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Autoridade da ONU diz que Trump marca 'gol contra' ao retirar EUA de tratado climático
O chefe da ONU para o clima, Simon Stiell, liderou, nesta quinta-feira (8), uma onda de críticas contra a decisão do presidente americano, Donald Trump, de retirar os Estados Unidos de um tratado climático fundamental, classificando-a como um "gol contra colossal" que prejudicará o país.
Trump emitiu um memorando presidencial na quarta-feira ordenando a retirada de seu país de 66 organizações e tratados internacionais — aproximadamente metade deles associados às Nações Unidas — por serem "contrários aos interesses dos Estados Unidos".
Uma delas é a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), que serve de base para os principais acordos internacionais sobre o tema.
O secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell, afirmou que a decisão de Trump "apenas prejudicará a economia, o emprego e o nível de vida dos Estados Unidos". "É um gol contra colossal que deixará os Estados Unidos menos seguros e menos prósperos", afirmou em comunicado.
Críticos do presidente republicano advertiram que sua decisão isolará ainda mais Washington no cenário global ao transformá-lo no único membro da ONU que não faz parte do tratado.
Esta medida "é um erro estratégico que desperdiça a vantagem americana sem obter nada em troca", afirmou David Widawsky, diretor do centro de estudos World Resources Institute.
"O acordo, com 30 anos de existência, é a base da cooperação internacional em matéria climática. Abandoná-lo não apenas marginaliza os Estados Unidos, como também os exclui completamente do âmbito internacional", sustentou.
A medida gerou fortes críticas da União Europeia. A vice-presidente-executiva da pasta Transição Limpa, Justa e Competitiva, Teresa Ribera, afirmou que "a Casa Branca não se importa com o meio ambiente, a saúde ou o sofrimento das pessoas". "Paz, justiça, cooperação ou prosperidade não estão entre suas prioridades", acrescentou.
O responsável por políticas climáticas do bloco, Wopke Hoekstra, afirmou que a UNFCCC "fundamenta a ação climática global" e une as nações na luta coletiva contra a crise.
"A decisão da maior economia do mundo e do segundo maior emissor de gases de efeito estufa de se retirar da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) é lamentável e infeliz", declarou Hoekstra no LinkedIn.
Ele acrescentou que "certamente continuaremos apoiando a pesquisa climática internacional como a base de nossa compreensão e de nosso trabalho. Também continuaremos trabalhando na cooperação climática internacional".
- "Presente para a China" -
A China é o maior poluidor do mundo, mas também se tornou líder mundial em energias renováveis.
O memorando de Trump também determina que os Estados Unidos se retirem do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da ONU responsável por avaliar a ciência climática, juntamente com outras organizações como a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA, na sigla em inglês), a ONU Oceanos e a ONU Água.
Desde que retornou à Casa Branca, há quase um ano, o republicano vem implementando sua ideologia "Estados Unidos Primeiro".
Assim como em seu primeiro mandato, ele decidiu retirar o país do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), à qual Washington havia retornado durante a presidência de Joe Biden.
Além disso, fechou as portas para a Organização Mundial da Saúde.
Também cortou drasticamente a ajuda externa dos EUA, o que impactou gravemente os orçamentos de diversas organizações da ONU, que foram forçadas a reduzir suas atividades em campo, como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA).
O Departamento do Tesouro americano anunciou nesta quinta-feira a sua retirada do Fundo Verde para o Clima da ONU, o maior fundo multilateral para o clima do mundo.
"Nossa nação não financiará mais organizações radicais como o Fundo Verde para o Clima, cujos objetivos são contrários ao fato de que energia acessível e confiável é fundamental para o crescimento econômico e a redução da pobreza", declarou o secretário do Tesouro, Scott Bessent.
L.Dubois--BTB