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EUA ataca Irã novamente, apesar de avanços em negociações
Pela primeira vez em semanas, os Estados Unidos atacaram novamente o Irã nesta terça-feira (26), um revés nos anunciados avanços das negociações para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
O Irã não confirmou oficialmente a informação, mas em uma declaração divulgada na televisão estatal, o líder supremo Mojtaba Khamenei afirmou que Washington está perdendo influência e que se afasta "a cada dia mais de seu antigo status" no Golfo Pérsico.
"Os Estados Unidos não têm mais um lugar seguro na região para lançar suas agressões", avaliou Khamenei, que não aparece em público desde que assumiu o cargo no início de março, sucedendo a seu pai, assassinado no primeiro dia da guerra.
Segundo ele, os países do Golfo, atacados quase diariamente pelo Irã em represália à ofensiva israelense-americana iniciada em 28 de fevereiro, "não servirão mais de escudo para as bases americanas".
O cessar-fogo alcançado em 8 de abril entre Estados Unidos e Irã foi seguido por semanas de bloqueios e ameaças, até que, nos últimos dias, ambas as partes anunciaram avanços nas conversas.
O presidente americano, Donald Trump, chegou a sugerir um compromisso iminente durante o fim de semana.
No entanto, as esperanças de paz foram frustradas com o anúncio de Israel, na segunda-feira, de que intensificaria sua ofensiva no Líbano e com o ataque americano ao Irã.
Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), o ataque desta terça-feira teve como alvo instalações de lançamento de mísseis e embarcações iranianas que tentavam colocar minas.
Em Bandar Abbas, no sul do país, fortes explosões foram ouvidas por volta da meia-noite (17h30 no horário de Brasília), indicaram meios de comunicação iranianos.
O exército americano ressaltou que atuou "com moderação durante o cessar-fogo", alcançado após várias semanas de guerra que provocaram milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano, e abalaram a economia mundial.
- Negociações em curso -
Após o anúncio desses ataques, os mercados mundiais adotaram um "tom mais cauteloso", apesar do "otimismo do fim de semana", apontou Daniela Hathorn, analista da Capital.com.
As bolsas europeias abriram sem uma tendência clara e o petróleo registrou uma leve alta.
Os últimos ataques americanos conhecidos remontam ao início de maio, quando o sul do Irã foi alvo de um bombardeio, o que provocou uma resposta do exército iraniano com ataques contra navios no Estreito de Ormuz. A ação foi minimizada pelo presidente americano.
Na frente diplomática, autoridades iranianas, entre eles o principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, viajaram na segunda-feira para Doha em sua primeira visita desde o início da guerra.
"Chegamos a uma conclusão sobre grande parte dos temas em discussão", declarou no mesmo dia o porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei. "Mas dizer que isso significa que a assinatura de um acordo é iminente (...), ninguém pode fazer tal afirmação", acrescentou.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, assegurou durante uma visita oficial à Índia que o acordo continua sendo possível e mencionou negociações "sobre a linguagem específica no documento, então isso levará alguns dias".
Segundo a agência de notícias Tasnim, as negociações em curso também incluem o pedido do Irã para liberar cerca de 24 bilhões de dólares (120 bilhões de reais) em bens congelados no exterior como parte do processo para pôr fim à guerra.
Donald Trump busca uma saída para essa guerra, que perturbou gravemente a economia mundial devido ao bloqueio iraniano do estratégico Estreito de Ormuz, por onde costuma transitar um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito consumidos no mundo. Sua reabertura é um dos principais objetivos das negociações.
J.Bergmann--BTB