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Rússia e Ucrânia prosseguem com ataques e denunciam violação da trégua decretada por Moscou
Rússia e Ucrânia denunciaram ataques do lado inimigo nesta sexta-feira (8), o que parece ter provocado a ruptura do cessar-fogo unilateral de dois dias que Moscou havia declarado por ocasião de suas comemorações do fim da Segunda Guerra Mundial.
"Por parte da Rússia, não houve sequer uma tentativa simbólica de cessar os ataques no front", escreveu o presidente ucraniano Volodimir Zelensky na rede social X.
Ele informou que a Força Aérea da Ucrânia derrubou 56 drones russos perto da linha de batalha nas últimas horas.
"Assim como fizemos nas últimas 24 horas, a Ucrânia responderá da mesma maneira também hoje", advertiu Zelensky.
O presidente ucraniano disse que a Rússia lançou "mais de 850 ataques com drones de diversos tipos", além de mais de 140 ataques contra as posições de primeira linha de Kiev.
A Rússia, por sua vez, afirmou que respondeu "de maneira simétrica às violações" de sua trégua por parte da Ucrânia.
O Ministério da Defesa russo anunciou que derrubou 264 drones ucranianos durante a noite, nas primeiras horas do cessar-fogo unilateral de dois dias decretado pelo Kremlin.
A Ucrânia havia denunciado a trégua temporária da Rússia como uma medida de propaganda, com o objetivo de proteger o Desfile da Vitória de 9 de maio.
O desfile é um dos acontecimentos patrióticos mais importantes para o presidente russo, Vladimir Putin, e comemora o triunfo da União Soviética sobre a Alemanha nazista em 1945.
Horas antes do início da trégua russa, Zelensky advertiu os aliados de Moscou que não deveriam comparecer ao desfile militar.
Na noite de quinta, Zelensky assegurou que a Ucrânia tinha recebido "mensagens de alguns Estados próximos à Rússia, que afirmam que seus representantes estarão presentes em Moscou".
"Um estranho desejo [...] nestes tempos. Não recomendamos", disse o mandatário ucraniano em discurso.
O prefeito de Moscou anunciou nesta sexta-feira que quase 20 drones foram derrubados desde a entrada em vigor, à meia-noite local, da trégua com a Ucrânia que a Rússia declarou unilateralmente.
A Rússia pediu à população e aos diplomatas que abandonassem Kiev diante de possíveis ataques de "retaliação" caso a Ucrânia perturbasse as cerimônias comemorativas de 9 de maio.
A trégua unilateral russa havia começado às 0h00 locais (18h00 de Brasília, quinta-feira GMT). A Ucrânia havia apresentado uma contraproposta de trégua a partir de 6 de maio.
Os russos "querem que a Ucrânia lhes dê permissão para organizar seu desfile, para poder sair com total segurança à praça [Vermelha] durante uma hora, uma vez por ano, e depois seguir matando", acrescentou Zelensky.
A Rússia comemora anualmente o Dia da Vitória com um grande desfile militar na Praça Vermelha. Putin transformou a lembrança da Segunda Guerra Mundial em um eixo central de seus 25 anos no poder e a invocou para justificar sua invasão da Ucrânia de fevereiro de 2022.
Nesta edição, e pela primeira vez em quase 20 anos, o desfile não incluirá material militar.
- Desfile sob risco -
Durante a trégua, o Ministério da Defesa da Rússia prometeu interromper "completamente" os disparos ao longo da linha de frente e cessar os ataques de longo alcance contra infraestruturas militares. Se a Ucrânia não fizer o mesmo, Moscou responderá, advertiu o ministério.
Nas últimas semanas, Kiev, que ampliou suas capacidades com drones, intensificou os ataques contra Moscou e no interior da Rússia, atingindo alvos a centenas de quilômetros da Ucrânia.
O número de convidados estrangeiros também diminuiu: apenas comparecerão dirigentes de Belarus, Malásia e Laos, além dos líderes de duas repúblicas separatistas da Geórgia respaldadas pela Rússia e não reconhecidas pela ONU, segundo o Kremlin. Abkhazia e Ossétia do Sul, segundo o Kremlin.
As conversas mediadas pelos Estados Unidos para encerrar o pior conflito da Europa desde 1945 avançaram pouco e ficaram relegadas a um segundo plano pela guerra no Oriente Médio.
T.Bondarenko--BTB