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Trump diz que o mundo não está seguro até que EUA controle a Groenlândia
O presidente Donald Trump afirmou nesta segunda-feira (19) que o mundo não estará seguro a menos que os Estados Unidos controlem o território autônomo dinamarquês da Groenlândia, um cenário rejeitado categoricamente pelos groenlandeses e seus vizinhos europeus.
O dirigente republicano argumenta que "precisa" desta ilha rica em minerais e terras raras para evitar que Rússia e China estabeleçam sua hegemonia no Ártico, e ameaça com tarifas oito países europeus que manifestaram a sua firme oposição a tal plano expansionista. Entre eles estão Reino Unido, Alemanha, França e Noruega.
O vice-chanceler e ministro das Finanças da Alemanha, Lars Klingbeil, destacou nesta segunda-feira que a Europa prepara respostas às ameaças tarifárias de Trump, que qualificou de "chantagem" e provocaram a queda dos mercados de ações europeus.
Em uma mensagem enviada ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Store, o mandatário americano escreveu que "o mundo não estará seguro a menos que tenhamos um Controle Total e Completo sobre a Groenlândia".
"Tendo em conta que o seu país decidiu não me dar o Prêmio Nobel da Paz por ter detido oito guerras ou mais, já não me sinto obrigado a pensar apenas na paz", acrescentou, segundo a mensagem publicada em vários meios de comunicação.
Trump não deixou de expor sua irritação por não ter sido recebido o prêmio no ano passado, que foi para a venezuelana María Corina Machado.
O gabinete do premiê norueguês confirmou a autenticidade da mensagem em um e-mail à AFP, e Store disse que tal conteúdo foi recebido em resposta a uma carta sua e do presidente finlandês Alexander Stubb, na qual transmitiram ao republicano sua "oposição aos aumentos tarifários".
O primeiro-ministro da Noruega recordou a Trump que não é o governo de seu país que concede o Nobel da Paz, e sim um comitê independente.
Os dirigentes da União Europeia vão se reunir na quinta-feira, em Bruxelas, em uma cúpula extraordinária para analisar a ameaça americana sobre a Groenlândia e a questão tarifária, indicou uma porta-voz do Conselho Europeu.
O primeiro-ministro da ilha ártica, Jens-Frederik Nielsen, avisou que a pressão com as tarifas "não mudará" a oposição groenlandesa às pretensões de Trump. "Não vamos deixar que nos pressionem", enfatizou.
- "Ameaça russa" -
Em sua mensagem a Store, Trump reiterou seu desejo de controlar a Groenlândia, o que causou alarme em todo o mundo. "A Dinamarca não consegue proteger aquela terra da Rússia ou da China", argumentou.
O mandatário americano afirmou em sua plataforma Truth Social que a Otan vinha há 20 anos dizendo à Dinamarca que deveria "afastar a ameaça russa da Groenlândia". "Infelizmente, a Dinamarca não conseguiu fazer nada a respeito. Agora é a hora, e vai acontecer!", afirmou.
O ministro da Defesa da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, declarou que medidas já haviam sido tomadas.
"Os governos da Dinamarca e da Groenlândia, juntamente com vários aliados da Otan, decidiram aumentar a presença militar e as atividades de treinamento no Ártico e no Atlântico Norte", declarou o ministro em um comunicado nesta segunda-feira.
Lund Poulsen acrescentou que ele próprio e a ministra das Relações Exteriores da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, se reuniriam com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, nesta segunda-feira.
No fim de semana, Trump anunciou que, a partir de 1º de fevereiro, Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia estariam sujeitos a uma tarifa de 10% sobre todos os produtos enviados aos Estados Unidos.
- Quais serão as respostas europeias? -
O vice-chanceler alemão, Lars Klingbeil, afirmou que "a Europa dará uma resposta unida e clara" e que estão preparando respostas "juntamente com nossos parceiros europeus".
A réplica poderá ter três vertentes principais, detalhou Klingbeil.
Em primeiro lugar, o atual acordo tarifário com os Estados Unidos ficaria suspenso, afirmou. Em segundo, as tarifas europeias sobre as importações provenientes dos EUA, atualmente suspensas até ao início de fevereiro, poderiam entrar em vigor, assinalou. E, em terceiro, a UE deveria considerar a possibilidade de utilizar seu conjunto de instrumentos para responder à "chantagem econômica" contra Washington.
O comissário europeu Stéphane Séjourné salientou nesta segunda-feira que o bloco europeu dispõe de "ferramentas" para dissuadir Trump de impor novas tarifas.
"Temos as ferramentas à nossa disposição e devemos utilizá-las se necessário e se estas tarifas se confirmarem", ressaltou o responsável por prosperidade e estratégia industrial.
M.Ouellet--BTB