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Trump diz que está tomando decisão final sobre acordo com Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (29) que tomará uma decisão sobre um possível acordo de paz com o Irã, embora Teerã tenha insistido que ainda "não há um acordo final" para encerrar a guerra no Oriente Médio.
A Casa Branca anunciou o fim de uma reunião realizada pelo presidente para tomar uma decisão, mas não comunicou nenhuma resolução final.
Um relatório da agência de notícias iraniana Fars também contestou vários elementos fundamentais da descrição do acordo feita por Trump, citando fontes bem informadas que qualificaram suas declarações como uma "mistura de verdade e mentira".
Fontes americanas haviam dito à AFP que o acordo só aguardava a aprovação final de Trump após semanas de negociações para acabar com um conflito que envolveu o Oriente Médio e abala a economia mundial.
“Agora vou me reunir na Sala de Situação para tomar uma decisão definitiva”, havia dito Trump em uma longa publicação nas redes sociais, na qual reiterava suas exigências de longa data de que o Irã se comprometesse a nunca ter armas nucleares e abrisse o vital Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, no entanto, disse à mídia estatal que a república islâmica "se despediu da linguagem do 'você deve' há 47 anos", após a revolução de 1979.
“Quanto ao entendimento (...) as trocas de mensagens continuam, mas ainda não foi alcançado nenhum acordo final”, acrescentou.
Em sua publicação, Trump disse que Teerã retiraria as minas no Estreito de Ormuz e acabaria com seu bloqueio à via marítima "sem pedágios", enquanto os Estados Unidos suspenderiam seu bloqueio paralelo aos portos iranianos, e os dois países coordenariam a retirada e destruição do urânio enriquecido do Irã.
Ele também afirmou que "nenhum dinheiro será trocado, até novo aviso".
A Fars, porém, citou fontes iranianas segundo as quais Teerã exige "a liberação imediata de 12 bilhões de dólares em ativos iranianos congelados" e diz que "até que esse pagamento seja efetuado, o Irã não passará à fase seguinte das negociações".
Em relação à reabertura sem pedágios de Ormuz, disseram que "não existe tal cláusula no texto do acordo", enquanto o comentário sobre a destruição do material nuclear iraniano "carece de fundamento".
Baqaei também declarou à televisão estatal que atualmente "não há negociações" em curso sobre o programa nuclear iraniano.
A publicação de Trump ocorreu enquanto o principal diplomata iraniano sugeria que os Estados Unidos estavam bloqueando um acordo.
Em uma ligação com seu homólogo omanense, o ministro das Relações Exteriores Abbas Araghchi indicou que "um acordo final dependia de a parte americana pôr fim a uma postura baseada em exigências excessivas e posições mutáveis e contraditórias", informou seu ministério.
Antes disso, o presidente do Parlamento do Irã, que chefiou a delegação iraniana nas conversações de paz com os Estados Unidos no Paquistão no mês passado, disse que Teerã havia conquistado poder de negociação não "por meio de conversas, mas por meio de mísseis", e demonstrou ceticismo em relação às promessas americanas.
"Não depositamos confiança em garantias nem em palavras; apenas os fatos importam", escreveu Mohammad Bagher Ghalibaf no X.
- "Muitos avanços" -
Ali, um morador da cidade de Tonekabon, ao norte de Teerã, disse que, fosse qual fosse o acordo, provavelmente haveria mais conflitos pela frente.
"Ambas as partes estão falando de um modo que mantém satisfeitos seus apoiadores. Não está claro quem está dizendo a verdade", afirmou o homem de 49 anos.
As esperanças de um acordo aumentaram na quinta-feira depois que autoridades Americanas se mostraram otimistas quanto ao rumo da diplomacia, e o vice-presidente JD Vance disse a jornalistas que "muitos avanços" haviam sido alcançados.
O otimismo impulsionou nesta sexta-feira as bolsas dos Estados Unidos e da Ásia, enquanto os preços do petróleo recuaram levemente.
Os mercados de energia oscilaram fortemente nesta semana, enquanto investidores avaliam as chances de um acordo que poderia retomar o tráfego marítimo normal pelo crucial Estreito de Ormuz.
- Combates no Líbano -
No front libanês da guerra, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta sexta-feira que as forças de seu país avançaram mais para dentro do Líbano, mesmo enquanto delegações militares de ambos os países mantinham em Washington históricas conversas sobre segurança.
O chefe de governo disse que as tropas haviam cruzado o rio Litani, cerca de 30 quilômetros ao norte da fronteira entre Líbano e Israel, e estavam "atingindo" o Hezbollah.
Israel também manteve um intenso bombardeio no sul do Líbano, cujo presidente, Joseph Aoun, enfatizou em uma ligação com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, "a necessidade de empregar todos os esforços para alcançar um cessar-fogo" como passo inicial essencial.
Supunha-se que um cessar-fogo entre Israel e o grupo libanês Hezbollah, apoiado pelo Irã, entraria em vigor em 17 de abril, mas ele nunca foi respeitado.
O Líbano foi arrastado para a guerra no início de março, quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em retaliação pela morte do líder supremo do Irã em ataques americanos e israelenses, o que provocou bombardeios israelenses e uma invasão terrestre.
burs-smw/rh/mr/vel/ic/am
O.Lorenz--BTB