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Israel e Líbano prorrogam trégua; negociações EUA-Irã permanecem estagnadas
Após a prorrogação de três semanas do cessar-fogo no Líbano anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, o movimento pró-iraniano Hezbollah acusou, nesta sexta-feira (24), Israel de não respeitá-lo e afirmou reservar-se o direito de responder às suas "agressões".
Diante do impasse nas negociações com o Irã, que não dão sinais de serem retomadas para encontrar uma solução duradoura para a guerra, Donald Trump anunciou na quinta-feira uma prorrogação da trégua no Líbano.
"O cessar-fogo entre Israel e Líbano será prorrogado por TRÊS SEMANAS", escreveu o republicano em sua plataforma Truth Social após uma nova reunião entre representantes dos dois países em Washington.
Em vigor desde 17 de abril, a princípio a trégua deveria terminar no próximo domingo. A pausa representou um pouco de alívio para a população libanesa, imersa em um conflito que deixou mais de 2.400 mortos e um milhão de deslocados no país desde o início de março.
Trump acrescentou que os Estados Unidos "vão colaborar com o Líbano para ajudar o país a se proteger contra o Hezbollah".
O movimento xiita libanês, que arrastou o país para a guerra em 2 de março ao atacar Israel em apoio a seu aliado Irã, rejeitou as negociações e prossegue com as operações no sul do Líbano.
"As autoridades deveriam se envergonhar perante o seu povo e retirar-se do que foi chamado de negociações diretas com o inimigo sionista", afirmou o deputado Mohammed Raad, chefe do bloco parlamentar do Hezbollah, que qualificou a trégua como uma "decepção ardilosa".
Ali Fayad, também deputado do partido, declarou em outro comunicado que o Hezbollah se reserva o direito de responder às "agressões" israelenses.
Israel pretende criar uma zona de segurança no sul do Líbano, o que inclui a destruição de vilarejos e bombardeios, que na quarta-feira (22) mataram uma jornalista libanesa.
O Hezbollah anunciou que lançou foguetes contra o norte de Israel em resposta às "violações" do cessar-fogo enquanto o exército israelense afirmou que o movimento libanês derrubou um de seus drones no sul do Líbano.
As forças de manutenção da paz da ONU nessa zona (Unifil) anunciaram a morte de um capacete azul da Indonésia que havia sido ferido em 29 de março em um ataque contra sua base.
- Chanceler iraniano viaja a Islamabad -
Com um otimismo inabalável, Trump disse que espera organizar uma reunião entre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, nas próximas semanas.
O presidente libanês, que até o momento descartou a possibilidade de um encontro com o israelense, deve participar nesta sexta-feira da reunião de cúpula europeia de Ayia Napa, no Chipre, ao lado de seus homólogos egípcio, Abdul Fattah al-Sisi, e sírio, Ahmed al-Sharaa, e do príncipe herdeiro da Jordânia, Hussein bin Abdalah.
Os membros da União Europeia afirmaram querer comprometer-se mais com a desescalada no Oriente Médio.
Washington mantém a pressão militar sobre o Irã, com a chegada à região de um terceiro porta-aviões, o George H. W. Bush. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que só aguarda o sinal verde dos Estados Unidos para retomar os ataques.
As negociações que deveriam ser retomadas no início da semana em Islamabad entre Estados Unidos e Irã, após o fracasso da primeira rodada em 11 de abril, continuam suspensas.
No entanto, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, viajará nesta sexta-feira à capital paquistanesa, segundo confirmou a agência estatal de notícias Irna.
Não se sabe se Araghchi se reunirá com autoridades americanas. O ministro "iniciará uma viagem regional na noite desta sexta-feira, com visitas a Islamabad, Mascate e Moscou", informou a agência.
- Leve queda do petróleo -
O presidente americano atribuiu o adiamento por tempo indeterminado de uma segunda sessão, que estava prevista para esta semana, às "fraturas" dentro do poder em Teerã.
Em resposta, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o chefe do Poder Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, deram na quinta-feira uma demonstração de unidade, evocando em suas redes sociais "um Deus, uma nação, um líder, um só caminho".
Quase dois meses após seu início, em 28 de fevereiro, por parte de Israel e dos Estados Unidos, a guerra contra a República Islâmica continua pesando sobre os mercados de energia e a economia mundial, apesar da entrada em vigor de um cessar-fogo em 8 de abril.
O tráfego está paralisado no Estreito de Ormuz, por onde, antes do conflito, transitavam 20% do petróleo e do gás consumidos em nível mundial. Agora, está submetido a um duplo bloqueio iraniano e americano.
Após o anúncio da viagem do chanceler iraniano a Islamabad, os preços do petróleo caíram nesta sexta-feira diante das esperanças de novas conversações de paz.
O barril de Brent do Mar do Norte, referência mundial, registrou queda de 0,5%, para 104,57 dólares (517,96 reais), enquanto o West Texas Intermediate, referência americana, recuou 1,1%, para 94,80 dólares (469,57 reais).
burs/phs/roc/arm/cjc/pb/hgs/jvb/fp/jc
W.Lapointe--BTB