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Trump considera fazer oferta para comprar a Groenlândia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considera fazer uma oferta para comprar a Groenlândia, indicou a Casa Branca nesta quarta-feira (7), apesar de as populações da ilha e do país que a controla, a Dinamarca, terem deixado claro que não estão interessadas.
Trump se nega a descartar o uso da força para tomar a ilha estratégica do Ártico, o que causou comoção e indignação na Dinamarca e em outros aliados europeus de longa data dos Estados Unidos. Após um pedido de Copenhague, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que se reunirá na próxima semana com representantes dinamarqueses.
"Nada sobre a Groenlândia sem a Groenlândia. Obviamente, vamos participar. Pedimos uma reunião", disse a ministra Vivian Motzfeldt à TV pública, após a confirmação do encontro entre Rubio e funcionários da Dinamarca.
Segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, Trump discute "ativamente" com sua equipe a compra da Groenlândia, cuja superfície tem aproximadamente o tamanho do Alasca, maior estado americano.
"Acha que é o melhor para os Estados Unidos para dissuadir a agressão russa e chinesa na região do Ártico. Por isso, sua equipe discute atualmente como seria uma possível compra", declarou a secretária, que, assim como Rubio, não descartou o uso da força, mas afirmou que "a primeira opção do presidente sempre foi a diplomática".
O republicano Mike Johnson, presidente da Câmara dos Representantes, disse que não tinha conhecimento de um envio de tropas à Groenlândia: "Não acho que haja alguém falando em uso da força militar na ilha. Estão buscando canais diplomáticos", declarou.
Johnson admitiu, no entanto, que não foi informado previamente sobre o ataque do último dia 3 na Venezuela, no qual forças americanas capturaram o então presidente Nicolás Maduro. Desde então, Trump ameaçou intervir em Cuba, Groenlândia, Irã, México e Colômbia.
- 'Focados nas verdadeiras ameaças' -
O senador republicano Thom Tillis criticou as ameaças de Trump, em declaração conjunta com a democrata Jeanne Shaheen, principal membro do seu partido no Comitê de Relações Exteriores do Senado.
"Quando Dinamarca e Groenlândia deixam claro que a ilha não está à venda, os Estados Unidos devem cumprir suas obrigações e respeitar a soberania e integridade territorial do reino da Dinamarca", declararam os políticos. "Devemos nos manter focados nas verdadeiras ameaças e trabalhar com nossos aliados, não contra eles, para fortalecer nossa segurança compartilhada."
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, insiste em que a ilha não está à venda e que apenas seus 57.000 habitantes devem decidir o seu futuro. A Dinamarca mantém a soberania sobre a Groenlândia, que possui status semiautônomo.
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, alertou na última segunda-feira que, "se os Estados Unidos decidissem atacar militarmente outro país da Otan, então tudo pararia", incluindo "a Otan e a segurança implementada desde o fim da Segunda Guerra Mundial".
A Dinamarca é um membro fundador da Otan e um aliado firme dos Estados Unidos, tendo participado do envio polêmico de tropas para apoiar a invasão americana ao Iraque em 2003.
Em contraste com presidentes anteriores dos Estados Unidos, Trump critica a Otan, que vê não como um instrumento do poder de seu país, e sim como países menores que se aproveitam da segurança americana. "Sempre estaremos ao lado da Otan, embora eles não estejam ao nosso lado", publicou o presidente hoje, na rede Truth Social.
O.Lorenz--BTB