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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comemorou nesta terça-feira (20) o primeiro aniversário de seu retorno à presidência com um longo e desarticulado discurso no qual, sobretudo, se queixou da falta de reconhecimento a seu trabalho.
O mandatário, de 79 anos, mostrou aos jornalistas uma pasta na qual, segundo ele, figuravam as 365 conquistas alcançadas desde que tomou posse do cargo em 20 de janeiro do ano passado.
"Deus está muito orgulhoso do trabalho que realizei", declarou o presidente, que atravessa uma crise de confiança: apenas 42% dos americanos aprovam sua gestão, contra 55% que a desaprovam.
No entanto, durante mais de uma hora de um monólogo confuso, Trump se queixou amargamente de que não recebe o reconhecimento que considera que deveria ter.
Além de apontar como culpados membros de sua equipe — "talvez eu tenha maus assessores de relações públicas", disse —, arremeteu contra o que chamou de "notícias falsas".
Antes de responder às perguntas dos jornalistas, o presidente também teve tempo de insultar seus oponentes e de difundir teorias conspiratórias, como a de que foi o vencedor das eleições de 2020, e não o democrata Joe Biden.
Depois da coletiva, Trump iniciou sua viagem a Davos para se reunir com líderes políticos e empresariais de todo o mundo.
O republicano indicou que, em seu discurso de quarta-feira no fórum, defenderá suas intenções sobre a ilha dinamarquesa da Groenlândia.
"Precisamos dela por motivos de segurança nacional", afirmou. "As coisas vão acabar muito bem."
Mas quando foi perguntado até onde estava disposto a ir para cumprir suas ameaças de se apoderar da enorme ilha do Ártico, respondeu: "Vocês vão descobrir."
Além disso, o republicano disse que não compareceria a uma eventual reunião de emergência do G7 esta semana para discutir a guerra na Ucrânia, proposta pelo presidente francês Emmanuel Macron.
"Não", respondeu ao ser consultado sobre se estaria disposto a participar de uma reunião assim, embora Macron já tivesse indicado que o encontro não aconteceria esta semana.
- ICE, Venezuela e teorias conspiratórias -
Também exaltou o ataque militar que propiciou a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e não voltou atrás em suas palavras, cada vez mais contundentes, sobre o que está disposto a fazer para tomar o controle da Groenlândia.
Mas, à medida que Trump passava de um tema a outro, o tom do discurso deixou de ser vitorioso e se pareceu com o usado durante a campanha para as eleições presidenciais de 2024, nas quais derrotou a democrata Kamala Harris.
O presidente repetiu teorias que há muito tempo são objeto de controvérsia ou já foram desmentidas, entre elas que as eleições de 2020 foram "armadas", que os preços dos medicamentos receitados caíram 600% — algo matematicamente impossível — e que tinha conseguido atrair aos Estados Unidos 18 trilhões de dólares (cerca de R$ 97 trilhões) em investimentos estrangeiros.
Em matéria de política externa, o republicano mostrou seu interesse em trabalhar com a líder da oposição venezuelana María Corina Machado sobre o futuro do país, após a captura de Maduro em 3 de janeiro, que aguarda julgamento em uma prisão de Nova York.
"Estamos falando com ela", disse Trump. "Talvez possamos envolvê-la de alguma maneira. Eu adoraria poder fazer isso."
O republicano elogiou Corina Machado por tê-lo presentado com sua medalha do Prêmio Nobel da Paz, sem deixar de se queixar novamente que o comitê norueguês deveria ter dado esse reconhecimento a ele.
Também manifestou seu apoio ao presidente sírio Ahmed al Sharaa, que lançou uma ofensiva contra os curdos, antigos aliados de Washington em sua luta contra os jihadistas do Estado Islâmico.
Trump disse que o líder sírio estava "trabalhando muito, mas muito duro".
O senador democrata Chuck Schumer reagiu com firmeza ao comportamento de Trump no aniversário do primeiro ano de seu mandato: "Está ficando cada vez mais louco e impopular", disse.
N.Fournier--BTB