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Trump dá por encerrada trégua com Irã após ataques cruzados
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (8) encerrada a trégua com o Irã, depois que os confrontos entre os dois países voltaram a se intensificar no Golfo e no estratégico Estreito de Ormuz.
Essa rota marítima, crucial para o comércio mundial de hidrocarbonetos, continua sendo um dos principais focos de tensão do conflito, desencadeado no fim de fevereiro com a ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Teerã quer controlar o Estreito de Ormuz por meio da cobrança de taxas e advertiu que atacará navios que não respeitarem os corredores autorizados.
Desde junho, a república islâmica está em negociações com Washington para encontrar uma solução duradoura para o conflito.
"Estamos em um momento delicado, em que possíveis alternativas a um sistema iraniano de pedágios ou tarifas estão sendo exploradas", disse à AFP Andreas Krieg, especialista em segurança do King’s College de Londres.
"O Irã está enviando um sinal claro de que não aceitará nenhuma alternativa", acrescentou.
Os bombardeios iranianos contra ao menos três embarcações nos últimos dias desencadearam, na terça-feira, uma ofensiva americana contra alvos no Irã, à qual Teerã respondeu atacando países da região do Golfo, aliados de Washington.
"Da minha parte, acabou", declarou Trump nesta quarta-feira, durante a cúpula da Otan na Turquia, ao ser questionado se a trégua com o Irã continuava em vigor. "É perda de tempo tentar lidar com eles", acrescentou.
"Vou deixar que nossos excelentes negociadores continuem conversando se assim o desejarem, mas eu não acredito. Não gosto dessas pessoas", comentou.
Os preços do petróleo dispararam 5% imediatamente após suas declarações.
A agência de notícias iraniana IRIB informou nesta quarta-feira sobre várias explosões nos arredores do Estreito de Ormuz, entre elas seis na Ilha de Qeshm, sete na cidade de Sirik e outras em Bandar Abbas, um dos principais portos do país.
Também foram relatadas explosões na cidade portuária de Bushehr, onde se encontra a única usina nuclear civil do país.
A cidade está situada perto da Ilha de Kharg, principal terminal petrolífero do Irã, pela qual transita cerca de 90% das exportações de petróleo do país.
A imprensa estatal acrescentou que um membro da Guarda Revolucionária morreu no sudoeste do Irã.
O comando americano no Oriente Médio (Centcom) afirmou que suas forças atacaram mais de 80 alvos, entre eles sistemas de defesa antiaérea iranianos, instalações de radar costeiro e 60 embarcações leves da Guarda Revolucionária.
Os bombardeios tinham como objetivo imediatamente "degradar a capacidade do Irã de continuar atacando o comércio internacional que transita por essa rota estratégica para o comércio mundial", afirmou.
A resposta iraniana não tardou. A Guarda Revolucionária afirmou ter lançado ataques contra dezenas de instalações militares dos Estados Unidos no Kuwait e no Bahrein, onde um jornalista da AFP ouviu explosões.
- Ataques em Ormuz -
O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou os Estados Unidos de cometerem "graves" violações do acordo entre ambos os países, incluindo a reimposição de sanções ao petróleo iraniano.
Washington revogou as isenções que permitiam determinadas vendas de petróleo bruto enquanto continuam as negociações sobre um acordo definitivo para o conflito.
"As ações do Irã no estreito foram totalmente inaceitáveis para os Estados Unidos e terão consequências", declarou a um funcionário americano à AFP.
A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou na terça-feira que um petroleiro foi atingido por um "projétil não identificado" perto do Estreito de Ormuz.
Os três navios atacados navegavam perto de Omã, cuja proposta de um corredor marítimo temporário foi rejeitada pelo Irã.
Embora o tráfego marítimo tenha começado a se recuperar após o acordo assinado no mês passado, Teerã insiste que não voltará ao sistema anterior, que permitia a livre circulação pelo estreito.
burs-axn/ris/meb/avl/jc/aa
J.Bergmann--BTB