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Trump modera expectativas de acordo iminente com Irã para pôr fim à guerra
Donald Trump moderou as expectativas, neste domingo (24), de um acordo iminente com o Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio, apesar de ambos os lados relatarem progresso nas negociações.
"Instruí meus representantes a não se precipitarem (...) porque o tempo está a nosso favor", escreveu o presidente americano em sua plataforma Truth Social.
Trump também afirmou que o bloqueio aos portos iranianos "permanecerá em pleno vigor" até que um acordo final seja assinado com Teerã.
Mais cedo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse a jornalistas em Nova Délhi que havia a possibilidade de que "nas próximas horas o mundo receba boas notícias".
Rubio afirmou que o acordo abordaria as preocupações de Washington em relação ao Estreito de Ormuz, quase totalmente bloqueado pelo Irã em resposta ao ataque de 28 de fevereiro, realizado por Israel e pelos Estados Unidos, que desencadeou a guerra.
O controle dessa passagem crucial para o comércio global de hidrocarbonetos tem sido um dos principais obstáculos no diálogo mediado pelo Paquistão desde o início da trégua entre Teerã e Washington, em 8 de abril.
A questão do programa nuclear iraniano, contudo, seria abordada em negociações posteriores, segundo a mídia americana, o próprio Rubio e o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei.
Este último afirmou que estavam finalizando um memorando de entendimento com Washington, embora isso não implicasse "um acordo sobre as principais questões". A questão nuclear, por exemplo, não faz parte "desta etapa" das negociações, assegurou.
- Questão nuclear pendente -
Segundo Rubio, o acordo proposto atualmente deve iniciar "um processo que pode, em última análise, nos levar aonde o presidente quer que estejamos, ou seja, um mundo que não precise mais temer ou se preocupar com uma arma nuclear iraniana".
Os Estados Unidos e Israel acreditam que o objetivo deste programa é desenvolver armas nucleares, embora Teerã afirme que tem apenas fins civis.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou neste domingo que ele e Trump concordam que um acordo final com o Irã deve eliminar as atividades nucleares de Teerã.
"O presidente Trump e eu concordamos que qualquer acordo final com o Irã deve eliminar completamente a ameaça nuclear. Isso significa desmantelar as instalações de enriquecimento de urânio do Irã e remover o material nuclear enriquecido de seu território", declarou Netanyahu em um comunicado, relatando o conteúdo de um telefonema entre os dois líderes na noite de sábado.
Além disso, Netanyahu disse que Trump reiterou que Israel tem o direito de se defender contra ameaças "em todas as frentes, incluindo o Líbano".
A CBS News, citando fontes próximas às negociações, informou que a proposta inclui o desbloqueio de alguns ativos iranianos em bancos estrangeiros e a extensão das negociações por mais 30 dias, prazo também mencionado pelo The Wall Street Journal.
A agência de notícias iraniana Fars informou que as sanções sobre petróleo, gás e outros produtos petroquímicos seriam suspensas durante o período das negociações, permitindo que Teerã exportasse essas commodities essenciais.
- Estratégias divergentes -
Após semanas de impasse, Trump afirmou no sábado, em sua rede social Truth Social, que conversou por telefone com líderes dos países do Golfo, Turquia, Egito, Jordânia e Paquistão.
Nos últimos dias, veículos de imprensa americanos têm destacado estratégias divergentes entre os dois lados: enquanto Trump defendia a diplomacia, seu aliado israelense favorecia a retomada das hostilidades.
Em declarações à Axios no sábado, Trump estimou as chances de um "bom" acordo ou da retomada da guerra em "50-50".
No mesmo dia, o principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, prometeu uma resposta "esmagadora" caso os Estados Unidos retomassem sua ofensiva.
Y.Bouchard--BTB