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Forças curdas evacuam Aleppo após vários dias de combates mortais
As Forças Democráticas Sírias (FDS), lideradas pelos curdos, anunciaram neste domingo (11) a retirada de seus combatentes dos dois distritos onde estavam entrincheirados na cidade de Aleppo, após vários dias de combates mortais contra as forças do governo.
"Chegamos a um acordo que levou a um cessar-fogo e permitiu a retirada dos mártires, feridos, civis presos e combatentes dos bairros de Ashrafieh e Sheikh Maqsud para o norte e leste da Síria", anunciaram as FDS em um comunicado.
A agência de notícias oficial síria Sana confirmou que "ônibus que transportavam o último grupo de membros das FDS deixaram o bairro de Sheikh Maqsud em Aleppo".
O acordo foi alcançado "graças à mediação de atores internacionais para pôr fim aos ataques e violações cometidos contra nosso povo em Aleppo", declararam as FDS, após denunciarem deslocamentos forçados e sequestros de civis horas antes.
O Ministério do Interior disse à AFP neste domingo que as forças sírias levaram mais de 400 combatentes curdos do bairro de Aleppo onde estavam entrincheirados para a zona autônoma curda e prenderam outros 300 curdos, segundo um funcionário.
Horas antes, os Estados Unidos instaram o governo sírio e as forças curdas a retomarem o diálogo, após os combates terem forçado dezenas de milhares de pessoas a fugirem de suas casas em Aleppo.
- Mortos e deslocados -
Os confrontos nesta cidade entre o governo central e os curdos, que controlam parte do nordeste do país, deixaram pelo menos 21 civis mortos desde terça-feira, segundo fontes de ambos os lados.
Também deslocaram cerca de 155 mil pessoas, a maioria moradores de bairros curdos, de acordo com as autoridades.
Esses combates, os mais violentos em Aleppo desde a queda de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, eclodiram em meio às dificuldades enfrentadas por ambos os lados para implementar um acordo assinado em março para integrar as instituições da administração autônoma curda e as FDS ao novo Estado.
Em Damasco, o enviado dos EUA, Tom Barrack, pediu "moderação" e exigiu a cessação das hostilidades após se reunir com o presidente sírio, Ahmed al-Sharaa.
A União Europeia fez um apelo semelhante, instando "todas as partes" a "retomarem urgentemente o diálogo político".
Após assumir o controle de Ashrafieh, o Exército sírio anunciou a "cessação de todas as operações militares em Sheikh Maqsud" e, posteriormente, a transferência de combatentes daquele bairro para o território autônomo curdo, mais a leste.
Um correspondente da AFP viu pelo menos quatro ônibus verdes transportando combatentes, escoltados por forças de segurança.
Na sexta-feira, assim como nos dias anteriores, o exército permitiu que civis utilizassem dois "corredores humanitários" para deixar os bairros curdos.
Damasco havia instado as forças curdas a deixarem a cidade na sexta-feira, prometendo realocá-las em segurança para áreas controladas pelas FDS no nordeste do país.
Mas os combatentes entrincheirados em Sheikh Maqsud rejeitaram qualquer rendição.
As FDS, que lideraram a luta contra o grupo Estado Islâmico na Síria, são apoiadas por Washington, que também apoia Ahmed al-Sharaa.
Os combates aumentaram os temores de uma escalada regional, visto que a Turquia declarou sua disposição de intervir ao lado das forças sírias, enquanto Israel se posicionou ao lado dos curdos.
C.Meier--BTB