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Intenso bombardeio russo em Kiev deixa 8 mortos e enfraquece esperanças de paz
A Rússia bombardeou Kiev intensamente com centenas de drones e dezenas de mísseis na madrugada desta quinta-feira (14), em um ataque que deixou pelo menos oito mortos e frustrou ainda mais as esperanças de pôr fim à prolongada invasão de Moscou.
Jornalistas da AFP na capital ouviram sirenes de ataque aéreo antes de várias horas de fortes explosões obrigarem os moradores a se refugiarem em estações de metrô.
A Força Aérea Ucraniana informou que a Rússia lançou 675 drones de ataque e 56 mísseis, principalmente contra Kiev, e acrescentou que suas unidades de defesa aérea derrubaram 652 drones e 41 mísseis.
"Tudo estava em chamas. As pessoas gritavam e pediam socorro", disse Andrii, um morador de Kiev ainda de pijama e com manchas de sangue na camisa, perto de um prédio residencial da era soviética que desabou.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou que mais de 20 locais na capital foram danificados, incluindo prédios residenciais, uma escola, uma clínica veterinária e outras infraestruturas civis.
"Estas certamente não são as ações de quem acredita que a guerra está chegando ao fim. É importante que os aliados não permaneçam em silêncio diante deste ataque", disse o presidente.
Ao amanhecer, jornalistas da AFP testemunharam cenas caóticas enquanto equipes de resgate removiam os escombros, prestavam assistência aos feridos e recuperavam os corpos dos mortos.
O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, informou que cerca de 40 pessoas ficaram feridas, incluindo duas crianças.
Vários aliados da Ucrânia condenaram o ataque. "A Rússia está zombando abertamente" dos esforços diplomáticos pela paz, denunciou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
- Novo revés para esforços de paz -
A Rússia lançou mais de 1.500 drones contra a Ucrânia nas últimas 36 horas, informou a Força Aérea Ucraniana.
A ofensiva representa mais um revés para as tentativas de pôr fim ao conflito, depois que o presidente americano, Donald Trump, renovou as esperanças de paz ao intermediar um cessar-fogo de três dias entre os dois países na semana passada.
Além disso, o presidente russo, Vladimir Putin, havia sugerido no fim de semana que a guerra poderia terminar em breve.
O cessar-fogo, que começou coincidindo com as comemorações em Moscou da vitória soviética sobre a Alemanha nazista em 1945, foi marcado por acusações de violações de ambos os lados.
Tanto a Ucrânia quanto a Rússia lançaram ataques com drones de longo alcance imediatamente após o término do cessar-fogo.
O Kremlin minimiza a ideia de que os comentários vagos de Putin no sábado sobre um possível fim da guerra signifiquem uma mudança na posição de Moscou.
Na quarta-feira, a Rússia reiterou sua exigência de que a Ucrânia se retire completamente da região leste do Donbass antes que um cessar-fogo e negociações de paz em larga escala possam ocorrer. Kiev rejeita a exigência, considerando-a equivalente a uma rendição.
Um funcionário da presidência ucraniana disse à AFP que a escala dos ataques desta quinta-feira foi tão grande devido à trégua anterior e relacionou o momento da ofensiva ao encontro entre os presidentes dos EUA e da China em Pequim.
burs-jbr/jc/mab/dbh/aa/fp
M.Odermatt--BTB