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Saldo de mortos dispara no Irã e Trump anuncia tarifas a parceiros da República Islâmica
A repressão ao movimento de protesto no Irã já ceifou a vida de pelo menos 648 pessoas, informou nesta segunda-feira (12) uma ONG, o que levou o presidente americano Donald Trump a anunciar sanções comerciais contra os parceiros de Teerã.
Os protestos começaram há duas semanas. No início eram contra o aumento do custo de vida, mas, com o passar dos dias, se transformou em um movimento contra o regime teocrático que governou o Irã desde a revolução de 1979.
Organizações de direitos humanos alertaram sobre a repressão letal aos protestos, advertindo que o corte de internet imposto pelas autoridades desde 8 de janeiro busca esconder a magnitude do derramamento de sangue.
A ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, indicou nesta segunda-feira (12) que pôde verificar 648 mortes, entre elas a de nove menores, e milhares de feridos, desde que o movimento explodiu em 28 de dezembro.
No entanto, advertiu que o número real de vítimas poderia ser muito maior: "segundo algumas estimativas, mais de 6.000", assim como 10.000 detidos.
Em resposta, Trump disse que os Estados Unidos vão impor tarifas de 25% a qualquer país que comercialize com o Irã.
"Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará tarifas de 25% por qualquer negócio que realize com os Estados Unidos. Esta ordem é definitiva e conclusiva", disse Trump em sua rede, Truth Social.
Os principais parceiros comerciais do Irã são China, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Iraque, segundo a base de dados econômicos Trading Economics.
Apesar do bloqueio da internet, imagens vazadas de Teerã e outras cidades do país mostram grandes manifestações nas últimas noites.
- Contramanifestações -
Um vídeo verificado pela AFP mostra dezenas de corpos em frente a um necrotério na capital, e há várias pessoas que parecem estar à procura de seus familiares desaparecidos.
Diante das grandes concentrações dos últimos dias, as autoridades convocaram contramanifestações nesta segunda-feira em apoio à República Islâmica.
Milhares de pessoas se reuniram na praça Enghelab ("Revolução"), no centro de Teerã, agitando a bandeira nacional.
Sua mobilização é uma "advertência" para os Estados Unidos, declarou o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, segundo a televisão estatal iraniana.
Em um discurso à multidão, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país trava uma "guerra contra terroristas" como parte de um conflito "em quatro frentes".
Ghalibaf mencionou as guerras econômica e psicológica, uma "guerra militar" com os Estados Unidos e, "hoje, uma guerra contra os terroristas", em referência aos protestos.
Manifestações similares de apoio ao governo também foram registradas em outras cidades do país, de acordo com imagens divulgadas pela TV estatal iraniano.
- Canal de comunicação -
Após realizar diversas ameaças de uma intervenção militar em resposta à repressão, Trump afirmou no domingo que os líderes iranianos queriam "negociar" e que "uma reunião estava sendo preparada", sem descartar a opção militar.
O Irã "não busca a guerra, mas está totalmente preparado", afirmou nesta segunda-feira o chanceler Abbas Araghchi, em uma conferência com embaixadores estrangeiros em Teerã.
No entanto, o diplomata acrescentou que "também estamos preparados para negociar", mas ponderou que "essas negociações devem ser justas, com igualdade de direitos e baseadas no respeito mútuo".
Simultaneamente, a Chancelaria iraniana afirmou que um canal de comunicação estava "aberto" entre o governo de Teerã e o enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio.
Reza Pahlavi, filho do xá deposto em 1979 e figura da oposição iraniana em seu exílio nos Estados Unidos, instou nas redes sociais as forças armadas e de segurança a "apoiar o povo".
Por sua vez, a França condenou "a violência de Estado que atinge indiscriminadamente", enquanto Londres criticou a "horrível" repressão e pediu para "pôr fim de imediato à violência". A Rússia denunciou as "tentativas de ingerência externa".
J.Bergmann--BTB