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Chefe do Pentágono cita 'preocupação justificada' sobre fortalecimento militar da China
O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, declarou neste sábado (30), que existe uma "preocupação justificada" no Pacífico diante do fortalecimento militar da China, embora tenha elucidado que os Estados Unidos buscam um "equilíbrio" regional e não um "confronto desnecessário".
O discurso de tom moderado de Hegseth durante o Diálogo Shangri-La em Singapura, a principal reunião de segurança da Ásia, contrastou com seus comentários fortemente combativos sobre Pequim na reunião do ano passado.
O secretário de Defesa lidera novamente uma numerosa delegação americana, em comparação com o gigante asiático, que pelo segundo ano consecutivo enviou um painel de especialistas militares e acadêmicos em vez do ministro da Defesa, Dong Jun.
"Quando observamos a região hoje em dia, há uma preocupação justificada em relação ao aumento histórico do poderio militar da China e à expansão de suas atividades", afirmou Hegseth neste sábado.
Posteriormente, ponderou que Washington não busca "um confronto desnecessário na região", mas sim "um equilíbrio verdadeiramente estável [na Ásia] que beneficie tanto os americanos" quanto seus aliados.
Ou seja, "um equilíbrio de poder favorável, mas duradouro, no qual nenhum Estado, incluindo a China, possa impor sua hegemonia e colocar em risco a segurança ou a prosperidade", acrescentou.
O chefe do Pentágono disse que Washington busca um engajamento "respeitoso" com Pequim: "Gostaria que meu homólogo estivesse aqui nesta conferência, mas aguardo com interesse outras oportunidades em que possamos nos encontrar".
O presidente Donald Trump visitou a China neste mês e, embora tenha destacado acordos comerciais "fantásticos", sugeriu que os Estados Unidos poderiam usar suas vendas de armamentos a Taiwan, uma ilha democrática que a China reivindica como parte de seu território, como moeda de troca com Pequim.
Não houve "nenhuma mudança" na postura de Washington em relação a Taiwan, mas "qualquer decisão sobre futuras vendas de armas (...) caberá" ao mandatário, concluiu Hegseth.
O delegado chinês Da Wei, da Universidade Tsinghua de Pequim, afirmou que o discurso deste ano foi "muito mais moderado". No entanto, considerou "irônica" a descrição que Hegseth fez da China: "Todos na sala devem ter pensado: quem é realmente hegemônico?".
"Levando em conta o que os Estados Unidos estão fazendo no Irã e o que fizeram na Venezuela, acredito que isso está claro para todos", afirmou, em referência à guerra no Oriente Médio e à operação militar que terminou com a captura em Caracas do presidente deposto Nicolás Maduro.
F.Müller--BTB