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Xi alerta Trump sobre Taiwan durante reunião em Pequim
O presidente da China, Xi Jinping, advertiu nesta quinta-feira (14) seu homólogo dos Estados Unidos, Donald Trump, que uma gestão inadequada da questão de Taiwan poderia empurrar os dois países na direção de um "conflito", em uma declaração contundente no início da reunião de cúpula em Pequim.
Trump começou o encontro com elogios ao anfitrião, que chamou de "grande líder" e "amigo", antes de declarar que os dois países terão "um futuro fantástico juntos".
Contudo, para além da pompa com que recebeu o presidente americano, Xi adotou um tom menos efusivo e afirmou que os países "deveriam ser parceiros, não rivais", ao destacar desde o primeiro momento a situação de Taiwan, uma ilha autônoma e de regime democrático que Pequim reivindica como parte de seu território.
"A questão de Taiwan é o tema mais importante nas relações entre China e Estados Unidos", disse Xi, segundo declarações divulgadas pela imprensa estatal chinesa pouco depois do início do encontro.
"Se for mal administrada, as duas nações podem ter um choque ou, inclusive, entrar em conflito, o que empurraria toda a relação entre China e Estados Unidos para uma situação muito perigosa", acrescentou durante a reunião, que durou quase duas horas e 15 minutos.
A viagem de Trump a Pequim é a primeira de um presidente americano ao país asiático em quase uma década. A grande recepção contrasta com uma série de tensões comerciais e geopolíticas ainda sem solução entre as duas potências.
Xi recebeu Trump com um aperto de mão diante do Grande Salão do Povo, na Praça Tiananmen (Paz Celestial), o centro nervoso do poder comunista na capital, decorado com tapete vermelho e com as cores da China e dos Estados Unidos.
Aparentemente satisfeito com a cerimônia, Trump disse que "a relação entre China e Estados Unidos será melhor do que nunca".
"A cooperação beneficia as duas partes, enquanto o confronto prejudica ambas", enfatizou, por sua vez, Xi.
A relação bilateral enfrentou momentos difíceis após a visita anterior de Trump em 2017, já que os dois países passaram grande parte de 2025 envolvidos em uma guerra comercial e em desacordo sobre muitos temas globais importantes.
- "Linguagem direta" -
A questão de Taiwan é um dos assuntos mais delicados entre os dois países ao longo dos anos. Embora o governo dos Estados Unidos reconheça apenas a China, o país tem uma lei que obriga Washington a fornecer armas de defesa para Taiwan.
A China prometeu reunificar Taiwan com o território continental e não descarta a possibilidade de recorrer à força para alcançar o objetivo, em um contexto de crescente pressão militar sobre a ilha nos últimos anos.
Após os comentários de Xi nesta quinta-feira, Taipé classificou a China como o "único risco" para a paz regional e insistiu que "a parte americana tem reafirmado repetidamente seu apoio claro e firme" ao território.
Adam Ni, editor do boletim China Neican, disse à AFP que, embora a "linguagem direta" observada nesta quinta-feira não seja incomum na política externa chinesa, é algo inusitado da parte de Xi.
"Xi quer deixar isso muito claro (...). Ele acredita que a questão de Taiwan é o potencial barril de pólvora entre as duas superpotências", acrescentou.
- Irã ofusca a visita -
A guerra no Irã, que obrigou Trump a adiar sua viagem à China, inicialmente programada para março, é outro tema delicado.
Antes do encontro, o presidente americano afirmou que esperava manter uma "longa conversa" com Xi sobre o Irã, que vende a maior parte de seu petróleo para a China, apesar da ameaça de sanções de Washington.
O presidente americano, no entanto, insistiu que não precisava de "nenhuma ajuda" de Pequim.
Ainda assim, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, historicamente um crítico ferrenho da China, disse que Washington esperava convencer Pequim a "desempenhar um papel mais ativo".
Trump também espera assinar acordos comerciais em áreas como agricultura, aviação e outros setores.
Executivos de grandes empresas integram a delegação americana, entre eles Jensen Huang, da Nvidia, e Elon Musk, da Tesla.
Xi prometeu à delegação de executivos que "a China abrirá cada vez mais suas portas para o mundo exterior" e que as empresas americanas seriam beneficiadas por "perspectivas ainda mais promissoras".
Após a reunião durante a manhã de quinta-feira, os dois presidentes fizeram uma pausa e seguiram para o Templo do Céu, Patrimônio da Humanidade, onde os imperadores da China costumavam pedir boas colheitas.
K.Brown--BTB