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EUA e Irã chegam a acordo-quadro sujeito a aprovação de Trump
Os negociadores americanos e iranianos chegaram a um acordo-quadro para prorrogar o cessar-fogo de 60 dias, mas este ainda precisa da aprovação do presidente Donald Trump, informaram nesta quinta-feira (28) fontes americanas à AFP.
A informação surgiu depois que Estados Unidos e Irã se acusaram mutuamente de violar o cessar-fogo, após uma série de ataques, três meses depois de a guerra ter começado em decorrência dos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra a república islâmica.
As fontes confirmaram a informação publicada pelo portal Axios, segundo a qual ambas as partes chegaram a um acordo sobre um memorando de entendimento para prolongar a trégua e iniciar negociações sobre o programa nuclear do Irã.
As informações surgiram pouco depois das hostilidades mais graves desde a implementação do cessar-fogo em 8 de abril, que comprometeram os esforços diplomáticos para encerrar a guerra.
As forças americanas realizaram bombardeios na cidade portuária de Bandar Abbas e, em represália, a Guarda Revolucionária Islâmica anunciou um ataque contra uma base americana.
A Guarda Revolucionária não especificou qual base, mas Kuwait, aliado próximo de Washington, condenou o ataque com drones e mísseis contra seu território, atribuído ao Irã, e afirmou que isso representa "uma escalada perigosa".
As forças iranianas também realizaram disparos de advertência contra quatro embarcações que tentavam atravessar o Estreito de Ormuz, informou nesta quinta-feira a televisão estatal iraniana.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã condenou as "violações contínuas do cessar-fogo" por parte dos Estados Unidos, e seu porta-voz, Esmaeil Baqaei, assegurou que Teerã "tomará todas as medidas necessárias para defender sua soberania nacional".
O Exército americano, por sua vez, afirmou que o ataque com míssil do Irã contra o Kuwait é uma "violação flagrante do cessar-fogo".
Segundo um funcionário americano ouvido pela AFP, "essas ações foram moderadas, puramente defensivas, e destinadas a manter o cessar-fogo".
- "Um inferno" -
Nesse contexto, os habitantes de Teerã expressaram preocupação.
Mahtab, uma cabeleireira de 62 anos, disse estar aliviada porque sua filha conseguiu deixar o país, já que viver ali "é um inferno" Seu filho, contou com tristeza, é obrigado a "viver um dia de cada vez", sem nenhuma perspectiva de futuro.
Um ponto-chave do acordo proposto é restabelecer totalmente a navegação no Estreito de Ormuz, praticamente fechado pelo Irã e por onde, antes da guerra, transitava um quinto das exportações globais de hidrocarbonetos.
Na quarta-feira, Donald Trump ameaçou Omã, aliado de Washington, ao ser questionado sobre um possível acordo de curto prazo que permitiria a esse país e ao Irã controlarem Ormuz, afirmando que os "explodiria" caso Mascate decidisse colaborar com esses planos.
E nesta quinta-feira, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, ameaçou sancionar Omã caso colabore com o Irã no sistema de pedágios.
Omã mediou as negociações entre Washington e Teerã antes da guerra e também foi alvo de ataques das forças da república islâmica.
Nos últimos meses, Paquistão assumiu um papel central de mediação nos esforços de paz.
Por sua vez, a chancelaria iraniana condenou a "retórica ameaçadora" de Washington contra Omã.
- Ataques no Líbano -
Em outra das frentes mais ativas, os bombardeios e combates prosseguem no Líbano apesar de outro cessar-fogo que, em teoria, está em vigor desde 17 de abril.
O Exército israelense afirmou que realizou um ataque seletivo na região de Beirute, e as Forças Armadas libanesas afirmaram que o ataque atingiu um apartamento ao sul da capital.
Em imagens da AFPTV é possível ver uma coluna de fumaça saindo de uma área próxima aos subúrbios do sul de Beirute, um reduto do movimento pró-iraniano Hezbollah.
O Ministério da Saúde do Líbano afirmou, nesta quinta-feira, que ataques israelenses no sul do país mataram ao menos 14 pessoas, entre elas duas crianças.
O Ministério da Saúde do Líbano indicou na quarta-feira que, desde que a guerra começou no início de março, pelo menos 3.269 pessoas morreram em ataques israelenses.
C.Kovalenko--BTB