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Venezuela troca czar de investimentos, enquanto petroleiras dos EUA avaliam voltar
A presidente interina da Venezuela designou Calixto Ortega, um banqueiro formado nos Estados Unidos, à frente da principal agência de investimentos do país, que antes era chefiada por um empresário colombiano, acusado de servir como testa-de-ferro do deposto Nicolás Maduro.
Álex Saab deixa o Centro Internacional de Investimento Produtivo (CIIP), encarregado da captação de investimentos internacionais, dias depois de ser substituído como ministro da Indústria.
A nomeação se enquadra no que a presidente interina, Delcy Rodríguez, denomina como "novo momento político" e especialistas consultados pela AFP o veem como um aceno aos Estados Unidos em um momento em que petroleiras americanas avaliam voltar a investir na Venezuela.
Rodríguez assumiu o poder após a queda de Maduro, durante um bombardeio a Caracas ordenado pelo presidente americano, Donald Trump.
Sua administração começou com uma reviravolta na relação com Washington e mudanças no gabinete do governante deposto.
Calixto Ortega chefiará o CIIP, um cargo que se soma ao de vice-presidente da área econômica dentro do gabinete.
"Sua designação permitirá continuar com a captação de investimentos nacionais e internacionais para o sistema produtivo nacional nesta etapa de recuperação econômica", escreveu Rodríguez na noite de segunda-feira, ao anunciar sua nomeação, entre outras.
- "Esforços proativos" -
Ortega foi antes presidente do Banco Central da Venezuela e diplomata em Houston, centro da indústria de refino de petróleo dos Estados Unidos.
"A nomeação representa um esforço estratégico para revitalizar o setor energético da Venezuela e redefinir suas relações internacionais", disse à AFP Phil Flynn, analista do Price Futures Group. "É um aceno para a administração Trump de que a Venezuela quer jogar segundo as regras".
"Demonstra esforços proativos para atrair grandes atores internacionais, como Chevron e ExxonMobil", acrescentou. "Ao captar este tipo de investimentos, buscam aumentar de forma significativa a produção de petróleo bruto, com o potencial de dobrar ou inclusive triplicar os níveis atuais".
A Venezuela produz 1,2 milhão de barris atualmente, após ter caído a mínimos históricos em meio a sanções econômicas e anos de desinvestimento e corrupção na indústria.
Trump diz governar a Venezuela, que controla as vendas de petróleo bruto e que espera investimentos milionários no país.
Ele também expressou seu apoio a Delcy Rodríguez desde que se alinhe às suas exigências.
"Será necessária a experiência e o investimento de muitas empresas americanas para revitalizar a produção petroleira e gasífera do país", afirmou, por sua vez, Rob Thummel, gestor sênior de carteiras na Tortoise Capital.
Mas as empresas "vão requerer estabilidade e clareza política antes de fazer investimentos", reforçou. "Esperamos que este processo leve anos, não dias, nem meses, antes de se materializar".
A AFP pediu um comentário de empresas petroleiras como ExxonMobil, Chevron e Halliburton sobre a nomeação, mas não obteve resposta até o momento.
- Saída de Saab -
O colombiano Saab deixa, assim, o governo ao qual se incorporou em outubro de 2024, pouco após ser solto nos Estados Unidos como parte de uma troca de prisioneiros.
A justiça americana o acusava de lavagem de dinheiro.
Saab se vinculou ao governo venezuelano nos últimos anos da administração de Hugo Chávez (1999-2013), e chegou a gerenciar uma gigantesca rede de importações para o governo Maduro.
Ele era encarregado das importações de produtos que abasteciam o programa social de venda subsidiada de alimentos, conhecido como CLAP, alvo de denúncias de corrupção.
Foi detido em 2020 em Cabo Verde e extraditado para os Estados Unidos em outubro de 2021. A Venezuela qualificou a ação de "sequestro", enquanto o defendia como um "herói" que alimentou o país em meio às sanções internacionais.
F.Müller--BTB