Berliner Tageblatt - Polícia israelense impede entrada do Patriarca Latino de Jerusalém na Igreja do Santo Sepulcro

Polícia israelense impede entrada do Patriarca Latino de Jerusalém na Igreja do Santo Sepulcro
Polícia israelense impede entrada do Patriarca Latino de Jerusalém na Igreja do Santo Sepulcro / foto: © AFP

Polícia israelense impede entrada do Patriarca Latino de Jerusalém na Igreja do Santo Sepulcro

A polícia israelense impediu o Patriarca Latino de Jerusalém, o cardeal Pierbattista Pizzaballa, de entrar na Igreja do Santo Sepulcro para celebrar a missa de Domingo de Ramos, pois, segundo informou o gabinete do premiê israelense, havia preocupações relacionadas à "segurança".

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O episódio ocorrido neste domingo (29), que marca o início da Semana Santa para a Igreja Católica, foi condenado por Itália, França e Espanha, cujo presidente de governo Pedro Sánchez classificou como um ataque à "liberdade religiosa".

O Patriarcado Latino, uma diocese católica com fiéis em Israel, nos territórios palestinos, na Jordânia e no Chipre, informou que a polícia impediu a entrada de Pizzaballa e do pároco na Igreja do Santo Sepulcro quando eles pretendiam celebrar a missa do Domingo de Ramos.

"Como resultado, e pela primeira vez em séculos, os dirigentes da Igreja foram impedidos de celebrar a missa do Domingo de Ramos na Igreja do Santo Sepulcro", diz um comunicado do Patriarcado.

Segundo a diocese, os religiosos se deslocavam sozinhos, e não em procissão, quando tiveram a passagem bloqueada e foram obrigados a retornar.

"Este incidente constitui um grave precedente e demonstra uma falta de consideração pela sensibilidade de bilhões de pessoas em todo o mundo que, durante esta semana, voltam seus olhos para Jerusalém", destacou o Patriarcado Latino.

Desde que a guerra eclodiu no Oriente Médio em 28 de fevereiro, as autoridades israelenses proibiram grandes aglomerações, inclusive as programadas para sinagogas, igrejas e mesquitas. Os atos públicos estão limitados a 50 pessoas.

- Cruz no lugar de ramos -

"A guerra não apagará a ressurreição. A dor não extinguirá a esperança", disse Pizzaballa na missa de Domingo de Ramos, que celebrou mais tarde na Igreja de Todas as Nações, também conhecida como a Basílica da Agonia, no Monte das Oliveiras em Jerusalém.

"Hoje não levamos palmas na procissão. Em seu lugar, levamos a cruz: uma cruz que não é um fardo inútil, mas a fonte da verdadeira paz", disse o cardeal italiano diante de um pequeno grupo de fiéis.

O Patriarcado já havia anunciado o cancelamento da tradicional procissão do Domingo de Ramos, que normalmente parte do Monte das Oliveiras em direção a Jerusalém e atrai milhares de fiéis.

"Os chefes das igrejas têm atuado com total responsabilidade e, desde o início da guerra, respeitaram todas as restrições impostas", declarou o Patriarcado.

A polícia israelense declarou que os locais sagrados de Jerusalém estão fechados desde o início da guerra com o Irã.

"A petição do Patriarcado foi analisada ontem, e foi indicado que não poderia ser aprovada" devido às restrições, afirmou a polícia em um comunicado enviado à AFP.

- Sem 'má intenção' -

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que não houve "má intenção" na atuação da polícia e a única motivação foi "a preocupação com a segurança do patriarca e de sua comitiva".

Em seu perfil na rede social X, Pedro Sánchez disse que o seu governo condena "este ataque injustificado à liberdade religiosa e exigimos que Israel respeite a diversidade de credos e o direito internacional. Pois, sem tolerância, é impossível conviver".

Sánchez indicou que o primeiro-ministro israelense impediu que os católicos celebrassem o Domingo de Ramos nos Lugares Santos de Jerusalém "sem qualquer explicação".

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, também denunciou "uma ofensa não apenas aos fiéis, mas para qualquer comunidade que respeite a liberdade religiosa" e o Ministério das Relações Exteriores do país anunciou que convocará o embaixador de Israel.

Por sua vez, o presidente da França, Emmanuel Macron, condenou a decisão e afirmou que se soma a uma "preocupante multiplicação de violações do estatuto dos Lugares Sagrados de Jerusalém".

O Domingo de Ramos, que abre a Semana Santa, celebra a última entrada de Jesus em Jerusalém, onde foi recebido de modo triunfal por uma multidão poucos dias antes de sua crucificação e de sua ressurreição no Domingo de Páscoa, segundo os Evangelhos.

L.Janezki--BTB