspora. Muitos se emocionaram ao recordar as dificuldades das quais fugiram e os familiares que deixaram para trás durante o governo iniciado em 2013.
No entanto, embora vários tenham dito que sonham em voltar ao seu país, ainda não fazem as malas diante da incerteza do cenário.
- "Está tudo igual" -
"Na Venezuela não houve mudança de regime. Não há transição", disse à AFP Ligia Bolívar, socióloga venezuelana e defensora de direitos humanos que vive na Colômbia desde 2019.
"Ninguém nessa circunstância vai sair correndo para a Venezuela", acrescentou.
Do lado de fora do consulado venezuelano, onde aguardava para renovar seu passaporte, Alejandro Solórzano, de 35 anos, disse que "está tudo igual".
A economia debilitada é um dos principais motivos para ele permanecer fora do país. No exterior, ele trabalha e envia remessas para casa.
Alguns também mencionaram o temor do aparato de segurança e dos grupos armados alinhados ao governo que percorreram as ruas de Caracas nos últimos dias para reprimir qualquer comemoração pela queda de Maduro.
Em suas primeiras declarações após a captura do mandatário deposto e de sua esposa, Cilia Flores, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mostrou-se disposto a trabalhar com a governante interina, Delcy Rodríguez, deixando de lado a líder da oposição e Nobel da Paz María Corina Machado.
Rodríguez, até então vice-presidente, tomou posse na segunda-feira à frente do mesmo governo comandado por Maduro e que inclui o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e o da Defesa, Vladimir Padrino.
Cabello é uma figura temida, após ter ordenado a repressão dos protestos pós-eleitorais de 2024, nos quais cerca de 2.400 pessoas foram detidas.
A União Europeia exigiu na segunda-feira que qualquer transição inclua Machado e o seu candidato nas presidenciais de 2024, Edmundo González Urrutia, cuja vitória é reivindicada pela oposição.
Mas Andrea, uma consultora de imigração de 47 anos que vive em Buenos Aires e preferiu não revelar seu sobrenome, considerou que ainda não é a hora de Machado.
"Até que Trump veja que essa situação está controlada, até que tenha todos estes criminosos nas mãos, não vai poder colocar María Corina", disse.
- "Não há outra forma" -
Luis Peche, analista político que sobreviveu a um atentado com arma de fogo em Bogotá no ano passado, supostamente por motivos políticos, também se manifestou a favor de uma transição negociada.
"É preciso ver as coisas como um processo. Você precisa igualmente daquela parte do aparato estatal" para manter o país de pé, afirmou.
Para Tamara Suju, especialista em direitos humanos radicada na Espanha, manter o mesmo elenco no comando era um mal necessário, pelo menos a curto prazo.
"São eles com quem o governo Trump negocia a transição, porque não há outra forma de fazê-lo", disse à emissora espanhola esRadio, considerando que, eventualmente, Washington obrigará que renunciem.
Edwin Reyes, instalador de janelas de 46 anos que vive na Colômbia há oito, declarou que consideraria voltar uma vez que a Venezuela esteja "completamente livre".
"Estamos esperando, eu já estou há oito anos fora, no exílio. O que me custa esperar mais três, quatro, cinco, seis meses?", indagou.
L.Janezki--BTB