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EUA matou 55 militares cubanos e venezuelanos durante captura de Maduro
Os Estados Unidos mataram pelo menos 55 militares cubanos e venezuelanos durante os ataques que levaram à captura do presidente deposto Nicolás Maduro em Caracas, segundo números de ambos os países atualizados nesta terça-feira (6).
A Venezuela manteve sigilo sobre o saldo de vítimas na operação ordenada por Donald Trump, e até o momento não há um balanço oficial venezuelano completo.
Havana publicou nesta terça-feira uma lista com os nomes dos 32 militares cubanos que morreram em Caracas.
Um dia antes, o Exército venezuelano publicou notas fúnebres de 23 militares mortos, embora se presuma que o saldo seja maior.
Também se desconhece o número de civis mortos. A AFP confirmou a morte de uma mulher de 80 anos nos bombardeios. Uma rede que reúne médicos na Venezuela estima um saldo total de 70 mortos e 90 feridos.
Maduro foi detido junto com a esposa, Cilia Flores, no sábado, para responder à Justiça dos Estados Unidos por narcotráfico e outras acusações.
Delcy Rodríguez assumiu o poder de forma interina em seu lugar. Ela era sua vice-presidente e a primeira na linha de sucessão.
Ela tomou posse perante o Parlamento na segunda-feira, quase no mesmo momento em que Maduro se declarou "não culpado" diante de um juiz de Nova York.
Rodríguez governa sob enorme pressão para cumprir as demandas energéticas dos Estados Unidos e reorganizar o chavismo sem Maduro.
"O objetivo principal é ganhar tempo para consolidar o rearranjo e aproveitar que as demandas e condições de Washington estão centradas na questão petrolífera, o que também levará certo tempo para se concretizar", disse o analista político Mariano de Alba.
— "Dormir com um olho aberto" —
O chavismo realizou nesta terça-feira uma "marcha de mulheres" para pedir a libertação de Maduro e Flores. O movimento convocou manifestações diárias desde sábado.
Centenas de militantes participaram dos protestos. O ministro do Interior, o poderoso dirigente Diosdado Cabello, caminhou com a multidão por uma importante avenida de Caracas.
"Os que hoje riem da própria desgraça, os que dizem que levaram Nicolás e que a revolução vai cair, não conhecem este povo", disse Cabello de um palanque antes de começar a marcha.
Cabello permanece em seu cargo no novo governo, assim como Vladimir Padrino, ministro da Defesa.
"Delcy deveria dormir com um olho aberto agora mesmo", disse à AFP o ex-diplomata americano Brian Naranjo, que foi o número dois da embaixada de seu país na Venezuela entre 2014 e 2018, antes de ser expulso por Maduro.
"Atrás dela há dois homens que ficariam mais do que felizes em cortar sua garganta e tomar o controle", acrescentou, em referência a Cabello e Padrino.
De Alba estimou, no entanto, que "apesar das diferenças internas, o chavismo tem bem internalizado que apenas em uma coesão aparente tem chance de se perpetuar no poder".
— "Julgamento justo" —
A ONU expressou preocupação com a operação ordenada pelo presidente Donald Trump e advertiu que ela "minou um princípio fundamental do direito internacional".
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, pediu um "julgamento justo" para Maduro, enquanto o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, classificou a operação americana como "ilegal".
Maduro denunciou ser um "prisioneiro de guerra" ao se declarar não culpado. "Sou um homem decente, continuo sendo o presidente do meu país", afirmou na audiência, antes de ser interrompido pelo juiz.
Trump já advertiu que, se Rodríguez "não fizer a coisa certa, vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que o de Maduro".
Rodríguez enviou uma primeira carta a Trump na qual defende uma relação equilibrada e de respeito.
— Agenda eleitoral —
Um general da reserva que ocupou altos cargos nas Forças Armadas considerou que Rodríguez abrirá as portas do país para petrolíferas e mineradoras americanas. Ele não descarta uma retomada das relações diplomáticas, rompidas em 2019.
E, em paralelo, "de maneira acessória", ela impulsionará "uma agenda política eleitoral", que inclua a libertação de políticos presos.
"A repressão continuará sendo um elemento central para garantir a continuidade do chavismo, embora também possamos ver algumas libertações parciais para tentar uma descompressão e abrir novos canais de negociação", avaliou De Alba.
Quatorze jornalistas, quase todos de veículos internacionais, foram detidos em Caracas durante a sessão de instalação do Parlamento, denunciou nesta terça-feira o sindicato da imprensa. Outros dois jornalistas foram detidos na fronteira com a Colômbia. Todos foram libertados, segundo o sindicato, que também informou sobre a deportação de um jornalista.
A repressão política não pode ser tolerada na Venezuela, declarou nesta terça-feira o secretário-geral da OEA, Albert Ramdin, em uma sessão extraordinária da Organização dos Estados Americanos.
No horizonte está também o fator eleitoral. A oposição não reconheceu a reeleição de Maduro em 2024 e exige que seu candidato, Edmundo González Urrutia, assuma o poder ao lado de María Corina Machado.
"Em eleições livres e justas, venceremos com mais de 90% dos votos, não tenho nenhuma dúvida", disse à rede Fox News a líder da oposição, que garantiu que voltará ao seu país após sair da clandestinidade para viajar a Oslo e receber o prêmio Nobel da Paz.
Mas Trump assegurou que Machado "não conta com apoio nem respeito dentro de seu país" para governar.
A presidência interina de Rodríguez tem duração máxima de 180 dias, após os quais ela terá de convocar eleições.
C.Kovalenko--BTB