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Aliados de Kiev reforçam ajuda à Ucrânia e aumentam pressão sobre Moscou
Os países da chamada Coalizão dos Voluntários, aliados de Kiev, reuniram-se nesta segunda-feira (13) em Paris para reforçar o apoio à Ucrânia e aumentar a pressão sobre Moscou para que ponha fim à guerra.
Representantes dos 37 membros da coalizão, incluindo o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, participaram da 16ª reunião do grupo, criado pela França e pelo Reino Unido para fornecer apoio militar à Ucrânia após a invasão russa de fevereiro de 2022.
"Estamos determinados a continuar apoiando a Ucrânia de forma ainda mais rápida e contundente", declarou o presidente francês, Emmanuel Macron, ao término do encontro.
Macron anunciou que a Ucrânia adquirirá 16 caças Rafale, além de baterias SAMP/T de nova geração para reforçar suas defesas antiaéreas, submetidas a forte pressão devido aos repetidos ataques russos com mísseis balísticos nas últimas semanas.
O presidente francês também informou que a Força Multinacional para a Ucrânia, que será mobilizada após o fim dos combates para dissuadir a Rússia de lançar uma nova ofensiva, realizará exercícios nos próximos meses em países vizinhos da Ucrânia para "demonstrar nossa prontidão".
Além disso, anunciou o fortalecimento da cooperação entre países europeus para combater a chamada "frota fantasma" de navios petroleiros, utilizada pela Rússia para driblar as sanções internacionais e financiar seu esforço de guerra.
"É um dia histórico para todos nós", comemorou Zelensky, que continua pedindo mais sistemas de defesa antiaérea diante dos mísseis russos que atingem diariamente seu país.
Horas depois, várias explosões foram ouvidas na capital ucraniana, após a Força Aérea alertar para a aproximação de diversos mísseis, constatou um jornalista da AFP.
"Os sistemas de defesa antiaérea foram ativados na capital. O inimigo está atacando Kiev com mísseis balísticos", informou o prefeito Vitali Klitschko em mensagem publicada no Telegram.
Pouco antes da cúpula em Paris, nove países europeus criaram, juntamente com a Ucrânia, uma coalizão "puramente defensiva" destinada a desenvolver capacidades antimísseis balísticos na Europa, das quais Kiev carece para enfrentar os ataques aéreos russos.
"Não fazemos isso contra nenhum povo, mas em defesa dos nossos", afirma a declaração conjunta assinada por Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Países Baixos, Noruega, Espanha, Suécia, Ucrânia e Reino Unido.
A cúpula em Paris ocorreu na véspera do feriado nacional francês, o Dia da Bastilha, cuja tradicional parada militar será aberta neste ano por 500 soldados dos países da coalizão, em demonstração de apoio à Ucrânia.
Zelensky, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, participarão do desfile ao lado de diversos outros líderes do grupo.
"Chegou a hora de pôr fim a esse derramamento de sangue sem sentido na Ucrânia", declarou Merz após a cúpula.
Ele afirmou que o apoio à Ucrânia — motivo pelo qual o embaixador da Alemanha na Rússia foi convocado pelo governo russo nesta segunda-feira — ocorre "em defesa da liberdade em toda a Europa".
– "Coalizão de belicistas" –
Antes de se reunir com seus colegas, Macron elogiou o "despertar estratégico" dos europeus, em uma mensagem dirigida tanto à Rússia quanto aos aliados dos Estados Unidos.
"Sim, a paz é nosso objetivo. Sim, valorizamos a liberdade e o Estado de Direito. E, sim, estamos dispostos a lutar para defendê-los. Sempre, e com sangue, se necessário", afirmou Macron em seu tradicional e último discurso às Forças Armadas antes das celebrações de 14 de julho.
Moscou desqualificou a cúpula nesta segunda-feira, classificando-a como uma reunião de líderes que "não querem a paz".
"Trata-se de uma coalizão de belicistas", afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Macron e os demais líderes destacaram a renovada sintonia com os Estados Unidos em relação à Ucrânia, após a reunião do G7, realizada em junho na França, e o encontro da Otan na semana passada, na Turquia.
O presidente americano, Donald Trump, mantém relações com o líder russo, Vladimir Putin, ao mesmo tempo em que critica periodicamente tanto Moscou quanto Kiev. Nesses encontros, porém, manifestou a intenção de ampliar o apoio à Ucrânia.
Os Estados Unidos não integram a Coalizão dos Voluntários e descartaram o envio de tropas terrestres ao território ucraniano, mas participariam da supervisão de um eventual cessar-fogo.
Um cessar-fogo, no entanto, continua sendo uma perspectiva distante, enquanto os combates prosseguem e Zelensky tem reiterado, nos últimos dias, seu apelo para que os aliados enviem mais ajuda militar.
Desde junho, Kiev tem sido alvo de ataques em larga escala, com um número crescente de mísseis, especialmente balísticos, que são mais rápidos e mais difíceis de interceptar.
burs-sw/mas/erl/avl/jc/aa/am
J.Bergmann--BTB