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Trump diz que não está 'satisfeito' com nova proposta do Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, nesta sexta-feira (1º), que não está "satisfeito" com a nova proposta de negociação do Irã, no momento em que as conversas de paz entre ambas as partes estão congeladas, apesar de um cessar-fogo de várias semanas.
O Irã apresentou aos Estados Unidos uma nova proposta para retomar as negociações e pôr fim a dois meses de guerra, anunciou, nesta sexta-feira, um meio de comunicação estatal iraniano.
"Neste momento, não estou satisfeito com o que estão oferecendo", disse Trump a jornalistas, culpando o impasse nas conversações com o Irã pela "tremenda discórdia" em sua liderança.
"Queremos ir lá e simplesmente arrasá-los e acabar com eles para sempre, ou queremos tentar chegar a um acordo? Quero dizer, essas são as opções", respondeu quando questionado sobre os próximos passos, acrescentando que "preferiria não" optar pela primeira alternativa "por uma questão humana".
Um cessar-fogo entrou em vigor em 8 de abril, após quase 40 dias de bombardeios israelenses-americanos contra o Irã e de represálias de Teerã na região.
Mas o conflito continua de outras maneiras: os Estados Unidos impõem um bloqueio naval aos portos iranianos em represália pelo fechamento, por parte de Teerã, do estratégico Estreito de Ormuz, por onde transitava, antes da guerra, um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo, o que fez os preços do petróleo dispararem.
Desde primeiras conversas infrutíferas em 11 de abril, o Paquistão tenta fazer com que as duas partes em conflito voltem à mesa de negociações.
Apesar do fracasso das conversações, o cessar-fogo foi mantido.
Nesta sexta-feira, o chefe do poder Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei, afirmou que "a República Islâmica nunca renunciou às negociações". Mas acrescentou, em um vídeo publicado no site do Judiciário, Mizan Online: "De fato, não aceitamos imposições", embora Teerã não deseje um retorno à guerra.
- "Presos no purgatório" -
A Casa Branca se recusou a comentar os detalhes da nova proposta iraniana. Mas o site de notícias Axios informou que o enviado americano, Steve Witkoff, apresentou, no início desta semana, emendas a uma proposta anterior para reintroduzir a questão do programa nuclear de Teerã nas negociações.
Citando uma fonte familiarizada com o assunto, o Axios assinalou que estas emendas incluíam uma exigência de que o Irã não tentasse retirar urânio enriquecido dos locais bombardeados durante a breve guerra do ano passado nem retomar qualquer atividade neles enquanto as conversas continuassem.
O otimismo após a divulgação da proposta iraniana fez o preço do petróleo cair quase 5% no West Texas Intermediate (WTI), o petróleo de referência dos Estados Unidos.
No entanto, os preços continuam aproximadamente 50% acima dos níveis anteriores à guerra, enquanto os operadores enfrentam o prolongado fechamento de Ormuz.
Um funcionário da União Europeia indicou à AFP que a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, falou por telefone nesta sexta-feira com o principal responsável diplomático iraniano, Abbas Araghchi, sobre os esforços diplomáticos para reabrir o estreito.
Amir, residente em Teerã, disse a jornalistas da AFP sediados em Paris que o atual impasse nas conversas "parece como se estivéssemos presos no purgatório".
Este homem de 40 anos tinha poucas esperanças sobre a nova proposta. "Tudo isso é para ganhar tempo", afirmou, prevendo que Estados Unidos e Israel "voltarão a atacar".
- Debate sobre poderes de guerra -
Trump tem, teoricamente, até esta sexta-feira para solicitar ao Congresso a autorização para continuar com a guerra. Mas seu governo deu a entender que ignorará esta obrigação.
Segundo a Constituição dos Estados Unidos, apenas o Congresso tem a prerrogativa de declarar guerra. Mas uma lei de 1973 permite ao presidente iniciar uma intervenção militar limitada para responder a uma situação de emergência, desde que peça autorização ao poder Legislativo para mobilizar tropas por mais de 60 dias.
O presidente americano repetiu esse raciocínio nesta sexta-feira, insistindo que os Estados Unidos estavam "no meio de uma grande vitória".
Trump enfrenta uma pressão interna crescente devido à guerra, com uma inflação disparada, sem uma vitória clara à vista e eleições de meio de mandato previstas para novembro.
Os Estados Unidos impuseram, nesta sexta-feira, novas sanções a três casas de câmbio iranianas. O Departamento do Tesouro advertiu, ainda, que considera aplicar futuras sanções ao sistema de pedágio que o Irã quer implantar para cruzar o Estreito de Ormuz.
Na quinta-feira, o exército americano afirmou que seu bloqueio havia impedido o Irã de exportar petróleo no valor de 6 bilhões de dólares (quase R$ 30 bilhões), enquanto a inflação superou 50% nas últimas semanas.
"Para muitas pessoas, pagar o aluguel ou até mesmo comprar comida ficou difícil, e alguns já não têm nada", diz Mahyar, de 28 anos, a um repórter da AFP baseado fora do Irã.
burx-vl/anb/meb/ahg/jc/yr/mvv
O.Krause--BTB