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Fortaleza de Beaufort, um local estratégico tomado por Israel no Líbano
O Exército israelense tomou um castelo do período das Cruzadas no sul do Líbano, que resistiu por séculos a invasões e batalhas, retomando assim um ponto estratégico que já havia ocupado por quase duas décadas.
As forças israelenses utilizaram a fortaleza de Beaufort, também conhecida como Qalaat al Shakif, como base durante sua ocupação anterior do sul do Líbano, que durou duas décadas e terminou em 2000.
Agora que Israel busca ampliar sua zona de controle no Líbano para além do rio Litani, o castelo voltou a ser um ponto estratégico — e um patrimônio em risco de sofrer danos pela guerra.
- Localização estratégica -
O forte foi construído originalmente pelo rei de Jerusalém por volta de 1137 e é "um dos exemplos mais bem preservados de castelos medievais no Oriente Próximo", segundo a Unesco.
O organismo da ONU soou o alarme sobre a segurança dos monumentos e locais emblemáticos no sul do Líbano, incluindo Beaufort, à medida que o conflito se intensifica.
Situado em uma elevação rochosa que domina o sul do Líbano e o norte de Israel, estendendo-se até as Colinas de Golã ocupadas por Israel, esta fortaleza rochosa foi tomada, perdida, reconquistada e abandonada por sucessivos exércitos ao longo de quase nove séculos.
Cruzados e forças muçulmanas lutaram pelo seu controle, que alternou diversas vezes entre eles.
Séculos depois, sua posição elevada e sua localização a cerca de cinco quilômetros da fronteira sul do Líbano com Israel transformaram o castelo, mais uma vez, em um ponto estratégico diante da invasão israelense no território libanês.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou no domingo que a tomada de Beaufort representou um "ponto de inflexão decisivo", ao mesmo tempo que prometeu avançar mais profundamente no país.
A declaração foi feita dias após o Exército israelense emitir uma ordem de evacuação em áreas ao sul do rio Zahrani, ao norte do Litani e a cerca de 40 km da fronteira.
"Esta é a primeira vez que Israel conquista Beaufort desde a retirada de 2000", declarou à AFP Orna Mizrahi, pesquisadora do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel.
Diante das ameaças sobre as comunidades do norte de Israel, "havia muita pressão sobre o governo, sobre o gabinete, para que tomasse medidas mais contundentes", afirmou.
"Acho que esse é um dos principais motivos (...) para realizar uma ação militar mais profunda no Líbano", acrescentou.
- Durante a guerra civil -
Durante a guerra civil do Líbano (1975-1990), os combatentes da Organização para a Libertação da Palestina utilizaram o castelo como ponto de observação em sua luta contra Israel.
Os israelenses tomaram a fortaleza durante sua invasão em 1982, após uma prolongada batalha contra os combatentes palestinos escondidos no labirinto de túneis subterrâneos históricos do monumento.
O forte foi danificado pelos violentos bombardeios durante o conflito.
Israel o utilizou como um de seus principais postos de observação até a retirada de suas tropas em 2000, sobretudo para escuta eletrônica, situado no limite do setor central de sua chamada zona de segurança.
- Últimos ataques -
O Hezbollah afirma que seus combatentes continuam enfrentando as tropas israelenses perto da fortaleza, onde, segundo afirma, não havia presença militar.
Na semana passada, um correspondente da AFP viu fumaça sobre uma área próxima ao castelo, após o que pareciam ser disparos de artilharia.
O ministro da Cultura do Líbano declarou à AFP que os ataques israelenses no sul do país colocavam em risco os sítios do patrimônio e que "várias bombas caíram" sobre a fortaleza.
A região em torno da fortaleza de Beaufort é "o epicentro da batalha travada pelo controle das localidades" próximas, na região de Nabatiyeh, declarou o ministro Ghassan Salamé.
P.Anderson--BTB