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Irã e EUA devem retomar negociações
Irã e Estados Unidos podem retomar em breve as negociações para pôr fim ao conflito no Oriente Médio, e ambos os países anunciaram nesta sexta-feira (24) o envio de negociadores ao Paquistão, que atua como mediador.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, já chegou à capital Islamabad, anunciou o governo paquistanês.
Araghchi "manterá reuniões com altos funcionários do Paquistão para tratar dos últimos acontecimentos na região, bem como dos esforços em curso em favor da paz e da estabilidade", declarou nesta sexta o ministro paquistanês das Relações Exteriores em um comunicado.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, anunciou que os enviados do presidente Donald Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, partirão no sábado para o Paquistão "com o objetivo de manter conversas (...) com representantes da delegação iraniana".
Leavitt, em declarações à Fox News, expressou sua esperança de que seja "uma conversa frutífera".
As conversas entre os beligerantes começaram há duas semanas, mas foram interrompidas após algumas horas. Apesar disso, os Estados Unidos prorrogaram unilateralmente o cessar-fogo por tempo indeterminado.
Araghchi continuará uma viagem regional que o levará depois a Mascate, capital de Omã, e a Moscou para "consultas bilaterais" sobre a situação da região, segundo a agência oficial iraniana Irna.
A guerra foi provocada pelo ataque conjunto de Israel e Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro.
Desde então, o conflito causou milhares de mortes, sobretudo no Irã e no Líbano, onde se enfrentam Israel e o movimento pró-iraniano Hezbollah.
Também afetou a economia mundial, e os preços do petróleo, ainda muito altos, recuaram ligeiramente nesta sexta-feira após o anúncio da viagem de Araghchi.
O conflito também prejudicou a navegação no Estreito de Ormuz, por onde, antes da guerra, passava 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) consumidos no mundo. Agora, essa via marítima crucial está submetida a um duplo bloqueio: iraniano e americano.
A reabertura imediata de Ormuz é "vital para o mundo inteiro", destacou nesta sexta o presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Trump havia afirmado anteriormente que dispunha de "todo o tempo do mundo" para negociar a paz com o Irã, enquanto mantinha a pressão militar: um terceiro porta-aviões americano, o George HW Bush, navega próximo à região.
Na frente libanesa, está sob forte pressão o cessar-fogo, cuja prorrogação de três semanas foi anunciada por Trump na quinta-feira após conversas entre representantes israelenses e libaneses em Washington.
"Iniciamos um processo para alcançar uma paz histórica entre Israel e o Líbano e nos parece evidente que o Hezbollah tenta sabotá-lo", disse nesta sexta o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
- "Esta trégua não significa nada para mim" -
O movimento xiita pró-iraniano, que arrastou o Líbano para a guerra ao retomar as hostilidades contra Israel em 2 de março, anunciou por meio de um de seus deputados, Ali Fayad, que a prorrogação não tem "sentido" devido aos persistentes "atos de hostilidade" de Israel.
O Hezbollah também instou o Estado libanês a "se retirar" das negociações diretas com Israel.
Duas pessoas morreram nesta sexta-feira em um ataque israelense no sul do Líbano, segundo o Ministério da Saúde do país.
Na mesma região, o Exército israelense disse ter matado seis membros do Hezbollah, após anunciar que o movimento pró-iraniano havia derrubado um de seus drones.
"Esta trégua não significa nada para mim", afirmou à AFP Mohamad al Zein, de 21 anos, que vive em um centro para deslocados à espera de poder voltar para casa, no sul do Líbano, epicentro dos combates.
"Enquanto não tivermos voltado para nossas casas, nada importa."
Ahmad Chumari, de 74 anos, que decidiu deixar a cidade de Sidon e retornar à sua aldeia no sul do Líbano, rejeita a negociação direta com Israel porque "significaria um reconhecimento do inimigo", disse à AFP.
"Voltamos para casa", declarou cercado de bolsas e colchões, com a esperança de que "o cessar-fogo seja permanente".
O conflito no Líbano já deixou mais de 2.400 mortos e um milhão de deslocados desde o início de março.
A Finul, a missão de manutenção da paz da ONU, anunciou nesta sexta a morte de um de seus capacetes azuis indonésios, que havia sido ferido em 29 de março no sul do Líbano.
Na quinta-feira, Trump afirmou esperar que Netanyahu e o presidente libanês, Michel Aoun, se reúnam "nas próximas semanas", o que representaria um marco histórico para esses dois países, tecnicamente em estado de guerra desde 1948.
burx-tq/vl/pc/jvb/ic
J.Fankhauser--BTB