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Presidente da Bolívia denuncia que 'narcoterroristas' promovem protestos
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, denunciou, nesta segunda-feira (8), que "narcoterroristas" promovem os protestos que exigem sua renúncia e os advertiu que "seus dias estão contados", após promulgar uma lei que lhe permite decretar estado de exceção.
Operários, camponeses, mineiros, profissionais dos transportes e professores pressionam o governo de direita com dezenas de bloqueios rodoviários que há cinco semanas asfixiam as principais cidades do país, onde produtos básicos se tornam escassos.
Com sete meses no poder, Paz agora tem o caminho livre para decretar a medida, que além de lhe permitir recorrer a militares para conter os protestos, restringiria liberdades de reunião e circulação.
Em confrontos recentes para liberar vias, o governo denunciou que quatro policiais foram feridos a tiros. O presidente destacou que os grupos mais violentos provêm de facções criminosas, vinculadas ao narcotráfico.
"Aos violentos, aos narcoterroristas (...), seus dias estão contados. Vamos fazer cumprir o que manda a Constituição", disse o presidente ao lado de seus ministros durante um ato no palácio do governo, onde promulgou a norma que regulamenta os estados de exceção.
Participaram do ato altos comandos militares e policiais.
Por causa dos bloqueios, em La Paz, onde fica a sede do governo, e na vizinha El Alto, os preços das carnes e dos vegetais dobraram nos mercados, longas filas de veículos se formam nos arredores dos postos de gasolina e faltam medicamentos nos hospitais.
"Chega de bloqueios. Estamos cansados de pagar tanto por nossos alimentos", disse à AFP Eva Mallea, uma comerciante de 56 anos.
- A mão criminosa -
O governo boliviano, novo aliado dos Estados Unidos, acusa o ex-presidente Evo Morales de estar por trás dos intensos protestos que, segundo denunciou perante a OEA, buscam "alterar a ordem democrática".
A "segurança se vê em perigo quando o narcoterrorismo, as prioridades de certos setores que não são favoráveis à nossa democracia (...), priorizam seus interesses", disse Paz.
Morales, foragido devido ao caso do tráfico de uma menor que ele nega, qualificou, em entrevista recente com a AFP, que a convulsão social é uma "rebelião" contra um governo "subordinado" à administração do presidente americano, Donald Trump.
Os manifestantes rejeitam as propostas de reforma de Paz, que pôs fim a 20 anos de governos socialistas, liderados por Morales (2006-2019) e Luis Arce (2020-2025), e a falta de resultados para sair da pior crise econômica que o país atravessa em quatro décadas.
- A fome do povo -
Com bandeiras brancas e aos gritos de "Paz para La Paz!", centenas de bolivianos foram às ruas no centro da capital, nesta segunda-feira, para exigir o fim dos bloqueios viários que aprofundam a crise econômica.
Na sexta-feira e no sábado, policiais, apoiados por militares, enfrentaram com gás lacrimogêneo grupos de bloqueadores para liberar vias em La Paz e em Santa Cruz (leste), onde o governo denunciou que havia indivíduos armados.
Desde 2023, a Bolívia enfrenta uma grave crise econômica, provocada pela falta de dólares.
O governo anterior de Arce esgotou as reservas do país andino para financiar uma política de subsídios aos combustíveis, que comprava a preço internacional e revendia internamente com desconto. Paz suspendeu a medida em dezembro.
M.Ouellet--BTB