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Rússia derruba dezenas de drones desde início de trégua unilateral com Ucrânia
O prefeito de Moscou anunciou nesta sexta-feira (8, data local) que aproximadamente 20 drones foram derrubados desde a entrada em vigor, à meia-noite local, da trégua com a Ucrânia que a Rússia declarou unilateralmente para as comemorações do fim da Segunda Guerra Mundial em 9 de maio.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, havia advertido pouco antes a vários líderes estrangeiros para que não assistissem a esses desfiles. A Rússia, por sua vez, instou a população e os diplomatas a deixarem Kiev diante da possibilidade de ataques de "represália" se a Ucrânia atrapalhar os atos pela vitória da União Soviética contra a Alemanha nazista.
Na madrugada desta sexta-feira, o prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, relatou a interceptação de um total de 20 drones que se dirigiam para a capital russa, em uma série de publicações na rede social russa Max.
A trégua unilateral russa tinha começado à meia-noite (18h da quinta-feira em Brasília).
Na noite de quinta, Zelensky assegurou que a Ucrânia tinha recebido "mensagens de alguns Estados próximos à Rússia, que afirmam que seus representantes estarão presentes em Moscou".
"Um estranho desejo [...] nestes tempos. Não recomendamos", disse o mandatário ucraniano em discurso.
A Ucrânia tinha apresentado uma contraproposta de trégua a partir de 6 de maio, ao classificar a iniciativa russa de medida propagandística.
Os russos "querem que a Ucrânia lhes dê permissão para organizar seu desfile, para poder sair com total segurança à praça [Vermelha] durante uma hora, uma vez por ano, e depois seguir matando", acrescentou Zelensky.
A Rússia comemora anualmente o Dia da Vitória com um grande desfile militar na Praça Vermelha. Putin transformou a lembrança da Segunda Guerra Mundial em um eixo central de seus 25 anos no poder e a invocou para justificar sua invasão da Ucrânia de fevereiro de 2022.
- 'Irresponsáveis' -
Minutos antes do discurso de Zelensky, o Ministério da Defesa russo advertiu a população civil de Kiev e o pessoal das missões diplomáticas sobre "a necessidade de deixar a cidade a tempo".
Na quinta-feira, o porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, ao responder a uma pergunta da AFP durante sua coletiva de imprensa, havia confirmado que a trégua decretada por Moscou estaria vigente na sexta-feira e no sábado, a partir da 0h de Moscou.
Na quarta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia havia instado as embaixadas na Ucrânia a evacuarem seu pessoal e seus cidadãos devido à "inevitabilidade de ataques de represália" se a Ucrânia tentasse atrapalhar o desfile na capital russa no sábado, particularmente mediante um ataque com drones.
"As últimas ameaças de Moscou de atacar o coração de Kiev e a advertência às missões diplomáticas para que abandonem Kiev são [...] irresponsáveis e totalmente injustificadas", reagiu uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores britânico em comunicado.
Durante a trégua, a Rússia prometeu interromper "completamente" os disparos ao longo da linha de frente e cessaria os ataques de longo alcance contra infraestruturas militares.
Mas advertiu que, se a Ucrânia não seguisse esse exemplo, responderia "em consequência".
- Conversas em Miami -
Nas últimas semanas, Kiev, que ampliou suas capacidades com drones, intensificou os ataques contra Moscou e no interior da Rússia, atingindo alvos a centenas de quilômetros da Ucrânia.
Os ataques provocaram inquietação na Rússia diante do desfile, que não incluirá material militar pela primeira vez em quase 20 anos.
O número de convidados estrangeiros também diminuiu: apenas comparecerão dirigentes de Belarus, Malásia e Laos, além dos líderes de duas repúblicas separatistas da Geórgia respaldadas pela Rússia e não reconhecidas pela ONU, segundo o Kremlin.
As conversas mediadas pelos Estados Unidos para encerrar o pior conflito da Europa desde 1945 avançaram pouco e ficaram relegadas a um segundo plano pela guerra no Oriente Médio.
Não obstante, na quinta-feira deve começar em Miami, na Flórida, um novo diálogo entre negociadores ucranianos e americanos.
Essas conversas pretendem conseguir avanços na "libertação dos prisioneiros" ucranianos detidos na Rússia e favorecer "a reativação do processo diplomático", segundo Zelensky, que enviou aos Estados Unidos seu negociador principal, Rustem Umerov.
M.Odermatt--BTB