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'Inteligentes' e 'muito racionais'?: os dirigentes do Irã pós-Ali Khamenei
Um grupo de figuras militares, teocráticas e políticas assumiu as rédeas do Irã após o assassinato do veterano líder supremo Ali Khamenei em um bombardeio aéreo americano-israelense no começo da guerra, após anos nos quais o poder esteve concentrado em uma única pessoa.
Seu filho, Mojtaba Khamenei, foi nomeado líder supremo pouco após o assassinato do pai, mas não está claro qual é sua influência real e ele ainda não foi visto em público.
O presidente americano, Donald Trump, declarou este mês no G7 que a guerra eliminou o primeiro e também o segundo círculo de dirigentes, mas afirmou que o "terceiro grupo" é "inteligente", "muito racional" e "não está radicalizado".
Confira, a seguir, uma análise da AFP das personalidades-chave do regime iraniano, cuja presença nas cerimônias fúnebres de Ali Khamenei, que começam no próximo sábado, será acompanhada de perto.
- O líder supremo Mojtaba Khamenei -
Após suceder ao pai como líder supremo, Mojtaba Khamenei teoricamente ocupa o topo do sistema teocrático do Irã, em um cargo vitalício com a última palavra sobre todas as questões políticas relevantes.
No entanto, ele ainda não foi visto em público desde sua nomeação e várias fontes informaram que ficou gravemente ferido no ataque israelense-americano que matou, em 28 de fevereiro, seu pai e sua esposa, Zahra Haddad Adel, dando início à guerra no Oriente Médio.
Mojtaba emitiu várias declarações por escrito sobre assuntos políticos, que foram lidas na televisão.
Em um de seus posicionamentos mais significativos, publicados em 18 de junho, Mojtaba Khamenei disse ter abençoado os diálogos com os Estados Unidos para encerrar a guerra, apesar de ter uma "opinião diferente".
Uma das questões-chave nos funerais de Ali Khamenei será se seu filho vai aparecer em público.
- O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf -
Na ausência de Mojtaba Khamenei, o rosto público de maior destaque é Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento, que liderou a equipe de negociação nos diálogos com os Estados Unidos, primeiro no Paquistão e depois na Suíça.
Durante três décadas, ocupou cargos civis e militares: comandante das forças aeroespaciais da Guarda Revolucionária, chefe da polícia de Teerã e prefeito da capital iraniana.
Durante o processo de negociação com os Estados Unidos, evitou aparecer nas fotos ao lado do vice-presidente americano, JD Vance, possivelmente temendo críticas dos setores mais conservadores.
- O presidente, Masoud Pezeshkian -
Presidente desde 2024, após a morte de seu antecessor, Ebrahim Raisi, em um acidente de helicóptero, Pezeshkian é considerado parte da ala mais moderada da política iraniana.
Apesar de ser presidente, não ostenta o poder supremo e na história recente muitos presidentes tiveram dificuldades para impor sua vontade.
Foi Pezeshkian quem assinou o acordo com os Estados Unidos, firmado pelo presidente Donald Trump, para pôr fim ao conflito.
- O chanceler, Abbas Araghchi -
Este diplomata veterano está no cargo desde 2024, após a morte do anterior ministro das Relações Exteriores, Hossein Amir Abdollahian, no mesmo acidente de helicóptero que tirou a vida de Raisi.
Ele acompanhou Ghalibaf nas negociações no Paquistão e na Suíça, e também participou das conversas em fevereiro, em Omã, com enviados americanos, que não conseguiram deter a guerra.
Araghchi, doutor em pensamento político pela Universidade de Kent, na Inglaterra, defendeu com veemência a postura do Irã em entrevistas a emissoras de TV estrangeiras e em publicações no X.
- O comandante da Guarda Revolucionária, Ahmad Vahidi -
Ex-ministro do Interior e da Defesa, Vahidi é o terceiro comandante-em-chefe do exército ideológico do Irã em menos de um ano após a morte de seu antecessor, Mohammad Pakpour, no primeiro dia da guerra, e de Hossein Salami, durante a guerra de 12 dias de Israel contra o Irã, em junho de 2025.
Possivelmente por esta razão, Vahidi manteve um perfil muito baixo durante o conflito, sem aparições públicas. No entanto, seu cargo lhe confere enorme autoridade política e militar.
- Mohammad Bagher Zolghadr, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional -
Zolghadr é outro funcionário que manteve um perfil baixo, mas que poderia ostentar grande poder. Ele foi nomeado para o cargo-chave da segurança após a morte, em março, de seu antecessor e negociador veterano, Ali Larijani, em um ataque aéreo israelense.
Diferentemente de Larijani, a carreira de Zolghadr esteve ligada à Guarda Revolucionária e sua nomeação foi interpretada como um reforço do papel do exército ideológico.
- Gholam Hossein Mohseni Ejei, chefe do Poder Judiciário -
É presença habitual nos últimos meses na TV iraniana.
Em uma ocasião, instou os funcionários a acelerar as sentenças de execução.
- Esmail Qaani, comandante da Força Quds -
Qaani, sobre quem se sabe muito pouco, se tornou comandante da força encarregada das operações no exterior da Guarda Revolucionária após a morte de seu antecessor, Qassem Soleimani, em um ataque americano no Iraque em 2020.
Circularam boatos de que ele teria morrido na guerra de junho de 2025, mas depois reapareceu em público para apoiar as negociações com os Estados Unidos, afirmando que Araghchi e Ghalibaf mereciam "elogios".
sjw/pb/pc/an/mvv/aa
C.Kovalenko--BTB